Festival de Música Indígena reúne cinema, debate e exposição no Espaço Casulo neste domingo

No domingo (28), o Casulo Espaço de Cultura e Arte promove a segunda rodada da 4ª edição do Festival de Música Indígena. A programação traz cinema, exposição, debate e celebração da cultura Guarani Kaiowá em Dourados

Casulo – Festival da Música Indígena (Foto: Divulgação)

O Festival de Música Indígena realiza, neste domingo (28), a segunda rodada de atividades no Casulo – Espaço de Cultura e Arte, situado na Rua Reinaldo Bianchi, 398 – Parque Alvorada, em Dourados. Com entrada gratuita, a programação reúne cerimônia tradicional, exposição de artes visuais, roda de conversa e sessão de cinema, reafirmando o evento como local de valorização das culturas indígenas, fortalecimento das identidades originárias e encontro entre diferentes saberes.

Neste ano, o festival será realizado em quatro etapas. A primeira aconteceu em maio e as próximas fases serão divulgadas em breve. A gestora do Casulo, Júlia Aissa destaca que a iniciativa consolidou-se como um importante espaço de protagonismo indígena em Mato Grosso do Sul.

“O Festival de Música Indígena deixou de ser uma iniciativa pontual para se consolidar como um espaço permanente de valorização, encontro e fortalecimento das culturas indígenas em Mato Grosso do Sul. Chegar à quarta edição reforça que investir na cultura indígena é investir na preservação da memória, na formação de novas gerações de artistas e no fortalecimento das comunidades. Mais do que apresentações musicais, o festival promove formação, intercâmbio cultural e diálogo entre tradição e contemporaneidade“.

Festival da Música Indígena (Foto: Divulgação)

A abertura, às 15h, será conduzida pela Nhandesy Claudiene Gomes, responsável pela Casa de Reza “Yvu Verá”, em Dourados. No mesmo horário, o público poderá visitar a exposição do Festival Itinerante da Pintura Guarani Kaiowá, composta por cerca de 30 telas produzidas por crianças, jovens e anciãos da Aldeia Amambai durante um curso de formação artística.

Responsável pela mediação da exposição, o professor Fabrício Deffati, da UEMS, explica que a demanda para expor às pinturas partiu dos próprios indígenas. “As telas levam consigo a alma Guarani Kaiowá retratada por pessoas de diferentes idades que vivem o território. Mais do que ensinar técnicas de pintura, o projeto criou um espaço para fortalecer identidades, tornar visíveis as narrativas do povo Guarani Kaiowá e mostrar que a arte também é uma forma de resistência cultural”.

Às 16h, a escritora, tradutora e intérprete Guarani Emília Espíndola conduz a Pupa Filosófica – Línguas, memória e escuta entre mundos, atividade inspirada no processo de tradução da obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, para variantes da Língua Guarani.

Festival da Música Indígena (Foto: Divulgação)

Traduzir ‘Quarto de Despejo’ para o guarani criou um encontro entre diferentes memórias latino-americanas. Não traduzimos apenas palavras, mas formas de viver, lembrar e compreender o mundo. Esse trabalho amplia o lugar das línguas indígenas na literatura, fortalece sua circulação e reafirma que elas continuam produzindo conhecimento, dialogando com o presente e ocupando espaços de prestígio”, afirma Emília.

Em seguida, às 17h é a vez do Cine Clube Casulo com a exibição do documentário “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, dentro da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (2025/26). O longa acompanha a busca das cineastas Sueli e Maísa Maxakali pelo pai, Luis Kaiowá, e apresenta reflexões sobre memória, território e resistência dos povos indígenas no Brasil.

A primeira etapa do festival reuniu oficinas, palestras e apresentações artísticas. O indígena Abrísio Silva, da etnia Guarani Kaiowá, lembra como foi essa vivência. “Foi uma experiência muito gratificante e um grande aprendizado. A comunidade participou das oficinas, lotou o show e pediu que o festival voltasse mais vezes. Gostaria de convidar todos para aproveitarem cada momento desta nova etapa. O festival é único, movimenta nossa vida por meio da cultura e da arte e nos faz esquecer, mesmo que por algumas horas, os problemas do cotidiano“.

O Festival de Música Indígena conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Lei Paulo Gustavo (LPG), do MinC – Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul), Setesc, Governo do Estado. Além do apoio da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), da Mostra Difusão – Mostra Cinema e Direitos Humanos e da Associação de Pais Mestres e Funcionários da Escola Polo Indígena Municipal Mbo Erenda Ypyendy de Amambai. Acompanhe a iniciativa pelo Instagram  (@casulodourados).

Festival da Música Indígena (Foto: Divulgação)

O Festival conta com a coordenação geral de Júlia Aissa; assistentes de produção e executiva Adriano Paes, Luís Negrini, Luís Fernando e Heline Willian; na arte gráfica Jaciara Marschner e assessoria de imprensa Aline Lira e Lucas Arruda.

Serviço:

Festival de Música Indígena – 4ª edição | 2ª etapa

Data: Domingo (28 de junho)

Local: Casulo – Espaço de Cultura e Arte | Dourados (MS)

Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398 – Parque Alvorada

Programação

15h – Jehovasy com Nhandesy Claudiene Gomes e abertura da Exposição Festival Itinerante da Pintura Guarani Kaiowá

16h – Pupa Filosófica: Línguas, memória e escuta entre mundos, com Emília Espíndola

17h – Cine Clube Casulo apresenta o documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá

Entrada gratuita

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