No último dia 5, começaram as obras de construção da sede da Embrapa Maranhão em uma área de 23 hectares do campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís (MA), doada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A área construída será de 1,1 hectare, somando a área da Unidade e do campo experimental, a um custo de R$ 43,9 milhões, vindos de recursos do Novo Plano de Aceleração e Crescimento (PAC). O governo do Maranhão e a bancada federal do estado aportaram, respectivamente, R$ 10 milhões e R$ 5 milhões. A obra deve ser entregue em até 24 meses, considerando que o projeto da obra foi desenhado para exigir menor complexidade estrutural.

Foto: PJJ Malucelli Arquitetura & Engenharia / Projeto da sede da Embrapa Maranhão
A Alcance Engenharia e Construção, sediada em Teófilo Otoni (MG), disputou com mais 22 empresas e saiu vencedora da licitação. Fazem parte de seu portfólio a construção de laboratórios da Universidade Federal de Viçosa (UFV), edificações de expansão da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bem como a construção da nova sede do Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza.
Marcos Rafael Xavier, engenheiro civil da Embrapa designado gestor do contrato, diz que o planejamento da nova sede da Embrapa Maranhão nasceu da busca criteriosa pela área ideal que pudesse abrigar, com adequação e visão de longo prazo, as atividades do centro de pesquisa. As contratações dos projetos de arquitetura e engenharia e, posteriormente, da execução da obra, se apoiaram em experiências recentes e bem-sucedidas de outras Unidades da Embrapa, como a Embrapa Alimentos e Territórios (AL), incorporando práticas mais modernas e eficazes de gestão pública.
Nesse caminho, houve uma prioridade clara pela qualificação técnica e pela capacidade de entrega dos parceiros, superando a lógica restritiva do menor preço, que muitas vezes não representa a melhor contratação, nem a melhor relação entre custo, prazo e desempenho. Isso permitiu contar com empresas com experiência comprovada em obras relevantes, como a construtora Alcance, que tem atuado em projetos para entes públicos e privados em diferentes regiões do País nas últimas décadas.
“Do ponto de vista técnico, especialmente na engenharia, tenho convicção de que o curso das ações está ocorrendo da melhor maneira possível. A expectativa é que a nova sede resulte em uma estrutura moderna e funcional, com soluções construtivas alinhadas às premissas de robustez, durabilidade e economicidade de operação e manutenção previstas nos normativos internos da Embrapa e, ao mesmo tempo, conectadas às condições sociais e geográficas do Maranhão. Por ser a primeira Unidade da Embrapa no estado, a obra também carrega um significado institucional especial. A minha expectativa é que se consolide uma base sólida para pesquisa, inovação e presença territorial de longo prazo no Maranhão”.
Para Beatriz Lorentz, supervisora de Engenharia e Arquitetura, a contratação da obra da nova sede representa o encerramento de um ciclo construído com muito empenho e, ao mesmo tempo, o início de uma nova etapa. “Chegar a esse momento exigiu um trabalho coletivo intenso, marcado pela cooperação, pelo diálogo técnico e pelo comprometimento de todos os envolvidos. Esse percurso só foi possível graças ao engajamento da própria UD, que participou ativamente da definição das necessidades e das diretrizes do empreendimento, bem como à parceria com a PJJ, empresa responsável pela elaboração dos projetos de arquitetura e engenharia, cujo papel foi fundamental para transformar demandas institucionais em soluções técnicas consistentes e viáveis”.
Ela destacou, de forma especial, a atuação da arquiteta Francesca Azevedo e do engenheiro Flávio Sousa, profissionais vinculados à Supervisão de Engenharia e Arquitetura da Embrapa, que contribuíram de maneira decisiva para a qualidade dos projetos executados e para a condução segura do processo como um todo. “O trabalho desenvolvido até aqui reflete dedicação, responsabilidade técnica e espírito colaborativo. A expectativa é de que a empresa seja uma parceira fundamental para transformar o projeto em um espaço funcional, seguro e adequado às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Unidade”, completou.
Segundo Deziron Schroder, engenheiro civil da Embrapa Maranhão, que vai acompanhar a obra, nessa fase inicial estão sendo feitos os serviços preparatórios, como limpeza do terreno e construção do canteiro de obra. Também está sendo viabilizada a infraestrutura, incluindo ligação de energia e outras providências necessárias à construção.
A construção da sede definitiva da Embrapa Maranhão terá laboratórios com capacidade de determinar carbono e gases de efeito estufa, avaliação de alimentos para nutrição animal e humana, planta piloto para desenvolvimento de novos alimentos, microbiologia para suporte à área de alimentos quando para prospecção de biológicos de interesse agrícola, química vegetal, além de uma estrutura inovadora de living lab para cocriação e desenvolvimento de inovações sociais. Para isso, pesquisadores, analistas, técnicos e assistentes das áreas de produção animal e vegetal, além de engenheiros químicos e de alimentos, microbiologistas, especialistas em avaliação de serviços ecossistêmicos, inovação social, dentre outros estão sendo contratados.
O chefe-adjunto de Administração, Allyson Veras, enfatiza a liderança do colegiado de gestão na negociação com a alta gestão da Embrapa no processo de assegurar o quadro de vagas da Unidade e definição dos perfis a serem contratados no último concurso. Destaca a atuação da equipe de planejamento/contratação da obra e evidencia o trabalho colaborativo do time da Embrapa Maranhão e da Sede, em especial dos engenheiros (incluindo profissionais das UDs) e da equipe do PAC e da Diretoria-Executiva, que priorizaram a construção da Embrapa Maranhão, e da Assessoria Jurídica (AJU), que contribuiu para que o processo se concluísse em tempo hábil.
“Todos se envolveram na materialização desse projeto, que mostrou uma capacidade de mobilização e entrega sem igual. Outro processo denso foi a definição do enxoval da nova Unidade, ou seja, a definição dos equipamentos e implementos agrícolas, que contou com apoio da equipe técnica local e viagens a outras UDs. Ver o início desta obra é testemunhar a transformação de um sonho em realidade. Por muitos anos sonhamos com um espaço que reunisse ciência, inovação e compromisso com o desenvolvimento do Maranhão”.
Mudança construída a várias mãos
Desde 2023 a Embrapa Maranhão vem sendo desenhada, com a elaboração de diagnósticos que norteiam a sua atuação. O planejamento estratégico definiu três pilares de contribuição para superar os desafios da produção sustentável e inclusiva dessa região de transição agrícola: sistemas de produção integrados, bioeconomia e economia verde e inovação social. Com esses temas transversais, a Unidade entrega valor tanto para a agricultura familiar quanto para a agricultura de escala. Os três eixos orientam os temas de pesquisa e o perfil dos profissionais oriundos do concurso público, bem como a infraestrutura da nova sede.
Esses focos foram definidos a partir de uma ampla discussão com todos os empregados da Unidade, de maneira colaborativa, incluindo expertises da Rede Embrapa e instituições de pesquisa, parceiros públicos e privados (setor produtivo), sempre com foco na inovação tecnológica atrelada à inovação aberta (cocriação de soluções em parceria com clientes) e social (cocriação de soluções para resolver necessidades e problemas sociais).
O chefe-geral da UD, Marco Bomfim, destaca a conclusão de um ciclo de estruturação da Unidade, criada em 2009, para preencher lacunas de pesquisa em uma região que abriga não só a grande fronteira agrícola do país, o Matopiba, mas também um dos estados de maior população rural e uma agricultura familiar bastante representativa, além da segunda maior população da Amazônia Legal, mas com os maiores índices de pobreza rural e de menor índice de desenvolvimento humano (IDH) do País.
“Os desafios de produção sustentável e da inclusão socioprodutiva estão na pauta da sociedade e serão prioridade Unidade. O Governo do Estado do Maranhão e a Bancada Federal aportaram, respectivamente, 10 milhões e 5 milhões de recursos para infraestrutura (aquisição de equipamentos e construção) do projeto da Embrapa Maranhão“, destaca o gestor.
Para a diretora de Governança e Informação, Selma Beltrão, o início das obras é um marco para a consolidação da Embrapa Maranhão e os recursos do Novo PAC, destinados à construção da sede definitiva da Unidade, representam o reconhecimento do Governo Federal à relevância estratégica da Embrapa no estado. “Esse é um momento de avivar memórias sobre o passado que propiciou chegar até aqui, por isso, é fundamental lembrarmos da contribuição de todos que passaram e estão atualmente na Unidade, assim como aqueles que estão chegando, e que somarão os esforços para concretização dessa realidade“, afirmou.
De acordo com o diretor geral do IFMA – Campus Maracanã, Jeovani Machado Rodrigues, a construção da sede da Embrapa Maranhão representa um marco institucional de relevância para o Estado do Maranhão. “Trata-se da materialização de uma parceria estratégica entre instituições que compartilham objetivos no âmbito da pesquisa científica, da extensão tecnológica e do desenvolvimento social, em especial as demandas do território maranhense. A integração de competências, infraestruturas e saberes fortalece a capacidade de geração de conhecimento aplicado, inovação e soluções sustentáveis voltadas às realidades locais. O início das obras simboliza oportunidades singulares para ampliar o impacto das ações conjuntas, promovendo avanços consistentes para o campo e para as populações rurais, com foco no desenvolvimento produtivo, social e ambiental, beneficiando o homem e a mulher do campo.
Desafios
A Embrapa Maranhão foi criada com o nome de Embrapa Cocais e com a missão de viabilizar soluções de PD&I para a sustentabilidade da agricultura nos ambientes de cocais e planícies inundáveis, com ênfase no segmento da agricultura familiar.
A mata dos Cocais e as planícies inundáveis maranhenses (Baixada Maranhense) correspondem a cerca de 50% da área do estado, nas áreas dos biomas Cerrados e Amazônia, assim como suas transições. Embora sejam ecossistemas especiais, apresentam os mesmos desafios de produção sustentável e inclusão socioprodutiva que outras regiões do estado, dentro dos mesmos biomas.
Por essa razão, desde o primeiro momento, a Unidade foi chamada a atender às demandas não somente dessas regiões, mas de todo o Maranhão, embarcando tecnologias na política pública, bem como na parceria com outros parceiros do sistema maranhense de pesquisa agropecuária.
Além disso, desenvolveu conhecimentos para apoiar a agricultura no sul do estado, pertencente à região do Matopiba, mais nova fronteira agrícola do País. Desde sua criação, assumiu a gestão da UEP de Balsas para apoiar a sojicultura no Matopiba maranhense, que planta atualmente mais de 1 milhão de hectares de soja, além de outros grãos como milho e algodão.
O plano de trabalho aprovado pela Diretoria reforçou a atuação mais abrangente no estado e, particularmente, na região do Matopiba, a partir da UEP de Balsas. Na UEP de Balsas, por exemplo, foi formado o Hub Matopiba com outras onze Unidades, para que os desafios de produção nessa área sejam contemplados de forma corporativa.
O Hub Matopiba é um projeto inovador para a agricultura do Brasil, a ser realizado em parceria com o setor produtivo, instituições públicas e privadas, de forma alinhada e articulada. Na convocação do novo concurso, 11 colaboradores lotados nessas 11 diferentes UDs estão sendo chamados para unir esforços no fortalecimento do HUB Matopiba e mais 5 colaboradores lotados na Embrapa Maranhão, somando 16 novos empregados.










