Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede Ebserh, deu mais um passo importante rumo à concretização do Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). A Prefeitura de Dourados manifestou interesse na implantação da unidade, que será referência para os moradores dos 33 municípios da macrorregião atendida pelo hospital.

Foto: Divulgação
Nesta semana, o superintendente do HU-UFGD, Hermeto Macario Amin Paschoalick, a vice-reitora e reitora em exercício da UFGD, Cláudia Gonçalves de Lima, e a gerente-administrativa do HU-UFGD, Danielly Vieira Capoano, participaram de reunião com o prefeito de Dourados, Marçal Filho, e o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo. Na ocasião, foi formalizada a manifestação de interesse do município na implantação do Cacon, com a assinatura do prefeito e do secretário municipal de Saúde.
Durante o encontro, o superintendente destacou que a construção do Centro de Assistência em Alta Complexidade em Oncologia está em fase de planejamento conjunto entre a Rede Ebserh, a UFGD e o Ministério da Saúde. “Nossa expectativa é que a licitação do projeto técnico e da obra ocorra ainda neste ano, com a construção de toda estrutura sendo concluída em 36 meses, quando Dourados passará a oferecer tratamento integral aos pacientes com câncer”, enfatizou.
O prefeito Marçal Filho reafirmou o compromisso do município com o Sistema Único de Saúde (SUS) e ressaltou o impacto positivo que o Cacon do HU-UFGD trará para a população. “Será um marco importante para nossa cidade e, como gestor pleno do SUS, tenho um grande orgulho em afirmar que a Prefeitura de Dourados será parceira do HU/UFGD nesse projeto”, ressaltou Marçal Filho.
O Cacon será implantado como uma unidade hospitalar dentro do HU-UFGD/Ebserh, com infraestrutura adequada para a prestação de assistência de alta complexidade no diagnóstico e tratamento completo de todos os tipos de câncer. Com a conclusão do novo bloco oncológico, o paciente contará, em um mesmo local, com serviços que vão desde o diagnóstico até procedimentos como cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia, oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica, além de medidas de suporte, como controle da dor, reabilitação e cuidados paliativos.
Planejamento
O planejamento institucional para a implantação do Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia prevê a construção de um novo bloco no HU-UFGD, com 60 leitos de internação, laboratório de anatomia patológica e ampliação dos centros cirúrgicos, de forma a contemplar toda a linha de cuidado oncológico. “Esse planejamento é um desdobramento do Plano Diretor Estratégico PDE 2024-2028 do Hospital Universitário e está alinhado ao objetivo estratégico da rede Ebserh em ampliar e qualificar a participação na rede nacional de cuidados oncológicos”, ressalta.
A gerente-administrativa do HU-UFGD, Danielly Capoano, destaca a relevância do apoio do município para a viabilização do projeto. “Tendo em vista, que o HU/UFGD integra a Rede SUS, para o prosseguimento do projeto de implantação é necessária a formalização da manifestação de interesse do gestor SUS, que foi assinada pelo prefeito e pelo secretário de Saúde”, observou.
O projeto prevê a construção de uma nova estrutura física dedicada ao serviço, anexa à estrutura já existente do hospital, com contratação na modalidade integrada, que contempla tanto a elaboração dos projetos quanto a execução integral da obra. “A partir da manifestação formal de interesse do gestor do SUS, no caso a prefeitura de Dourados, o planejamento será submetido à apreciação das diretorias da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares e, uma vez obtida a aprovação institucional e confirmada a disponibilidade orçamentária, será possível viabilizar a contratação da obra ainda este ano”, analisa Hermeto Marcário.
A vice-reitora da UFGD e reitora em exercício, Cláudia Gonçalves de Lima, também ressaltou os avanços tecnológicos previstos com a implantação do Centro. “Vamos receber equipamentos modernos, de última geração, que farão toda diferença no tratamento contra o câncer”, argumentou.
No âmbito do fortalecimento da rede oncológica do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Geraldo Resende destacou a importância da implantação do Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia no HU-UFGD/Ebserh para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer na macrorregião de Dourados.
“Nós da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, debruçados sobre o tratamento oncológico no país, entendemos que essa situação de vazio assistencial na oncologia de vários estados brasileiros precisa ser corrigida em curto espaço de tempo. Já conseguimos avançar em Campo Grande, Três Lagoas e em Dourados entendemos que precisamos ter um serviço de excelência. Então, tem todo o meu apoio”, afirmou.
Dados epidemiológicos
Segundo dados do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS), entre 2019 e 2024, dos 23.300 pacientes da macrorregião Cone Sul que necessitaram de atendimento hospitalar oncológico, 8.681 (37%) foram atendidos no Paraná e 1.900 (8%) em São Paulo, totalizando 10.581 pacientes (45%) que precisaram se deslocar para outros estados. O fluxo interestadual também se mantém nos procedimentos ambulatoriais. No mesmo período, 46% das sessões de quimioterapia realizadas por residentes do Cone Sul ocorreram fora de Mato Grosso do Sul. A radioterapia apresenta padrão semelhante, com 51% dos atendimentos realizados fora do Estado.
Ensino e pesquisa
Como hospital universitário vinculado à UFGD e à Rede Ebserh, o HU-UFGD exerce papel estratégico na formação de profissionais de saúde e no desenvolvimento científico regional. A implantação do Cacon ampliará de forma significativa os cenários de ensino para cursos de graduação, residências médicas e multiprofissionais, educação permanente e especializações, com destaque para a futura criação de residências em Oncologia Clínica, Cirúrgica e Multiprofissional.
No campo da pesquisa, o novo serviço permitirá o fortalecimento do Centro de Pesquisa Clínica do hospital, com a realização de estudos clínicos, observacionais e translacionais em oncologia. Isso ampliará o acesso da população a protocolos inovadores, fomentará a produção de conhecimento científico e contribuirá diretamente para a qualificação da assistência prestada no âmbito do SUS.










