O desconhecimento sobre a gravidade da insuficiência cardíaca no Centro-Oeste brasileiro

  • Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos revela que menos da metade (49) dos respondentes da região soube descrever a doença adequadamente 1
  • A insuficiência cardíaca afeta cerca de 3 milhões de brasileiros2
  • Comemorado em 06 de maio, o Dia da Insuficiência Cardíaca busca conscientizar a população sobre essa doença que mata mais do que alguns tipos de câncer 2

Foto: Divulgação

Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos mostra que apesar da maioria (51%) dos entrevistados da região Centro-Oeste afirmar conhecer Insuficiência Cardíaca, 49% soube descrever a doença corretamente1 como sendo a falta de capacidade do coração em bombear sangue de maneira adequada e suficiente para o corpo3.

O levantamento mostrou que, apesar de ser a segunda principal doença cardíaca no paíse afetar 2,8 milhões de brasileiros4, a gravidade da Insuficiência ainda é muito desconhecida pela população. A doença não tem cura, mas há tratamentos capazes de melhorar o prognóstico ou diminuir a velocidade de progressão, além de elevar a qualidade de vida do paciente. No entanto, 37% dos entrevistados da região Centro Oeste ainda acredita que IC tem cura¹ – mais do que a média nacional, de 33% dos brasileiros, afirmando acreditar que existe cura para a insuficiência cardíaca.

A pesquisa mostrou que a grande parta dos pesquisados não compreende a real gravidade da Insuficiência Cardíaca, que mata mais pessoas do que alguns tipos de câncer – cerca de 50% dos pacientes não sobrevivem após cinco anos do diagnóstico2”.

Segundo dados da Pesquisa Ipsos, 31% da população do Centro Oeste pensa que o câncer de mama (22%) ou de próstata (9%) são mais letais que a insuficiência cardíaca1, porém esta condição cardíaca tem maior mortalidade– provoca de duas a três vezes mais mortes que cânceres avançados, como o de mama2.

Pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca enfrentam repetidas internações e sintomas como falta de ar para atividades físicas5, inchaços nos tornozelos e pés5, e tosse persistente6, que impactam na realização de atividades cotidianas e, consequentemente, na qualidade de vida.

“O impacto da Insuficiência Cardíaca é abrangente e causa limitações físicas e psicológicas. Na parte física, podemos citar fadiga e dispneia, por exemplo, e em relação à saúde emocional dos pacientes, a enfermidade pode gerar mudanças nas relações financeiras, sexuais, nas atividades laborais, no lazer, entre outros. Em casos mais extremos, pacientes podem sofrer com depressão”, explica Dr.  Dirceu Rodrigues Almeida, cardiologista, especialista em Insuficiência Cardíaca e professor da Universidade Federal de São Paulo (SP).

A enfermidade também tem um peso importante e crescente na saúde, gerando uma perda de R$ 22 bilhões na economia do País, por custos no sistema de saúde e redução de produtividade4.

Apesar de ser mais comum em pessoas com mais de 65 anos, a incidência da doença em pessoas mais jovens cresce em virtude do estilo de vida. Muito se deve aos fatores de risco que estão presentes cada vez mais precocemente, como má alimentação, sedentarismo, hipertensão e diabetes.

A falta de cuidado com o coração também é um ponto importante. De acordo com a pesquisa, 36% dos entrevistados no Centro Oeste nunca foram ao cardiologista3 e 3% não vão há 10 anos. “Negligência de cuidados com as doenças que afetam o coração são comuns e vão desde a não marcação de uma consulta médica com especialista, algo endossado pela pesquisa, até crenças dificultadoras da adesão ao tratamento, por exemplo”, acrescenta Dr. Dirceu.

A amostra do estudo realizado pela Ipsos é uma representatividade da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2016) e tem margem de erro de ±3 pontos percentuais. As entrevistas foram pessoais em domicílios, realizadas entre os dias 01 e 13 de agosto de 2018.

Referências

  1. Bus Insuficiência Cardíaca. Ipsos. 2018.
  2. Albuquerque DC, Souza-Neto JD, Bacal F, et al. I Brazilian Registry of Heart Failure – Clinical Aspects, Care Quaility and Hospitalizations Outcomes. Arq Bras Cardiol 2015 104(6)433-442
  3. Heart failure matters. What goes wrong in heart failure? Disponível em: http://www.org/en_GB/Understanding-heart-failure/What-goes-wrong-in-heart-failure. Acesso em 21/04/2019
  4. Stevens B, Pezzullo L, Verdian L et al. The Economic Burden of Heart Diseases in Brazil. World Congress of Cardiology & Cardiovascular Health 2016 Poster code: PS023.
  5. Heart Failure Matters. Understanding Heart Failure. Symptoms of Heart Failure. Disponível em: http://www.org/en_GB/Understanding-heart-failure/Symptoms-of-heart-failure. Acesso em: 04 Abr 2017
  6. Heart Failure Matters. Warning signs.  Disponível em; http://www.heartfailurematters.org/en_GB/Warning-signs/Cough. Acesso em: 04 Abr 2017.

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