Oficinas de viola de cocho e cerâmica Terena são sucesso de público durante o Campão Cultural

Campão Cultural – Oficina de viola de cocho (Fotos: Ricardo Gomes)

Campo Grande (MS) – Mãos que trabalham, que transmitem a outros a importância de se preservar a nossa cultura. As oficinas de viola de cocho e de cerâmica Terena, que aconteceram na manhã desta quinta-feira, 25 de novembro, no Museu de Arqueologia, que fica no Memorial da Cultura, durante o Festival Campão Cultural – 1º Festival de Arte, Diversidade e Cidadania, demonstraram o interesse das pessoas em aprender o modo de fazer desses dois ícones do nosso artesanato.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

Sebastião de Souza Brandão transmite o modo de fazer da viola de cocho desde 2009, quando se aposentou da Rede Ferroviária. Ele aprendeu a arte com seu pai e avô. “Desde que me entendo por gente eu já fazia viola de cocho. Para eu ter minha e viola e levar para a festa eu lembro que estava com 16 anos. O único instrumento que existia naquela época era a viola de cocho, nas margens do Rio São Lourenço, município de Corumbá. Aqui no Festival a gente divulga nossa arte. Tem muito jovem hoje que não conhece, precisamos não deixar morrer esta tradição nossa. Tem muita gente que quer conhecer nossa cultura”.

É verdade, seu Sebastião. Pode-se ver este interesse das pessoas pelo fato de as oficinas estarem lotadas. A Gláucia Pereira Silva de Almeida, professora de História Regional da Rede Pública há 27 anos, decidiu participar da oficina para transmitir o conhecimento aos seus alunos. “Esta oficina é um divisor de águas. Nós sempre trabalhamos em sala de aula a história de outros locais. Temos a urgência de trabalhar a história e a cultura de Mato Grosso do Sul. Como o aluno vai gostar e cuidar do que é nosso se ele não conhece. Esse é o papel do professor. Eu vim para ter acesso a informações e levar para os alunos, e ter experiência com o feitio da viola de cocho”.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

Outro participante, Yuri Zacra da Silva, é pesquisador adjunto do programa de especialização do patrimônio, do Iphan. Ele fez uma pesquisa sobre a construção da viola de cocho e sua relação com as canoas pantaneiras. “O pai do seu Sebastião era canoeiro. A gente percebe que a formas das violas são pequenas canoinhas. Os oficineiros são muito ligados às questões pantaneiras. Eu vim fazer esta oficina para sentir na mão essa prática, como funciona, o modo de fazer e tentar entender um pouco mais desse universo. Esta é uma boa oportunidade”.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

Numa outra sala do Museu de Arqueologia aconteceu a oficina de cerâmica Terena, com Rosenir Batista. Ela aprendeu a arte com a mãe e a avó a partir dos 12 anos. “Depois eu vim para Campo Grande trabalhar como doméstica. Aí em 2006 eu voltei para a aldeia e chegando lá a cerâmica foi meu meio de ganhar dinheiro para pagar as contas. É muito importante e emocionante poder participar do estival, nunca imaginei chegar até aqui, transmitir uma tradição nossa. Eu tenho muito orgulho de ser uma artesã terena, tenho orgulho do meu trabalho”.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

Para aprender com a sua companheira de etnia, a gestora do Memorial da Cultura Indígena, Maria Auxiliadora Bezerra, estava muito concentrada durante a oficina. “Mesmo de ser terena e valorizar nosso artesanato, a Rosenir é referência na confecção dessas peças. Quero compartilhar o conhecimento sobre a cerâmica. Nós, no Memorial da Cultura Indígena, temos grupos permanentes de mulheres que fazem bijuterias de cerâmica. Meu objetivo aqui é agregar conhecimento passado pela Rosenir para eu transmitir para esse grupo”.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

O artesão Jonas Ferreira Caminha trabalha com expressões da fauna e flora pantaneira em cerâmica, confecciona bichos do pantanal. Ele é artesão há mais de 40 anos, filho de artesãos também. Decidiu participar da oficina para “poder dar continuidade a essa arte tão representativa dos nossos povos e etnias remanescentes”. “Eu pretendo obter o documento de Mestre Artesão, porque trabalho várias técnicas, quero poder compartilhar este conhecimento mais à frente. Preciso ter um histórico de comprovação como reconhecimento do meu trabalho”.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

As oficinas de viola de cocho e cerâmica Terena durante o Festival Campão Cultural – 1º Festival de Arte, Diversidade e Cidadania, vão até o próximo sábado, 27 de novembro. As inscrições já foram encerradas, não havendo possibilidade de inserção de novos participantes. Para conferir a programação completa do Festival, basta clicar AQUI.

Campão Cultural – Artesanatos (Fotos: Ricardo Gomes)

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