Líderes mundiais não conseguem resolver crise do plástico, diz WWF

Foto: Divulgação

Gland (Suíça) – Líderes mundiais fracassaram em seu dever de tomar medidas sobre a crescente crise da poluição por plásticos, disse o WWF hoje, durante a Quarta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), realizada em Nairóbi, no Quênia, que termina sem decisões políticas significativas sobre o combate à poluição por plásticos marinhos.

Uma resolução aprovada por líderes globais na reunião da UNEA-4  o mais elevado órgão de decisão sobre o meio ambientefalhou em iniciar o processo de estabelecer um acordo global e juridicamente vinculante sobre poluição marinha, uma solução defendida pelo WWF. Este resultado veio apesar de um grande número de países reconhecer a necessidade de avançar para um acordo globalmente vinculante.

“Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos todos os anos, o que pode chegar a 300 milhões de toneladas até 2030. Hoje, os governos falharam ao não tomarem ações de combate à poluição plástica. A UNEA-4 foi uma oportunidade para os líderes mundiais assumirem compromissos sérios e tangíveis e prometerem combater essa crise global. Isso é altamente decepcionante e coloca em questão a capacidade dos líderes políticos de ouvir a estrondosa demanda por ação de seus cidadãos”, disse Marco Lambertini, diretor geral do WWF International. “Precisamos urgentemente de soluções abrangentes que reflitam a natureza local-global e sistêmica desse problema. Um acordo global é fundamental para a criação de uma abordagem equitativa que permita aos governos e às empresas contribuir para uma visão comum e um conjunto de metas, e atribuir responsabilidades para interromper o despejo de plástico em nossos oceanos. Esta crise não pode esperar outros dois anos para a próxima rodada de conversações da UNEA. Estamos pedindo a todos os países que querem o fim deste problema que usem esse resultado decepcionante para acelerar seu trabalho em direção a um acordo global vinculativo sobre poluição marinha por plástico”.

Um relatório do WWF lançado na semana passada alertou que sem uma mudança drástica na abordagem, a situação continuará a piorar, com 104 milhões de toneladas de plástico em risco de chegar nos ecossistemas naturais do planeta até 2030. “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização”, descobriu que os consumidores e a indústria de gestão de resíduos têm muita responsabilidade pela redução da poluição por plásticos. O relatório defende um acordo global que responsabilize governos e empresas pelo custo real dos plásticos para a natureza e para as pessoas.

O WWF defende um tratado que estabeleça metas nacionais e relatórios transparentes que se estendam às empresas. Além disso, qualquer tratado deve fornecer apoio financeiro e técnico para que países de baixa renda possam aumentar sua capacidade de gestão de resíduos.

Mais de 300,000 pessoas assinaram a uma petição global pedindo a um acordo juridicamente vinculantesobre a poluição marinha por plásticos.

Notas

1) Como o órgão de decisão mais elevado do mundo em questões ambientais, a UNEA é uma oportunidade para fortalecer as políticas internacionais para enfrentar desafios que são algumas das principais razões para a perda da biodiversidade: Produção de alimentos; destruição das florestas e poluição por plásticos. Nessas áreas, o WWF pretende impulsionar a mudança, empurrando para além das abordagens tradicionais, e elevar a ambição dos países em direção ao objetivo final de parar e reverter a perda da natureza.

2) “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização” foi desenvolvido em parceria com a Dalberg. Para o download do documento acesse: http://bit.ly/2XYokW6
3) A UNEA-4 também aprovou uma resolução sobre plástico descartável. Com 40% dos plásticos feitos de itens de uso único que têm uma vida útil de um ano, as medidas recomendadas na UNEA-4 ajudam a resolver isso, mas não cobrirão a questão sistêmica da produção e consumo global de plástico.

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