Se você ganha mais de R$ 3.500 no mês, já é rico e nem está sabendo

David F. Santos | Divulgação

Durante anos, o discurso político brasileiro prometeu “taxar os ricos” como solução para desigualdade e crise fiscal. Porém, segundo os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), talvez o “rico” seja você (mesmo sem patrimônio, sem luxo e contando cada boleto no fim do mês).

No Brasil, a percepção de riqueza é frequentemente distorcida por comparações internacionais ou pelo custo de vida nas grandes cidades. Mas, de acordo com dados recentes do IBGE, se o seu rendimento mensal ultrapassa R$ 3.500, você já faz parte de uma elite econômica no país. Isso porque aproximadamente 90% dos brasileiros ganham menos que este valor, posicionando aqueles acima dessa faixa nos 10% mais bem remunerados da população.

Com base nos dados do IBGE de 2024 (neste momento, ainda não temos referente a 2025), o rendimento médio mensal dos ocupados é de R$ 3.208, enquanto o rendimento domiciliar per capita nacional fica em R$ 2.069. Isso reforça que rendas acima de R$ 3.500 são excepcionais, especialmente em regiões como Norte e Nordeste, onde as médias são ainda mais baixas. Estudos mais antigos, como a PNAD Contínua de 2019 atualizada para 2021, confirmam que 90% dos brasileiros tinham renda inferior a R$ 3.422, e 70% ganhavam até dois salários-mínimos. Embora os números exatos possam variar com a inflação e atualizações, a tendência persiste: a pirâmide salarial brasileira é achatada na base, com a maioria lutando para alcançar patamares modestos.

Distribuição de Renda e o Conceito de “Rico” no Brasil

O termo “rico”, acaba sendo muito relativo, porque valores como R$ 4.000 mensais mal sustentam uma família com quatro pessoas. Os dados do IBGE pintam um quadro onde essa faixa representa privilégio, pois em 2024, 66,1% da população tinha algum rendimento, mas a massa total de rendimentos domiciliares per capita atingiu R$ 438,3 bilhões, com desigualdades regionais marcantes. Para ter noção das disparidades, o rendimento domiciliar per capita varia de R$ 1.077 no Maranhão a R$ 3.444 no Distrito Federal.

Além do rendimento domiciliar per capita, observando os dados por indivíduo, considerando a renda mensal mínima, destaco os seguintes valores aproximados, sobre os rendimentos dos “ricos” em alguns Estados no Brasil: São Paulo – R$ 5.500; Santa Catarina- R$ 5.500; Distrito Federal – R$ 5.037; Mato Grosso – R$ 4.800; Mato Grosso do Sul – R$ 4.500; Espírito Santo – R$ 4.400; Rio de Janeiro – R$ 4.200; Minas Gerais – R$ 4.200; Rio Grande do Sul – R$ 4.000; Roraima – R$ 3.200; Bahia – R$ 2.900; Acre – R$ 2.700; Ceará – R$ 2.600; Amazonas – R$ 2.600.

Perceba que o limiar para entrar nos 10% mais ricos varia significativamente. Por exemplo conforme demonstrado, em Estados como Acre e Ceará, ganhar mais de R$ 2.600 já coloca alguém nessa categoria, enquanto em São Paulo o valor sobe para R$ 5.500.

O Brasil possui recursos abundantes para sustentar uma “revolução social”, mas infelizmente, o baixo PIB per capita (US$ 11.300 em 2024, ranking 76º global) e a produtividade comparável a nações africanas não permite que cresçamos individualmente. Comparativamente, países realmente ricos possuem PIB per capita, muito maior como por exemplo, Luxemburgo com média de US$ 130 mil e Estados Unidos, média de US$ 85 mil, enquanto nós, estamos atrás de países como Chile, México e até economias menores e mais abertas. PIB alto com população pobre não é riqueza, mas na verdade, é diluição de riqueza.

O mito da taxação salvadora

Defensores de mais impostos argumentam que basta “cobrar dos ricos” para resolver tudo. Mas os números não fecham. No Brasil os políticos não enxergam a ineficiência de impostos e insistem em inventar impostos, como por exemplo, o tal imposto sobre grandes fortunas, que, países como França e Suécia adotaram no passado e já abandonaram devido à fuga de capitais e baixa arrecadação.

Mesmo que o Estado confiscasse 100% da fortuna de todos os bilionários brasileiros, algo em torno de R$ 2 trilhões, isso sustentaria o governo federal por apenas alguns meses, considerando um orçamento anual acima de R$ 6 trilhões. Depois disso Não haveria mais bilionários, com isso teríamos menos investimento, menos empregos e consequentemente, menos arrecadação de impostos e menos crescimento.

Em junho de 2025, um levantamento da consultoria Henley & Partners (líder global em planejamento de residência e cidadania), destacou que o Brasil registraria uma saída de aproximadamente 1.200 milionários até o fim do ano. Esta quantidade de “ricos” indo embora, representa a maior perda entre os países da América Latina e envolve uma estimativa de US$ 8,4 bilhões (R$ 46 bilhões) em êxodo de riqueza.

A projeção da Henley & Partners coloca o Brasil na 6ª posição entre os países com maior êxodo de indivíduos de alta renda no mundo, atrás somente de Rússia (em guerra), Índia, China, Coreia do Sul e Reino Unido. A decisão de mudança, reflete preocupações com segurança, ambiente político-econômico e carga tributária, fatores que impulsionam a migração de grandes fortunas para destinos como Estados Unidos, Portugal, Ilhas Cayman, Costa Rica e Panamá.

Agora reflita, se pararmos para pensar friamente, taxar os “ricos” não resolve problemas, e em vez disso o ideal é reduzir o Estado o máximo possível! Se você ganha mais de R$ 3.500, os dados do IBGE indicam que você está no topo da pirâmide brasileira, assim, você já é “rico” e está em uma posição de privilégio. Caso o governo federal continue a trabalhar com a ideia de taxar os “ricos”, em pouco tempo, você será taxado por ter uma “grande fortuna”, depois que todos os bilionário e milionários resolverem sair do país.

Ao invés de nos atrapalhar querendo afastar o capital com um monte de impostos, o governo federal deveria focar na busca de investimentos privados em produtividade e educação livre, além de permitir a liberdade econômica como caminhos para o crescimento dos indivíduos.

*David F. Santos é Consultor Empresarial e Tributário na Lucro Real Consultoria Empresarial | e-mail: contato@lucrorealconsultoria.com.br

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