Milhões de brasileiros estão acompanhando a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos. Para muitos, a viagem termina com o voo de volta ao Brasil.
Para outros, ela desperta uma pergunta que pode mudar completamente seus planos: seria possível transformar alguns dias como turista em uma vida no país?

Imagem: IA
A resposta é sim. Mas, segundo o Dr. Vinícius Bicalho, advogado licenciado nos Estados Unidos e CEO da Bicalho Consultoria Legal, o caminho passa necessariamente pelo planejamento e pelo cumprimento das regras migratórias.
“A Copa pode despertar o interesse por morar, estudar, investir ou trabalhar nos Estados Unidos. Mas uma coisa é visitar o país como turista. Outra, completamente diferente, é construir um projeto migratório de forma legal e segura”, afirma.
Realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, a Copa do Mundo colocou a América do Norte no centro das atenções de torcedores do mundo inteiro. No caso dos brasileiros, a experiência muitas vezes vai além do futebol. Durante a viagem, muitos conhecem cidades, universidades, empresas, oportunidades de negócios e um estilo de vida que desperta o desejo de permanecer ou de voltar ao país futuramente.
É justamente nesse momento que, segundo o especialista, começa uma nova etapa.
“O jogo termina em 90 minutos. Um erro no processo de imigração pode custar anos. A decisão de permanecer nos Estados Unidos não pode nascer apenas do entusiasmo da viagem”, alerta.
Turismo não é autorização para trabalhar
Um dos equívocos mais comuns, segundo o advogado, é acreditar que entrar legalmente nos Estados Unidos significa estar autorizado a desenvolver qualquer atividade no país.
O visto de turismo ou negócios permite determinadas finalidades, como lazer, reuniões, participação em eventos e outras atividades compatíveis com essa categoria. Trabalhar nos Estados Unidos exige autorização específica.
“Entrar legalmente não significa poder fazer qualquer coisa. O turista precisa respeitar exatamente os limites do visto que recebeu. Trabalhar sem autorização, permanecer além do prazo permitido ou tentar improvisar uma mudança de vida pode comprometer projetos futuros”, explica.
Segundo ele, não há problema em voltar da Copa com vontade de morar nos Estados Unidos. O erro está em tentar transformar esse desejo em uma decisão precipitada.
O entusiasmo da viagem não substitui planejamento
Para o Dr. Vinícius, a Copa pode funcionar como um grande ponto de partida para quem já pensava em uma experiência internacional ou descobre durante a viagem novas possibilidades profissionais e pessoais.
Mas qualquer projeto migratório deve começar com uma análise individual.
Entre os principais pontos avaliados estão:
- Perfil profissional;
- Histórico acadêmico;
- Experiência na carreira;
- Objetivo da mudança;
- Categoria de visto mais adequada;
- Documentação necessária;
- Estratégia jurídica para o processo.
“Cada caso é um caso. A categoria correta para um empresário pode não servir para um médico. O caminho de um estudante não é o mesmo de um executivo. E o que funcionou para um amigo pode ser completamente inadequado para outra pessoa”, afirma.
Construir uma vida nos EUA exige base legal
O advogado lembra que existem caminhos legais para quem deseja estudar, trabalhar, investir ou construir carreira nos Estados Unidos. O ponto central é identificar qual categoria se encaixa melhor na realidade de cada pessoa e preparar o processo de forma consistente.
“Os Estados Unidos continuam oferecendo oportunidades para profissionais qualificados, empresários, investidores e estudantes. Mas o processo precisa ser construído com documentação, coerência e respeito às leis migratórias. Não se trata de encontrar um atalho. Trata-se de escolher o caminho correto”, diz.
Segundo ele, a análise deve considerar não apenas o desejo de viver no país, mas também a viabilidade jurídica da permanência.
“Imigração não é uma decisão emocional. É uma decisão estratégica. A pessoa pode se encantar com os Estados Unidos durante a Copa, mas precisa entender que o sistema migratório americano funciona com critérios, provas e limites legais”, completa.
Depois da Copa, começa outra partida
À medida que o torneio se aproxima da reta final, milhares de brasileiros continuarão circulando por cidades americanas. Para muitos, a viagem terminará quando a bola parar de rolar. Para outros, ela poderá representar o início de um novo projeto de vida.
O alerta do especialista é que esse interesse pode ser extremamente positivo, desde que seja conduzido da forma correta.
“A Copa pode ser o primeiro contato de muita gente com uma realidade possível. Mas o projeto de imigração começa quando a pessoa troca a emoção pelo planejamento. Quem quer construir uma vida nos Estados Unidos precisa entender que existe um caminho legal para isso. E esse caminho começa muito antes do embarque definitivo”, afirma.
Buscar orientação antes de tomar qualquer decisão faz toda a diferença.
“No futebol, uma decisão errada pode eliminar uma seleção. Na imigração, uma decisão errada pode fechar portas por muito tempo. Por isso, planejamento não é detalhe. É parte essencial do processo”, conclui Dr. Vinícius Bicalho.










