Crise Hídrica: conta cara e cautela nos investimentos

Importação de energia e investimento de longo prazo são as alternativas

A crise hídrica compromete o abastecimento de energia, mexe no bolso do consumidor e o mercado financeiro entra em alerta para investimentos neste setor.

O assessor de investimentos Matheus Matsumura, da Plátano Investimento – XP da sede de São José dos Campos faz um panorama deste momento crítico que afeta o dia a dia das pessoas e das empresas, e explica como se prevenir quando o assunto for investimentos.

Foto: Banco de Imagens

A crise hídrica é um tema presente no setor de energia há muito tempo. Segundo o ONS – Operador Nacional do Sistema – as chuvas previstas para os próximos meses nas regiões de SP, MG e GO não serão suficientes para colocar os reservatórios em níveis ideais. Somado a isso, estamos no período mais seco do ano e com previsão de ser o pior das últimas 9 décadas.

Para garantir o abastecimento, as termelétricas – alternativas mais caras e poluentes – ficam encarregadas da geração durante o período mais crítico. Segundo a nova portaria publicada recentemente, o governo poderá acionar usinas, movidas a queima de carvão, óleo diesel e biomassa, sem contrato e por período limitado, a começar neste segundo semestre. Antes apenas as movidas a gás natural podiam ser acionadas nesses termos. Essas e outras medidas, como importação de energia da Argentina e do Uruguai, estão sendo tomadas para evitar cortes no fornecimento, mas um possível racionamento não é descartado.  A Argentina, por exemplo, utiliza a energia gerada durante o inverno para o aquecimento de casas, o que pode deixar a oferta mais escassa. As empresas de capital aberto que são geradoras e também distribuidoras de energia deverão ser afetadas por esse cenário.

“O primeiro reflexo é no bolso do consumidor: o aumento se deve a esta dependência do Brasil das matrizes de energia hidrelétricas, que correspondem a 65% dos recursos energéticos gerados. Sem contar que as utilizações de outras fontes de energia a curto prazo são alternativas caras, resultando no aumento de preços nas contas”, explicou o especialista da Plátano.

As empresas buscam caminhos para não comprometerem a produção, como deslocamento de geração para outros períodos ou levar a produção para fábricas em regiões diferentes, ou ainda utilizar geradores a diesel nos horários de pico.

No Mercado Financeiro: Carteira a Longo Prazo 

Em um panorama geral, a maioria das ações do setor acumula queda em 2021, com exceção da Eletrobrás, que na primeira quinzena de junho, acumulou alta de 33,17%. Para o curto e médio prazo o cenário ainda é indefinido. Por hora, há aumento de volatilidade com possível impacto negativo para os preços. E qual seria a alternativa de prevenção para quem investe neste setor?

“Para quem se posiciona, uma boa alternativa é fazer proteção através do mercado de ações. Outra opção é fracionar as entradas, de forma a não comprometer todo o capital de investimento de uma só vez. Para quem inicia investimentos nesta área, o primeiro passo é escolher a empresa que mais se alinhe ao perfil do investidor. Embora tenhamos várias no setor, os preços podem se comportar de maneira diferente se comparados em termos técnicos. Costumam ser boas pagadoras de dividendos, então costumam ser alocadas em carteira para o longo prazo. De toda forma, sempre é bom contar com uma assessoria especializada”, esclareceu o assessor de investimentos da Plátano.

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