O Impacto da La Niña no Setor de Construção e Mineração

As previsões se confirmaram: estamos sob a atuação da La Niña! Fenômeno que altera o padrão de ventos na atmosfera e modifica o regime de chuva e de temperatura em todo o globo. Setores da economia com atividades impactadas pelo clima estão preocupados com as possíveis consequências ocasionadas pelo fenômeno. Ao longo do texto, vamos entender um pouco melhor quais são os impactos esperados para o Brasil, com foco nos setores de Construção e Mineração, que já estão sendo atingidos por tempestades neste início do período chuvoso.

Pontos monitorados pela Climatempo do setor de Construção e Mineração. Destaque para a grande quantidade de pontos em Minas Gerais e Pará, regiões com forte atividade mineral. (Divulgação)

Os estados do Pará e Minas Gerais, regiões com grande atividade mineral do Brasil, são uma das áreas que serão impactadas pelos efeitos da La Ninã, com aumento significativo da chuva durante a primavera. Além disso, as condições atuais de temperatura do Atlântico Sul (está um pouco mais aquecido do que no mesmo período do ano passado) também irão contribuir para uma primavera chuvosa, com ocorrências de tempestades com raios, um alerta para o setor, pois representa risco tanto para a operação quanto para a qualidade do minério extraído.

A Construção Civil é um ramo da economia diretamente impactado pelas condições do tempo severo. Períodos de precipitação intensa, além de atrasar o andamento das obras, também danificam materiais, gerando uma cadeia de prejuízos para as empresas. Além disso, os eventos de chuva que costumam ocorrer neste período do ano também representam perigo à vida dos colaboradores, sendo de extrema importância o conhecimento das condições do tempo, através do monitoramento de raios. Visto que, o Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo e o período de maior ocorrência é justamente nos meses de primavera e verão.

Impactos no Brasil

Raios durante uma tempestade em São Paulo. (Divulgação)

Normalmente, em anos de La Niña, há um aumento da chuva nas regiões Norte e Nordeste e uma diminuição na região Sul, principalmente no período do verão. Porém, as condições de temperatura oceânica atuais, com águas mais frias na região central do Pacífico, indicam que este será um evento de La Niña do tipo Modoki. Essa diferença na configuração do fenômeno, provoca um aumento da precipitação durante a primavera e diminuição durante o verão, situação que será continuamente analisada pelos meteorologistas no decorrer dos próximos meses.

Além da La Niña, há outros fatores que influenciam o clima, como a temperatura superficial do oceano Atlântico, que possui grande impacto no clima brasileiro. Atualmente, as águas do Atlântico Sul estão um pouco mais aquecidas do que neste mesmo período de 2020, quando também estávamos sob atuação de um La Niña. Esta condição atual, é mais um fator que favorece um período de chuva intensa no Brasil durante a primavera, principalmente em regiões mais ao norte do país.

Apesar da La Niña desfavorecer a precipitação na região sul do Brasil, eventos pontuais de chuva forte e volumosa também ocorrem nesta região durante sua atuação, pois a atmosfera é influenciada por diversos fatores, como as condições locais. Inclusive, durante a ocorrência deste fenômeno, observa-se um aumento dos temporais com granizo no centro-sul do país.

Regiões do Niño utilizadas para caracterizar eventos de La Niña e El Niño (a), e anomalía de temperatura no oceano Pacífico em 02/10/21 (b). (Divulgação)

Vale a pena ressaltar que durante o período chuvoso (outubro a março) há a configuração da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), fenômeno que favorece a formação de chuva intensa e volumosa por vários dias consecutivos em grande parte do Brasil. Por isso, este sistema é considerado o mais importante do período e também motivo de preocupação, pois o excesso de chuva costuma causar problemas à sociedade e as operações a céu aberto.

Em setembro de 2021, a anomalia de temperatura no Niño 3.4 estava próxima do patamar de La Niña. Porém, foi nas primeiras semanas de outubro que a anomalia negativa de temperatura ficou mais intensa, o que levou a Administração Americana de Oceanografia e Meteorologia (NOAA) a decretar em seu último relatório, que estamos oficialmente sob a atuação do fenômeno, que deve continuar ativo ao longo dos próximos meses.

Pensando nos problemas ocasionados pelas intempéries do clima, como a La Niña, a Climatempo possui soluções como o SMAC (sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo), que ajuda a minimizar os efeitos das condições de tempo severo. O SMAC é uma plataforma de suporte a tomada de decisão, com monitoramento de raios, chuva forte e vento intenso, resguardando a vida dos funcionários em campo, através dos alertas georreferenciados. Além disso, nele é possível consultar a previsão do tempo e clima, contribuindo para o planejamento das operações, otimizando o tempo de trabalho das equipes.

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