Novo BYD Song Pro híbrido flex será lançado com fabricação totalmente nacional

Galpões de pintura, solda e estamparia da fábrica de Camaçari (BA) devem ser inaugurados em julho; além do SUV, King e Dolphin Mini serão produzidos no local até o fim do ano

O novo BYD Song Pro já havia sido mostrado pela marca chinesa em outubro passado, inclusive com a confirmação de estreia do conjunto híbrido flex e a montagem na fábrica de Camaçari (BA). Agora, há mais detalhes sobre a chegada do modelo. O lançamento será no segundo semestre. A razão é que o SUV será, junto com Dolphin Mini e King, o responsável por iniciar a produção completa na unidade baiana.

BYD Song Pro 2026

BYD Song Pro 2026 | Divulgação/BYD

A informação foi confirmada pelo vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, em visita às instalações da marca na Bahia. De acordo com o executivo, a produção completa – já com solda e pintura feitas no Brasil – tem previsão de início em julho, mesmo que em fase de testes.

Fábrica BYD

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) já monta o facelift do Song Pro | Divulgação/BYD

Outra explicação para a chegada em alguns meses é que há uma série de kits de montagem do Song Pro atual em Camaçari. No dia da visita à fábrica, as linhas estavam produzindo apenas o SUV. Veja mais abaixo detalhes sobre o funcionamento do local.

Voltando ao novo Song Pro, a versão atualizada, que será lançada já como linha 2027, tem frente redesenhada, fiel à filosofia Dragon Face (a mesma dos lançamentos mais recentes da BYD). Destaque para os faróis afilados e, agora, interligados por barra horizontal cromada. Além disso, o modelo tem novo para-choque dianteiro, nova grelha inferior e entradas de ar distintas. É bem semelhante ao BYD Tan.

As rodas foram redesenhadas, como dá para notar nas imagens. No entanto, na traseira não temos quaisquer mudanças drásticas. Em termos de dimensões, o Song Pro reestilizado tem 4,73 metros de comprimento, 1,86 m de largura e 1,71 m de largura, além de 2,71 m de distância entre-eixos. São 3 mm a menos que o modelo vendido no Brasil. Os ângulos de entrada e saída são 18 e 22 graus, respectivamente.

Carro da BYD

Novo motor híbrido flex utilizará o sistema atual como base | Divulgação

Mesmo com a confirmação da versão flex do Song Pro, não há novas informações sobre o conjunto mecânico. A base será a mesma da configuração apenas a gasolina. Estamos falando do motor 1.5 aspirado de 110 cv, aliado a uma máquina elétrica. Combinados, entregam 223 cv ou 235 cv, dependendo da versão. Não deve haver mudanças de potência com etanol. A bateria de 18,3 kWh também deve ser mantida.

Fábrica

Fábrica BYD

Galpão de pintura, solda e estamparia está em construção | Divulgação/BYD

Para que o Song Pro e qualquer outro BYD nacional tenha produção completa, é preciso que a fábrica fique pronta. Atualmente, os galpões que vão abrigar os processos de pintura, solda e estamparia estão em construção, com 70% das obras finalizadas. É possível ver a estrutura metálica ganhar forma no terreno, inclusive com algumas áreas já cobertas.

Também é preciso lembrar que as obras de construção de outros galpões só foram retomadas em julho de 2025, após os ajustes feitos pela BYD relacionados à denúncia de trabalho análogo à escravidão pela empreiteira chinesa contratada pela fabricante.

Ou seja, em menos de sete meses, toda a fundação foi preparada e boa parte dos galpões dos novos processos foram concluídos.

Fábrica BYD

O outro galpão de Camaçari, inaugurado no ano passado, já está operando | Divulgação/BYD

Enquanto as obras não são finalizadas, um outro galpão, este com cerca de 160 mil m², inaugurado em outubro passado, segue montando carros no regime SKD (semi knocked-down), que representa um nível básico de manufatura. Os veículos chegam já pintados, com portas, vidros e interior montados. Resta aos funcionários a montagem de rodas, pneus, suspensão, além do casamento de conjunto mecânico, bateria com o restante do monobloco.

Por enquanto, apenas um turno está operando na montagem. O segundo está em fase de experimentação e deve começar nos próximos meses. Ao todo, 2,3 mil pessoas trabalham no local. Há ainda outros 2,5 mil funcionários divididos entre terceirizados e empregados da construção. Todos os dias, 420 unidades prontas saem do local em direção aos pátios, também recém-construídos. Mesmo fora do galpão já pronto, o aspecto ainda é de obra inacabada, com canteiros e muita poeira.

Polêmicas

Fábrica BYD

Vice-presidente da BYD almeja 50% de índice de nacionalização até 2027 | Divulgação/BYD

Na entrevista, Baldy garantiu que, quando as próximas etapas produtivas estiverem prontas, não haverá mais montagem em SKD de nenhum modelo. A promessa é ter 50% de índice de nacionalização até 2027, e elevar a porcentagem progressivamente até o final da década, quando haverá, inclusive, montagem de baterias no local. “Já temos cerca de 200 fornecedores homologados”, afirmou o executivo.

A transição de SKD para a produção plena tem sido causa de polêmica. Recentemente, a BYD solicitou prorrogação do prazo de redução de impostos para esse tipo de prática no Brasil. O pedido foi parcialmente aceito, com a redução do imposto com cotas até 31 de janeiro. Desde o início de fevereiro, a alíquota é integral.

A Anfavea (associação das fabricantes) foi contra a decisão e postou um manifesto a respeito. Curiosamente, A Chevrolet, uma das associadas, iniciou em dezembro a montagem em SKD do chinês Spark em Horizonte, em outra fábrica que pertencia a Ford (também associada da Anfavea). A Leapmotor, que faz parte da Stellantis, vai montar veículos em Goiana (PE) em estilo KD, seja CKD, quando há mais etapas fabris, ou SKD, similar à prática da BYD.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo