Renault Kwid elétrico é tão lento que não consegue ser multado por radares em estradas

Compacto vendido na Europa pela Dacia leva quase 20 segundos para chegar aos 100 km/h

Renault Kwid Spring EV Elétrico

Foto: Divulgação

Ninguém esperava que o Dacia Spring, versão elétrica do Renault Kwid, teria um desempenho surpreendente. Afinal, seu motor tem meros 45 cv, ainda que o torque de 12,7 kgfm supere a maioria dos 1.0 aspirados disponíveis no mercado. Mas os números divulgados pela divisão romena da marca são ainda menos empolgantes. A boa notícia é que, a bordo do hatch, seria virtualmente impossível você ser multado por excesso de velocidade em várias estradas brasileiras.

Segundo a Dacia, o Spring demora 19,1 segundos para chegar aos 100 km/h. Nem o Fiat Grand Siena com GNV, carro mais lento avaliado em 2020, demora tanto para cumprir a prova. A velocidade máxima? 125 km/h.

Você pode pontuar, com razão, que nenhuma estrada brasileira possui limite de velocidade maior que 120 km/h. Só que, pela legislação, os radares têm uma tolerância de 7 km/h (até 100 km/h) ou 7% (acima de 100 km/h) para determinar a velocidade real do veículo. Então, mesmo que você “desse VDO”, como diriam os mais experientes, a multa nunca chegaria. Sua maior chance de ser flagrado pelos radares seria contar com uma bela descida pela frente e uma boa dose de coragem (e irresponsabilidade).

Renault Kwid Spring EV Elétrico

O Spring não passa dos 125 km/h de velocidade máxima (Foto: Divulgação)

No entanto, a fábula da tartaruga e da lebre nos ensinou que ir devagar pode ser a melhor estratégia. Por isso o Spring é capaz de ter uma autonomia urbana de bons 305 km, enquanto o índice pelo padrão WLTP é de 230 km – tudo isso com uma bateria de meros 27 kWh. Como referência, isso é pouco mais que o dobro do acumulador de um Volvo XC90 T8, que nem elétrico é.

Renault Kwid Spring EV Elétrico

A maior mudança no interior do Kwid elétrico está no quadro de instrumentos parcialmente digital (Foto: Divulgação)

Um dos truques para isso é que o Kwid elétrico pesa meros 970 kg, comparável à maioria dos hatches compactos convencionais. Para se ter uma ideia, só as baterias de um Audi e-tron pesam 700 kg, praticamente a mesma massa de um Kwid convencional.

Renault Kwid Spring EV Elétrico

Como no Up!, atrás há espaço para somente duas pessoas, o que ajuda a limitar a carga máxima, também (Foto: Divulgação)

As baterias pequenas também encurtam o tempo de recarga, que leva 10 horas em uma tomada de 220V convencional – quatro vezes mais rápido do que um Porsche Taycan no mesmo tipo de carregador. Em aparelhos do tipo Wallbox o tempo cai para 4,5 horas.

Renault Kwid Spring EV Elétrico

Em aparelhos Wallbox o tempo de recarga é de 4,5 horas (Foto: Divulgação)

Por enquanto o Kwid elétrico está restrito somente a alguns mercados da Ásia e Europa. Sua eventual venda por aqui obrigatoriamente dependeria da produção local de parte dos componentes eletrônicos, e mesmo assim dificilmente ele se manteria abaixo dos R$ 100 mil – um valor surreal para o carro que atualmente disputa o título de mais barato (ou melhor, menos caro) carro do Brasil.

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