Adilson Lobo, Eternamente Irreverente

“Nem gato, nem rato: Lobo é o candidato!” Esse era o mote da campanha idealizada por ele mesmo. Homem de rádio e da estrada por décadas a fio, Adilson Lobo encerrou sua jornada com a mesma discrição com que viveu.

Meu querido Amigo-Irmão-Companheiro-Camarada Edson Moraes tem a virtude de ligar em momentos que nos chamam para a realidade, para a grandeza deste Planeta, desta Humanidade, deste Povo Brasileiro (usando e abusando das maiúsculas, merecidamente). Nesta terça-feira, quando ligou, estava debruçado sobre uma pesquisa interessantíssima de um novo Mestre, pós-graduado em nossa UFMS, oriundo de Moçambique (seu nome não vem ao caso, até porque não tenho autorização para esse tipo de informação, que a coordenação do Mestrado em Educação, se entender conveniente, pode fazer). Mas, nos poucos minutos que pôde dedicar à sua ligação comigo, me colocou a par de muita coisa – a que neste momento me cabe compartilhar, muito triste, é a da eternização, no ano passado, do querido radialista e cidadão do mundo Adilson Lobo, irreverente e sempre bem-humorado, até com a própria desgraça…

Adilson Lobo era Irmão do grande radialista que desde 1980 se encontra em Cuiabá, o Ademir Lobo, e também do sempre candidato a prefeito Antônio Lobo pelo PSB, advogado, funcionário do Ministério do Trabalho, que decidiu se mudar de Corumbá assim que se aposentou, há alguns anos. Adilson, que foi Companheiro de minha querida Amiga e Colega de Ginásio Alzira, tinha um Neto que era colega de minha Caçulinha, no Colégio Objetivo, o que sempre nos permitia reencontrarmos, mas isso era antes da pandemia.

Como eram três os irmãos Lobo na radiofonia corumbaense dos fins dos anos 1960, Ademir e seu vozeirão peculiar eram os mais notados, cabendo aos dois outros irmãos o papel secundário, de produtor e de contato comercial. Mas quando, por algum motivo relevante, Ademir não podia estar no ar, os dois se revezavam para segurar a audiência. O fato é que Adilson era, com sua irreverência, um genial criador de ‘slogans’ que em tempos de conectividade de hoje teriam viralizado. Pena que foram outros os tempos dele.

Um de meus encontros derradeiros com Adilson Lobo foi no início do ano letivo de 2020, pouco antes da pandemia impor a mudança de nossas rotinas. Ele me contara que estava decidido a lançar sua candidatura a prefeito de Corumbá, e, irreverente como sempre, anunciou seu ‘slogan’ (mote de campanha): “Nem gato, nem rato: Lobo é o candidato!” Foi uma gargalhada geral…

Pelo que fiquei sabendo, ele não teve tempo de participar do processo eleitoral, embora tivesse registrado a chapa completa por um desses partidos novos, sem grande expressão – o que pouco interessava a ele, pois o que queria, mesmo, é ‘causar’, provocar. Próprio de sua personalidade, ele era a irreverência em pessoa. Acredito que nesse encontro, na saída dos alunos da escola, a saudosa Professora Terezinha, que já foi candidata a prefeita em 1992, estava entre as pessoas que o ouviram anunciar seu ‘slogan’. Chegou a me pedir ‘algumas ideias’ para seu programa de governo, que, segundo os dirigentes de seu partido em Corumbá, registrariam em cartório, como uma vez o também falecido ex-prefeito e candidato algumas vezes, empresário Ruy Waldo Albanese, fizera em 1992.

A pandemia, aliás, lhe tirou o chão, pois estava por assumir um horário alternativo na FM Pantanal, segundo me dissera, e andou trocando ideias comigo com o intuito de fazer um ‘espelho’ (na verdade, um projeto-piloto). Com a pandemia, seu projeto radiofônico ficou para a posteridade… Uma pena, porque ele era incansável e genial, teria sido um momento de descontração no horário em que as rádios perdem audiência para as novelas da tarde/noite. Triste coincidência, mas ele e o querido e saudoso Padre Pasquale Forin se eternizaram no mesmo período. Provavelmente, estejam se dedicando a algum projeto de comunicação na outra dimensão, eis que tarimba não há de faltar…

Pois é. Adilson Lobo, cuja voz acalentou sonhos na radiofonia da Corumbá cosmopolita, se silenciou sem que tivéssemos tido a oportunidade de transmitir à sua querida Família nossa solidariedade. Até sempre, querido Amigo, e que em alguma dimensão possa tornar realidade tão bonito projeto (o do programa de rádio, até porque o outro, da candidatura, não tive o prazer de conhecer)!

*Ahmad Schabib Hany

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