Uma investigação iniciada pelas jornalistas alemãs Isabell Beer e Isabel Ströh e aprofundada pela “CNN” Internacional expôs a existência de uma rede internacional de homens que compartilham fotos e vídeos de mulheres dopadas.

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O material circula em fóruns e grupos privados, nos quais os participantes incentivam uns aos outros, compartilham técnicas e discutem formas de escapar da Justiça, e também em sites pornográficos – um dos citados na apuração abriga mais de 20 mil vídeos dessa natureza.
A reportagem cita um desses grupos, que recebeu o nome de “Zzz”. Nele, homens trocam informações sobre substâncias que induzem a “submissão química”, modos de administração e horários considerados “mais eficazes”.
Jornalistas da emissora se infiltraram nesses fóruns e grupos privados e identificaram mulheres vítimas desse tipo de abuso em diferentes regiões do mundo. A reportagem cita dois casos que ocorreram em diferentes países da Europa.
Em Devon, na Inglaterra, Zoe Watts descobriu que foi abusada pelo então marido, com quem foi casada por dezesseis anos, triturava os soníferos do próprio filho para colocá-los em seu chá, a fim de violentá-la e filmá-la inconsciente.
Já na Itália, uma mulher identificada apenas como Valentina encontrou vídeos gravados pelo então marido, com quem vivia havia vinte anos, nos quais aparecia sendo agredida após ser dopada com soníferos e álcool.
Na França, as associações Fondation des Femmes e M’endors pas, esta última fundada por Caroline Darian, filha de Gisele Pelicot, anunciaram que pretendem acionar a justiça francesa e pedem a abertura de uma investigação preliminar.
As organizações também pediram a intervenção da Arcom, reguladora do setor audiovisual, e da plataforma Pharos, responsável por receber denúncias de conteúdos ilícitos na internet, para adotar medidas de bloqueio e remover resultados de busca relacionados a esse tipo de conteúdo.
Gisèle Pelicot se tornou símbolo de luta contra a violência sexual após descobrir ter sofrido abusos sistemáticos por quase dez anos. Entre 2011 e 2020, ela foi drogada pelo marido, Dominique Pelicot, e estuprada por ele e por dezenas de estranhos recrutados online.
A investigação mostra que a história de Gisèle Pelicot está longe de ser um caso isolado. A dimensão do fenômeno expõe a possibilidade de que inúmeras mulheres em todo o mundo tenham sido vítimas desse tipo de abuso sem saber.










