Embrapa e MDA vão implantar mil Sisteminhas Comunidades no Brasil

Anúncio será feito nesta quarta-feira (20), em Brasília, durante seminário organizado pela Embrapa Cocais e MDA

De 20 a 22 de março, será realizado, na Sede da Embrapa, em Brasília, no Auditório Biomas, o evento de lançamento do projeto “Sisteminhas Comunidades: Povos e Comunidades Tradicionais”, objeto do Termo de Execução Descentralizada – TED entre a Embrapa Cocais e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar – MDA. A iniciativa representa um marco para o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar de comunidades tradicionais no Brasil.

Evento de lançamento será seguido de oficina de estruturação da Rede

A meta é implantar 1.000 (mil) unidades do Sisteminha Comunidades em um processo participativo nas diversas regiões do Brasil, baseadas em tecnologias inovadoras e sustentáveis, combinando o uso de insumos, como sementes, linhagens adequadas (industriais, rústicas ou tradicionais) de aves de postura e corte, alevinos e ração de qualidade, com princípios ecossistêmicos (ecológico). Será dada ênfase na produção de peixes, ovos e vegetais como macaxeira, milho, abóbora, batata doce, inhame, feijão, melancia e olerícolas, entre outros, visando promover a segurança alimentar e nutricional das famílias beneficiadas. Essa abordagem visa promover a estabilidade e a sustentabilidade da atividade produtiva, garantindo resultados duradouros.

Para o chefe-geral da Embrapa Cocais, Marco Bomfim, a inclusão socioprodutiva é uma prioridade da Embrapa para reduzir a pobreza e garantir a segurança e a soberania alimentar. “O Sisteminha Comunidades produz alimentos de forma muito rápida e ainda oferece autonomia às pessoas, sedo uma fonte de aprendizado e conexão comunitária, o que mostra o papel da tecnologia na inovação tecnológica e social para o desenvolvimento local. Esse processo somente ocorre com a participação ativa da comunidade e da rede de parceiros e apoio das políticas públicas, compondo todas as hélices da inovação, uma aliança entre a sociedade organizada, instituições de ciência de tecnologia e o setor público”, afirmou.

O pesquisador da Embrapa Cocais, Luiz Carlos Guilherme, criador da tecnologia social, diz que o Sisteminha evoluiu, pois saiu do foco do tratamento individual em cada família para o tratamento coletivo, com visão mais holística em relação à comunidade. Faz parte do trabalho de execução da tecnologia, orientações sobre oportunidades de negócios e formas de lidar com a aquisição de insumos, técnicas, formação de novas lideranças, o que vem permitindo mais oportunidades de acesso ao conhecimento e o fortalecimento da relação entre as comunidades vizinhas com mais agregação de valor e interação com o mercado.

Há uma atuação coletiva de trabalho e atividades que vão permitir que as famílias sejam beneficiárias do processo. Esse é o principal avanço, a visão coletiva e a rede de parceiros e instituições, união de esforços entre técnicos e produtores, formando multiplicadores populares que podem evoluir, inclusive, para microempresas, minimizando os problemas de falta de empregos e oportunidades e potencializando a capacidade de produção de bens pelas famílias em vulnerabilidade, seu empoderamento e bem-estar”, afirma Guilherme.

Lançamento e estruturação – No primeiro dia do evento, será realizada a apresentação da tecnologia social com ênfase nas experiências prévias em quilombos, territórios indígenas, comunidades diversas e zonas urbanas e periurbanas e debatido o tema “Estratégias de Rede e Colaboração para o Fortalecimento do Sisteminha Comunidades: Promovendo Diversidade Regional e Desenvolvimento Comunitário”. O secretário nacional de territórios e sistemas produtivos quilombolas e tradicionais do MDA, Edmilton Cerqueira, realizará a palestra “Estruturação e Fortalecimento da Rede de Apoio ao Sisteminha Comunidades”. Em seguida, o chefe-geral da Embrapa Cocais, Marco Bomfim, falará sobre “Sinergias e Desafios na Implementação de Redes para o Sisteminha Comunidades”

No segundo dia do evento, o tema central será a Implementação do Sisteminha Comunidades em novas comunidades, com discussão de estratégias para a expansão e a superação de obstáculos em diversos contextos, adaptação cultural e engajamento comunitário, capacitação de líderes e educação continuada e integração de jovens. Também serão abordados temas como o fortalecimento de parcerias institucionais e inovação, tecnologia e acesso digital para gestão do Sisteminha e Sustentabilidade e práticas agrícolas sustentáveis.

Sobre a tecnologia social – O Sisteminha Comunidades é considerado uma inovação significativa na produção de alimentos, direcionada especificamente para comunidades indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais no território nacional. Segundo Luiz Carlos Guilherme, ultrapassa a mera produção agrícola, incorporando uma abordagem holística e ecossistêmica que se alinha às vidas e às culturas das comunidades locais, visando combater a fome, promover o bem-estar, a resiliência e a sustentabilidade.

Isso por que, diferentemente de modelos agrícolas convencionais, o Sisteminha Comunidades adota uma metodologia integrada que envolve a disposição sinérgica de 15 módulos de produção miniaturizados – incluindo peixes, aves, suínos, minhocas, abelhas, biodigestores, entre outros. Essa estratégia não somente produz alimentos de forma sustentável, mas também contribui para a melhoria do solo, qualidade da água, e biodiversidade. Além disso, o projeto facilita o acesso a insumos de alta qualidade e produtividade, combinando práticas tradicionais com tecnologia avançada para assegurar segurança alimentar e nutricional.

A tecnologia tem abordagem integrada, destacando-se por sua diversidade e flexibilidade, alinhando-se diretamente com várias ODS das Nações Unidas, como a erradicação da pobreza, fome zero, saúde e bem-estar, igualdade de gênero, água limpa e saneamento, redução das desigualdades, consumo e produção responsáveis, além de aderir aos critérios ESG.

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