A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsabilizou o ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto por inação ao falar sobre a operação da Polícia Federal (PF) que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4). Foi a primeira manifestação pública do governo sobre o caso.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann | Divulgação/José Cruz/Agência Brasil
A terceira fase da operação Compliance Zero mirou, além de Vorcaro, no ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Souza e no ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Bellini Santana.
A PF diz que a dupla vazava informações internas da autoridade monetária para o dono do Master, além de revisar minutas de ofícios e documentos que o próprio banco enviaria ao BC, sugerindo alterações e ajustes antes da formalização. Ambos trabalharam no mandato de Campos Neto.
“Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, ironizou Gleisi pelas redes sociais.
A ministra também falou sobre o grupo encontrado no celular periciado do banqueiro, intitulado “A Turma”.
O grupo reunia Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, um policial federal aposentado, um homem com o codinome “Sicário” e outras pessoas próximas ao banqueiro. A PF diz que, nas conversas, eram discutidas ações de coação contra opositores aos interesses de Vorcaro, entre eles jornalistas e ex-funcionários.
Ela também usou o episódio para provocar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por usar um jatinho particular de uma das empresas de Vorcaro durante a campanha de 2022.
“Essa ‘Turma’ dos amigos de Nikolas espionava autoridades, invadia bancos de dados do Ministério Público e da Polícia Federal, organizava ataques a desafetos de Vorcaro e até contra jornalistas. E a Turma da extrema-direita, de Bolsonaro e Nikolas, ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros”, afirmou.










