Falta clareza para traduzir a realidade do homem do campo, afirma especialista no Simpósio de Jornalismo

Jornalista Fernando Barros – Foto: Divulgação

Jornalista Fernando Barros – Foto: Divulgação

“Temos que traduzir a agricultura em significados para a imprensa, só assim conseguiremos levar informações corretas e relevantes para a sociedade”. Com esta afirmação, o jornalista Fernando Barros iniciou o Simpósio de Jornalismo Agropecuário, um dos eventos paralelos da 3ª Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central, realizada no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, nos dias 31 de agosto e 1° de setembro, Campo Grande/MS. Para Barros, a reputação do agronegócio está comprometida com a atuação parcial e sem apuração correta da imprensa nacional e internacional.

“É muito fácil cair na bandeira ideológica”, destacou Barros para um público de 150 pessoas, entre profissionais do agronegócio, jornalistas e acadêmicos de comunicação que tiveram a oportunidade de participar do bate papo, mediado pela jornalista Waléria Leite, com a participação do chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Cleber Oliveira Soares e do presidente da Fape-DF – Federação de Agricultura e Pecuária do Distrito Federal, Renato Simplício Lopes. Devido a imprevistos, o secretário de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, convidado para o evento, não pôde comparecer ao debate.

Com o tema ‘Comunicação, a 4ª dimensão da sustentabilidade’, Fernando Barros chamou a responsabilidade para o setor agropecuário, de oferecer informações técnicas em linguagem mais simplificada e que transmitam com mais clareza a realidade do campo. Para os profissionais de imprensa, Barros explicou que é preciso cuidado na coleta de dados, a fim de que não propagar conteúdos parciais (escutando apenas um lado). “Temos vários desafios a vencer, mas é fundamental que os jornalistas cumpram a função de aferir, monitorar e compartilhar informações que sejam reais para toda sociedade. Ao público interessa saber qual o impacto ambiental, o foco social do produto e os impactos na saúde da população”, argumentou o especialista em jornalismo agropecuário, apontando que existem grupos interessados em demonizar a imagem da agricultura e que sacralizam os animais, criando um clima de animosidade da sociedade para os produtores.

Para o presidente da Fape/DF, Renato Simplício Lopes, o setor rural é um sistema complexo composto por vários personagens, mas o principal ainda é o produtor rural. “A agricultura é a forma de relação que norteia homem e natureza, para produção de alimentos, fibras e bioenergia. Por isso é essencial que seja compreendido o quanto de recurso, tecnologia, conhecimento e mão de obra qualificada é utilizada para atender a demanda nacional e global”, pontuou.

Segundo o presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, o simpósio é uma oportunidade que profissionais da agropecuária e imprensa têm para trocar conhecimentos e esclarecer temas considerados polêmicos. “Com a presença de especialistas no assunto, os participantes têm oportunidade de aprender mais e corretamente sobre o setor agropecuário. Queremos colaborar para minimizar as distorções de informações, como por exemplo, de que o produtor degrada o meio ambiente para produzir”, ressaltou.

Participação da Imprensa – A jornalista Ana Paula Ostapenko contabiliza sete anos de experiência e há um ano é assessora da Biosul – Associação dos Bioprodutores de Energia de MS. Ela explicou que ficou interessada pelo fato de acontecer poucos eventos voltados ao jornalismo agropecuário. “São poucas as oportunidades oferecidas para os jornalistas que trabalham no setor, então fiquei animada em participar. Enquanto assessora de imprensa pude absorver dicas do palestrante de como alcançar melhor o público alvo do meu assessorado”, opinou.

O radiojornalista Luiz Roberto Alves veio de Aquidauana (MS) e uniu o útil ao agradável: fez a cobertura e participou do simpósio, pois há pouco mais de um ano está atendendo a editoria de agronegócio na Rádio Difusora AM 1340. “Tenho 25 anos dedicado ao radiojornalismo, mas ainda não tinha trabalhado diretamente com agropecuária. Confesso que gostei muito de atuar nesta editoria e por isso estou aqui hoje. Meu próximo passo é procurar um curso de especialização para aperfeiçoar meus conhecimentos”, confidenciou.

Aline Leão, especialista em Conservação e Geoprocessamento do Programa de Conservação das Savanas Centrais – Foto: Divulgação

Aline Leão, especialista em Conservação e Geoprocessamento do Programa de Conservação das Savanas Centrais – Foto: Divulgação

A especialista em Conservação e Geoprocessamento do Programa de Conservação das Savanas Centrais, uma ONG – Organização Não Governamental localizada no norte da Bahia, Aline Leão, parabenizou Fernando Barros, pela exposição e fez um depoimento aos presentes. “Gostaria de compartilhar aqui uma dificuldade que verificamos em nosso dia a dia, de que atuamos do lado contrário do agronegócio por trabalharmos em uma organização ambiental. O senhor (Fernando Barros) conseguiu apontar quais as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário e imprensa, de forma equilibrada e todos ganharam com isso”, reforçou.

Sobre a Bienal – A Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central é vitrine do agronegócio da região Centro-Oeste. Traz para discussão os temas mais emergentes do setor e já está na agenda dos principais eventos agro do País. A vitrine do agronegócio vai mostrar as potencialidades do setor no Centro-oeste, considerado o eixo do agronegócio. É realizada a cada dois anos, rotativamente nas capitais dos Estados do Centro-oeste. A primeira ocorreu em Goiânia, a segunda em Cuiabá e agora é a vez da capital sul-mato-grossense. A Bienal é organizada pelas federações de agricultura e pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Mato Grosso (Famato), Goiás (Faeg) e Distrito Federal (Fape-DF).

A Bienal tem patrocínio do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Monsanto, Bayer, Dow, Basf, Governo Federal, Caixa Econômica Federal e OCB Centro-Oeste – Organização das Cooperativas do Brasil.

O evento conta com o apoio do Governo do Estado de MS, da Aprosoja/MS, da Fundems – Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja, da Fundect – Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, da Abrass – Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja, do Sicredi e do Banco do Brasil.

Conta também com o apoio institucional do Crea/MS – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de MS, da Embrapa e da Fundação MS e é realizado em parceria com o SBA – Sistema Brasileiro do Agronegócio, com a TV Morena, com o SBA – Sistema Brasileira do Agronegócio, com a UCDB e com a Revista Granja. Para mais informações, acesse www.bienaldaagricultura.com.br ou baixe o aplicativo da Bienal da Agricultura disponível no App Store e Play Store.

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