20 anos fazem que aconteceu a multiplicação do Bolo

A Caridade multiplica as bênçãos para os filhos de Deus.

A caridade e a multiplicação do bolo – Foto: Divulgação

A caridade e a multiplicação do bolo – Foto: Divulgação

Em uma tarde no deserto, há mais de dois mil anos, um homem falou sobre a Caridade dos homens, que em verdade era inspirada por Deus. Antes que se dispersassem ao vento, as palavras do Apóstolo Paulo foram recolhidas no livro santo, e até hoje inspiram a humanidade: “Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver Caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom da profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber, e se tiver toda a Fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver Caridade, eu não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia, não tiver Caridade, nada disto me aproveita. A Caridade é paciente, é benigna; a Caridade não é invejosa”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 6).

As palavras de São Paulo são fonte de inspiração e caminho a seguir para todos os espíritas e cristãos do mundo inteiro, e também servem de inspiração para os membros do Grupo da Fraternidade Espírita “José Grosso e Maria João de Deus”, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Há exatos 20 anos, um Ato da Caridade mostrou mais uma vez que para o Amor de Deus não há fronteiras, nem mistérios, nem nada impossível.

Uma festa para comemorar a passagem do Dia das Crianças foi promovida no centro na noite de 11 de outubro de 1996. Segundo o presidente e fundador do Grupo “José Grosso e Maria João de Deus”, o jornalista Luiz Correa da Silveira Filho, o Luizinho, naquele dia ele acordou com um desejo de realizar uma festa para as crianças carentes. O centro espírita é situado em um bairro humilde, na saída da cidade, e as crianças das imediações não têm muitas oportunidades para festejarem.

Luizinho saiu em busca de ajuda, e contou com o apoio de importantes colaboradores. A família Passarelli, com Joaquim, Luiz Carlos e dona Márcia, que à época possuía um grande supermercado, doou tanto os refrigerantes quanto um bolo de aproximadamente 2,3kg.

O saudoso advogado João Santana custeou as despesas de um carrinho de pipoca e outro de algodão doce, que foram dispostos na entrada do centro espírita.

Os empresários de rádios da cidade também abriram as portas, e Luizinho pôde divulgar a festa nos microfones de emissoras muito populares, o que acabou por atrair uma grande multidão para o evento da noite. Estima-se que mais de 1.500 crianças compareceram ao evento, sem contar pais, mães e acompanhantes.

Enquanto as atividades começavam, com uma palestra proferida pelo Major Muniz, hoje aposentado, mas na época era tenente, do Corpo de Bombeiros, as pessoas começaram a chegar em grandes levas. Luizinho ainda hoje lembra da surpresa que sentiram ele, sua esposa Elzi, os colaboradores, Angelina, Santinha, tenente Muniz entre outros, ao assistir a chegada de tanta gente.

Quando viu a enorme fila, Elzi chamou Luizinho e disse: “Lá fora tem mais de mil crianças; o bolo, os refrigerantes, as balas e outras coisas não vão dar para nada”. Ele respondeu: “Vamos distribuir o que tem, e explicar que faremos outra festa na semana que vem… 0 que podemos fazer?”

Na época, o quintal do centro era de chão batido e tinha uma grande árvore. A fila foi organizada e quando começou a distribuição, algo surpreendente aconteceu, conforme conta Luizinho: “Foi na hora que Elzi auxiliada pela Angelina, cortavam o bolo e entregavam as crianças.

Quanto mais cortavam, mais ele aumentava; de maneira que todas as crianças comeram bolo, e muitas ainda puderam levar um pedaço para suas mães em casa. O pedaço que sobrou ainda deu para repartir entre todos os que estavam ajudando. Esse fato da multiplicação do bolo, biscoitos, balas, refrigerantes e todas as guloseimas da reunião, à semelhança do que ocorreu a época de Jesus – quando houve a multiplicação de pães e peixes – foi testemunhado por muitas pessoas presentes à reunião, que consideram importante que seja divulgado esse acontecimento que está registrado na história do centro espírita, demonstrando o quanto somos assistidos pelos Benfeitores amigos, quando nos dispomos a realizar o Bem”, finalizou Luizinho.

Segundo ensinava Chico Xavier, para auxiliar os mais necessitados muito mais que dinheiro é preciso Amor, Caridade e Boa Vontade. Portanto, assim como Jesus Cristo multiplicava pães e peixes para atender à multidão faminta, a Caridade multiplica indefinidamente os recursos com os quais podemos e devemos ajudar nossos irmãos.

Essa é uma verdade vivenciada por todo dirigente de instituição de caridade. Nunca há dinheiro suficiente, mas os recursos chegam sempre, enquanto permanece a disposição para servir. A Caridade não se cansa nunca de se multiplicar para acolher e atender a todos os filhos de Deus.

Acompanhe abaixo outros depoimentos de pessoas que participaram da festa das crianças e relatam o poder multiplicador do Amor de Deus.

Depoimentos das pessoas que testemunharam a multiplicação da festa, em Três Lagoas

Maria Santos de Menezes popular dona Santinha, com 63 anos, é moradora   há mais de 45 anos na rua Agenor Xavier, 2651, bairro da Guanabara.  Sua família é grandiosa e eles são fundadores da Vila Guanabara e moradores desde a fundação do bairro,

Ela lembra, como se fosse hoje, daquela sexta-feira 11 de outubro de 1996, dia da festa das crianças e também de homenagem ao codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, quando houve a multiplicação do bolo no Centro da Fraternidade Espírita José Grosso e Maria João de Deus, em Três Lagoas (MS).

Santinha chegou na Casa Espírita junto com várias pessoas da família. Naquele tempo a Rua Francisco Cândido Xavier chamava-se Rua Amapá, esquina com a Rua Allan Kardec.

Logo na entrada, Santinha viu uma multidão de crianças e começou a auxiliar Elzi, por que percebeu que tinha poucas coisas e que não daria nem para começar o pouco de guloseimas que havia naquela festa:  guaraná, bolo, balas, por que era mais de umas centenas de crianças.

Ela diz:  “Eu, como moradora do bairro, conheço bem as milhares de crianças da Vila Guanabara. Muitas crianças voltavam para casa e chamavam mais crianças para vir. Fiquei com muita pena do seu Luiz e da dona Elzi, pois calculei que a quantidade de guloseimas não daria para começar.  Mas vi que quanto mais eles comiam, mais apareciam crianças para comer alimentos e ganharem brinquedos”.

Outro depoimento emocionante é o de dona Angelina Santos de Menezes, 50 anos, moradora na época no Grupo da Fraternidade Espírita José Grosso e Maria João de Deus, na época.

Ela é quem cuidava da Casa Espírita que lhe oferecia uma casa e em troca cuidava do Centro. Hoje Angelina mora na Rua da Música, 1209, bairro Jardim das Violetas, em Três Lagoas.  Ela relembra, em lágrimas, daquele dia, em que ficou agoniada, com medo de que nada sobrasse para alimentar e nada sobrasse de brinquedos para as crianças. Chorou muito e falou para as amigas e famílias que muitas crianças iam voltar sem nada comer, mas ao contrário, ela viu a fartura das crianças comendo à vontade, tomando guaraná, ganhando brinquedos.

Tão emocionante quanto o depoimento do Psicólogo Muniz, casado com a médica dermatologista Dr. Maria Angélica Gorga (Casal Espírita): “Lembro bem que naquele dia fiquei maravilhado quando cheguei à casa Espírita a multidão de pessoas que estavam presentes, quando olhei para o quintal e vi um bolinho pequeno com muitas balas, pirulitos e bombons ao lado pensei comigo, o que tem aqui não vai dar para todo mundo, mas durante a palestra que quanto mais eu falava de Jesus e de Kardec mais força vinha de cima para que eu falasse mais e mais, o que me marcou muito foi o silêncio da criançada que prestavam atenção nas minhas palavras e seus olhos brilhavam, as janelas cheias de gente e porta congestionada; Fiquei emocionado com a multiplicação do amor de Deus.

Fonte: Correio de Três Lagoas

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