Projetos contemplados pelo FIC já estão com recursos disponíveis na conta

Campo Grande (MS) – Os 51 contemplados pelo Fundo de Investimentos Culturais – FIC 2019 receberam hoje o pagamento para realização dos seus projetos. Os recursos totalizam R$ 5.109.811,00 (cinco milhões, cento e nove mil, oitocentos e onze reais).

Devido à pandemia da Covid-19 e às restrições sanitárias impostas para conter a disseminação do vírus, os projetos selecionados tiveram que ser readequados, haja vista que a elaboração destes ocorreu num momento em que era permitida a aglomeração de pessoas.

Morada dos Baís em Campo Grande (MS) – Foto: Portal da Educativa/Cortesia

O cronograma dos processos necessários para conclusão do FIC/2019 Também ficou prejudicado devido à pandemia. “Infelizmente o setor cultural foi muito afetado, como é o caso do calendário do FIC que estava previsto para ser finalizado no ano passado. Muitas readequações precisaram ser feitas, mas agora tudo está encaminhado e os contemplados já podem iniciar a execução dos projetos”, disse o diretor-presidente da FCMS, Gustavo Cegonha.

Batalha de bandas e gravações no piano de Lídia Baís

Uma das contempladas, Ana Paula Ostapenko, teve o seu projeto “Batalha das Bandas 2020” aprovado pelo FIC. A “Batalha ”teve sua primeira edição em 2014, e trata-se de um Festival para trazer representatividade para as bandas autorais de Mato Grosso do Sul. “Para você fazer parte da batalha de bandas você tem que escrever e tocar suas próprias músicas. E aí a gente vem fazendo desde 2014, paramos em 2020 por conta da pandemia, a gente não quis fazer uma live porque as bandas são grandes, qualquer ideia que a gente teve ia ter uma aglomeração. Por isto preferimos esperar a aprovação final do FIC para realizar em 2021”.

Para Ana Paula o FIC é de suma importância para os projetos culturais de MS: “ele garante a realização de obras e eventos de qualidade além do reconhecimento de artistas e produtores do nosso Estado. Sempre realizamos o ‘Batalha’ sem verba, apenas com dinheiro do que vendia na portaria do evento e com parceiros para conseguirmos os prêmios”, explica. Com esse aporte do FIC, a banda poderá remunerar cada prestador, fazer ações maiores de divulgação, além de permitir entrada gratuita no evento, voltando apenas para a parte social. O ingresso esse ano será de um kg de alimento não perecível. “Sempre tivemos essa entrada social, mas agora poderemos focar muito mais na arrecadação e no mais importante: a música autoral de MS”, conclui.

Material documental ficará à disposição do MIS

O projeto “Lídia Baís e a Música”, consiste na transcrição de canções gravadas pela artista plástica e um dos ícones das artes de MS, Lídia Baís (1900-1985), para partituras e áudio ilustrativo. A transcrição será feita pelo maestro Eduardo Martinelli, que em 2018, por ocasião dos 100 anos da Morada dos Baís, realizou concerto com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande, trazendo à luz três peças da artista. As composições “Corriqueira”, “Valsas e Valsinhas” e “Sem identificação 3” foram transcritas por Eduardo Martinelli “de ouvido” uma vez que não existem partituras dessas músicas.

Além da transcrição para partitura, uma amostra do áudio será gravada por Júlio Figueiredo, pianista que frequentava os saraus na casa da artista em meados da década de 80, utilizando o próprio piano de Lídia, também em exposição na Morada dos Baís. Disponibilizando assim, além das partituras, os áudios para os pesquisadores.

Cada uma das músicas ficará disponível da seguinte maneira: 1. Áudios gravado pela Lídia como se encontram hoje (praticamente inaudíveis); 2. Áudios gravados pela Lídia após tratamento tecnológico de manipulação de áudio para ajustes de frequência de hertz, andamento e amplitude; 3. Áudios gerados pelo programa de edição das partituras e gravação ao piano (pelo pianista amigo de Lídia no piano da artista).  Todo o material será entregue e disponibilizado ao Museu da Imagem e do Som (MIS) de Mato Grosso do Sul e não terá fins de comercialização.

Para a proponente do projeto do FIC, Lilian Veron, a importância do Fundo de Investimentos Culturais reside em apoiar projetos que precisam de incentivo para chegar à população, levar conhecimento e a história para as pessoas. “A gente percebe que toda a sociedade precisa reconhecer a importância da arte e da cultura, inclusive os governos, através de incentivo que vem do próprio Estado.

Conheça o FIC

Desde 2002 O FIC estimula a criação, produção e difusão das manifestações artístico-culturais em todos os municípios sul-mato-grossenses. Instituído pela Lei 2.366/2001 e reorganizado pela Lei 2.645/2003, o FIC tem como princípio prestar apoio financeiro a projetos culturais da comunidade, fomentando o mercado artístico e diminuindo a distância do público com as mais diversas manifestações, tradições e valores da cultura. Os editais promovem a democratização de acesso a recursos para as áreas de música, dança, teatro, artes plásticas, audiovisual literatura e festas populares. Os selecionados participam de programas e ações executadas pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul no decorrer do ano estimulando a valorização e difusão das manifestações artístico-culturais do Estado.

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