‘O Velho Carro de Bois, novo livro de Edilson Santana

O Velho Carro de Bois (Cinco Movimentos de um Sertão Explorado) é o novo livro de Edilson Santana, obra que acabo de receber deste ilustre escritor e filósofo cearense, autor de vasta produção que une poesia, espiritualidade e filosofia, também Promotor de Justiça, residente na capital alencarina.

Capa do livro e o autor Edilson Santana – Foto: Divulgação

Com apresentação de Fabrício de Maicy e prefácio de Célia de Jesus Magalhães, e chancelado pela Editora Appris, enfeixado em 180 páginas, o livro é escrito em abalizados versos e em prosa poética, expressando engajamento e sensibilidade do autor, que assim resume esta sua emblemática publicação: “este livro é um eco de muitas vozes que ainda ressoam pelo Sertão do Brasil. Vozes de homens e mulheres que, entre o pó da estrada e o suor da lida, forjaram uma história de luta, dor e esperança. O carro de bois, símbolo que atravessa estas páginas, não carrega apenas a carga física: leva o peso de um tempo que teima em permanecer vivo, rangendo entre os sulcos da terra e da memória”.

Com desvelo, Edilson Santana – nesse seu livro “O Velho Carro de Bois” – convoca os leitores para uma viagem que transcende o tempo e o espaço, transbordando autenticidade na linguagem que, em movimentos genuínos da essência, flui da alma com força telúrica, resiliência e dignidade.

Nas (das) páginas desta reflexiva travessia, ecoam pulsações que simbolizam: o sulco da escravidão / estrada da dor (“a madeira estala como se falasse em nome dos que já tombaram sob o sol, e o suor derramado não se evapora…”); a voz que brota do pó / o canta da terra (“na enxada ensanguentada, germina uma canção simples que acende o sonho de dias melhores”); a máquina que devora vidas / as engrenagens do poder (“a fala do ‘sinhô’ sufoca o ouro da oralidade popular, transformando o saber em servidão… no entanto a memória resiste: o boi grita, o povo responde…”); a elegia do sertão ferido (“tudo se tornou uma oração muda ao que se foi. A dor permanece, mas sem alarde – apenas insiste, profunda, como uma raiz enterrada”); e a roda que rompe o silêncio / a voz da roda (“sou eu quem leva ao tronco do suplício / a carga amarga que a cobiça faz. / Na minha roda gira o sacrifício, / no meu rangido dorme a velha paz!”).

Este ‘Carro de Bois’ (de Edilson Santana) não apenas percorre contemplativamente a geografia do Sertão e as veredas do chão da história/memória, mas sim desbrava novos caminhos da cultura, força social e resistência.

Vale a pena conferir!

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*Rubenio Marcelo (Colunista desta página) é poeta, escritor, ensaísta e compositor, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, autor de várias obras publicadas, inclusive o livro ‘Vias do Infinito Ser’: indicado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) como leitura obrigatória para os seus recentes Vestibulares (triênio 2021/22/23) e PASSE UFMS 2024/25.

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