Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, especialistas fazem um importante alerta: cerca de 15% das gestantes brasileiras consomem bebidas alcoólicas durante a gravidez, expondo seus bebês ao risco da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), uma condição irreversível que pode causar malformações, alterações neurológicas e dificuldades de aprendizagem ao longo de toda a vida.

Crédito: iStock/Cortesia
A SAF ocorre quando o feto é exposto ao álcool consumido pela mãe durante a gestação. A condição pode provocar alterações físicas, neurológicas, comportamentais e de aprendizagem, muitas vezes acompanhando a criança por toda a vida.
Apesar dos riscos conhecidos, estima-se que cerca de 15% das gestantes brasileiras consumam bebidas alcoólicas durante a gravidez, o que representa mais de 450 mil mulheres por ano. Por isso, além de informar, a campanha busca mobilizar a sociedade para apoiar as mulheres durante a gestação. A recomendação é que familiares e amigos também participem desse cuidado, oferecendo alternativas sem álcool em encontros e celebrações.
“A gestação é um período em que o apoio da família e do círculo social faz toda a diferença. Pequenos gestos, como optar por bebidas sem álcool em comemorações, ajudam a criar um ambiente de acolhimento e proteção para a gestante e para o bebê”, afirma Sara Machado de Assis, gestora do Instituto OMP.
O que toda gestante precisa saber
- Não existe dose segura: qualquer quantidade de álcool pode atravessar a placenta e atingir o feto.
- A Síndrome Alcoólica Fetal não tem cura: os danos provocados pela exposição ao álcool podem ser permanentes.
- As consequências podem ser diversas: malformações faciais, problemas cardíacos, alterações neurológicas, dificuldades de aprendizagem e de comportamento.
- Muitos casos não são diagnosticados: estima-se que menos de 1% das crianças afetadas recebam diagnóstico adequado.
- A prevenção é simples e eficaz: a única forma de evitar a SAF é não consumir bebidas alcoólicas durante toda a gestação.
SAF no Brasil
O Brasil ainda não possui dados oficiais consolidados sobre a incidência da Síndrome Alcoólica Fetal. No entanto, um estudo realizado na periferia de São Paulo identificou 38 casos a cada 1.000 nascidos vivos com algum transtorno relacionado à exposição ao álcool durante a gestação.
Especialistas acreditam que esse número pode ser ainda maior, já que menos de 1% das crianças afetadas recebem diagnóstico adequado.
Os riscos da SAF
Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Rosiane Mattar, diretora científica da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), não existe nível seguro de consumo de álcool durante a gravidez.
“Beber durante a gestação pode aumentar em até 65 vezes o risco de alterações no desenvolvimento do feto. Por isso, a recomendação médica é clara: não consumir qualquer tipo ou quantidade de bebida alcoólica ao longo de toda a gravidez”, explica.
A exposição ao álcool pode provocar uma série de alterações no bebê, incluindo malformações faciais, cardíacas, renais e neurológicas, além de restrições no crescimento e problemas de visão, audição e desenvolvimento cognitivo.
“O diagnóstico precoce e o início do acompanhamento ainda na primeira infância podem amenizar algumas manifestações, mas os danos provocados pela exposição ao álcool são permanentes. A SAF não tem cura”, ressalta a médica.
Prevenção
A única forma de prevenir a Síndrome Alcoólica Fetal é a abstinência total de bebidas alcoólicas durante a gestação.
Desde 2023, o Instituto OMP realiza uma campanha permanente de conscientização sobre o tema, buscando ampliar o conhecimento da população sobre os riscos do consumo de álcool na gravidez.
“Em pouco mais de um ano, a campanha já alcançou mais de 3 milhões de pessoas, com mais de 500 mil visualizações de vídeos informativos nas redes sociais”, destaca Sara Assis.
Em 2026, a mobilização continuará ao longo do ano, com ações educativas e divulgação de conteúdos informativos voltados para gestantes, familiares e profissionais de saúde.










