Carros Antigos: Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD 1993, a perua do Omega

Apesar do refinamento tecnológico, espaço e conforto, a Station Wagon não teve vida longa

A Chevrolet Suprema foi lançada em abril de 1993, nove meses após a chegada do Omega e, assim como o sedã, tinha como desafio encarar os importados. Para isso, a General Motors do Brasil reforçou os mesmos predicados da bem-sucedida Caravan, só que com algumas atualizações gerais para fortalecer-se diante da concorrência. Em termos estilísticos, o desenho da traseira da Suprema, de traços retos, criava uma certa harmonia com o resto do conjunto, além de favorecer a visibilidade, sobretudo nas manobras em vagas apertadas.

Omega Suprema 3.0 CD Frente

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD | Padrão Misa

Omega Suprema 3.0 CD Traseira

Parte traseira do Chevrolet Ômega Suprema tinha em destaque seu nome e seu motor 3.0 | Padrão Misa

Encontrada pela internet a Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD 1993/1993 cor vinho (Vermelho Chipre), com opcional de câmbio automático de quatro marchas. Com alegados 135 mil km, segundo Misael Domingos da Padrão Misa a clássica perua da GM passou por um minucioso trabalho de restauração da pintura para realçar o merecido brilho, além de outros serviços de mecânica e elétrica.

Omega Suprema 3.0 CD Lateral

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD contava com 4,8 m de comprimento, 2,7 m de entre-eixos, 1,4 m de altura e 1,8 m de largura | Padrão Misa

“A Suprema estava em muito bom estado, com todos os vidros, faróis e lanternas originais, mas, para ficar perfeita, a nossa equipe fez detalhamento de cofre, restauração de rodas e toda a parte de revisão para deixá-la perfeita para o mais exigente colecionador”, reitera.

Um detalhe que chama a atenção é o glorioso acabamento aveludado dos bancos e forros de porta, que, neste clássico exemplar, encontra-se em ótimas condições. Ainda na parte interna, um opcional requisitado é o painel de instrumentos 100% digital, que Misa conferiu de perto para certificar que tudo estivesse em perfeitas condições de funcionamento. Ao lado dele, há um visor do check control com as funções como os seguintes níveis: líquido de arrefecimento, óleo do motor, reservatório de lavador de para-brisa e fluido de freio.

Omega Suprema 3.0 CD Roda

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD foi a primeira perua nacional com tração traseira | Padrão Misa

Além disso, traz aviso de luzes queimadas e desgaste de pastilhas de freio. Isso na época era surreal e não é à toa que a Suprema foi a perua mais luxuosa do Brasil. Outro detalhe é o clássico rádio toca-fitas FIC Sirrah, também utilizado no Kadett GSi. Junto a ele, na perua, há um toca-CD, devidamente revisado pela equipe da Padrão Misa.

O motor de origem alemã é o 3.0, de seis cilindros em linha, que está em pleno funcionamento e casou muito bem com a competente caixa automática de quatro trocas, que proporciona até hoje um conforto inigualável.

De série, essa Suprema CD conta com ar-condicionado com saídas para o banco traseiro, direção hidráulica, trio elétrico, regulagem elétrica dos faróis, freios ABS e computador de bordo. De opcional, além dos citados câmbio automático, painel digital e CD-player. Os únicos itens pedidos à parte que não estão no pacote são o teto-solar elétrico e os bancos em couro.

Segundo Misael Domingos, a pedida por esta relíquia, cada vez mais cultuada por colecionadores, é de R$ 160 mil, valor próximo ao de uma Chevrolet Montana Premier zero-quilômetro.

Omega Suprema 3.0 CD Banco Traseiro

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD tem banco traseiro na cor cinza | Padrão Misa

Suprema, a perua mais luxuosa do Brasil nos anos 1990

Produzida na planta de São Caetano do Sul (SP) junto ao Chevrolet Omega, a Suprema foi considerada a perua mais luxuosa e cara da década de 1990. Assim como o sedã, a versão familiar chegou inicialmente em duas versões. A primeira foi a GLS (Gran Luxo Super), que já vinha bem recheada de série com trio elétrico, direção hidráulica, ar-condicionado etc. A outra, a topo de linha CD (Confort Diamond), como esta raridade encontrada à venda, trazia os mesmos equipamentos da GLS, mais o piloto automático, toca-CDs, freios ABS, computador de bordo, entre outros mimos.

Além disso, a CD trazia motor 3.0 (importado da Alemanha) com cabeçote de ferro fundido de seis cilindros e potência de 165 cv a 5.800 rpm e torque de 23,4 kgfm a 4.200 rpm. Podia vir de série com câmbio mecânico de cinco marchas ou, opcionalmente, automático de quatro posições.

Omega Suprema 3.0 CD Motor

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD era mais potente que suas versões seguintes, de 1994 e 1995 | Padrão Misa

Durante o lançamento da perua Suprema, o jornalista Bob Sharp testou a versão CD com câmbio mecânico.

“Por herdar toda a mecânica do Omega, a Suprema passa a ser a primeira e única perua nacional com motor dianteiro, tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas… Outra herança é o sistema de freio a disco nas quatro rodas e ABS de série, no caso da versão CD testada. Ao contrário dos veículos com “tudo à frente” (motor e tração), apresenta distribuição de peso uniforme entre os eixos (52%-48% dianteiro-traseiro, vazia), o que pede freios traseiros bem eficientes, justificando plenamente o uso de discos também atrás”.

Outro ponto bastante elogiado por Bob foi a elasticidade do motor de seis cilindros, sobretudo para um modelo de peso como a Suprema.

Omega Suprema 3.0 CD Freio de Estacionamento

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD tem freio de estacionamento manual | Padrão Misa

“Em movimento ela exibe todas as características do Omega. O motor 3 litros de 165 cv, somente em versão a gasolina, acoplado à caixa manual de cinco marchas, movimenta o veículo sem esforço aparente, “limpando” o tráfego à frente com facilidade. Para ir de zero a 100 km/h foram 9,58 segundos, resultado excepcional para uma station wagon nacional luxuosa; os 1.000 metros foram alcançados, da imobilidade, em 31,5 s… A velocidade máxima da nova perua impressiona: alcançou 201,7 km/h, apesar de longe dos 210 km/h declarados pela fábrica.

Além de ágil, a Station Wagon da Chevrolet agradava pelo espaçoso porta-malas de 540 litros, sendo que, com o banco rebatido, pulava para 1.850 l. Um detalhe inédito para compensar o peso extra sobre a suspensão era o sistema pneumático, o qual funcionava por bomba auxiliar que, mesmo com o porta-malas carregado, mantinha o mesmo nivelamento da carroceria, favorecendo o conforto.

Omega Suprema 3.0 CD Porta Malas

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD pode ter bancos traseiros rebatidos para aumentar a capacidade do porta-malas | Padrão Misa

Para atender público frotista em geral, em 1994, surgiu a versão GL (Gran Luxo) para a Suprema, exclusivamente com motor 2.0 a álcool (etanol). Ela rendia bons 130 cv a 5.400 rpm de potência e 18,6 kgfm a 4.000 rpm de torque, sempre com câmbio manual de cinco trocas. Entre as diferenças, não dispunha de rodas de alumínio e frisos cromados nos para-choques. Internamente, o acabamento demonstrava um certo esquecimento nos detalhes, como, por exemplo, a ausência de um relógio digital, conta-giros e um acabamento mais caprichado no forro das portas. Atualmente é a configuração mais rara de se achar hoje em dia.

Omega Suprema 3.0 CD Frente

Chevrolet Omega Suprema 3.0 CD tinha de série regulagem elétrica dos faróis | Padrão Misa

Em 1995, a perua absoluta passou a contar com algumas mudanças. A estreia ficou com o motor 2.2 (uma evolução do antigo 2.0, graças ao aumento no curso dos pistões de 86 para 94,6 mm) que manteve os mesmos 116 cv, mas ganhou em torque: de 20,1 kgfm ante os 17,3 kgfm, nas mesmas 2.800 rpm.

Na ala dos seis em linha, o 4.1 (Powertech) nacional substituiu o propulsor alemão 3.0. Nada mais era que o ressurgimento do famoso 4.1/S do Opala, só que com algumas atualizações nos sistemas de alimentação e injeção. Na prática, os três cavalos a mais – 168 cv ante os 165 cv – não renderam em agilidade. Já em torque, o resultado era satisfatório com o aumento para 29,1 kgfm a partir das 3.500 rpm (o antigo tinha 23,4 kgfm a 4.200 rpm).

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Em 1996, logo depois de acumular pouco mais de 12.200 unidades, a Chevrolet Suprema deixava de ser fabricada, deixando uma legião de fãs por todo o Brasil por sua excelência e sofisticação acima da média.

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