Crise exige mudança de comportamento e busca de opções no mercado para reduzir a pressão sobre as finanças pessoais

Para equacionar o orçamento é preciso aprender a negociar e identificar as alternativas abertas pelo sistema financeiro para preservar recursos e o nível das reservas

A portabilidade de financiamento imobiliário é um recurso que pode ser utilizado para reduzir os juros que oneram a operação e melhorar o perfil de endividamento. A transferência de uma dívida com prazo muitas vezes superior a 10 anos a juros de elevados para outra instituição com taxas 50% menores faz diferença, recomendou o professor André Medeiros da DSOP Educação Financeira durante palestra a participantes da Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (Prevcom) sobre estratégias para blindar as finanças pessoais em período de crise. “As pessoas que compraram imóvel e pagam 10% ou 12% ao ano pela operação, hoje encontram ofertas de crédito a 5 %, a metade do contrato anterior. É o momento de mudar de banco, vale a pena“, afirma.

Um componente presente na fase crítica atual é a alteração na renda por eventual corte de salário ou perda de emprego de membro da família. “Neste momento temos de ter uma visão de 360º e buscar ganhos extras“. As redes sociais e os aplicativos de mensagens são ferramentas para oferecer produtos ou serviços utilizando as habilidades que existem dentro do núcleo familiar. “O ser humano também é acumulador. Às vezes temos roupas guardadas com etiquetas. Podemos desapegar de coisas que não fazem mais sentido em nossa vida como um pacote de TV a cabo, aplicativos e jogos pagos do smartphone e telefone fixo. O plano de celular deve ser reavaliado se no site da operadora existem propostas melhores“.

Outra medida sugerida por Medeiros é evitar manter contas em débito automático. Segundo o educador, “o débito automático faz com que a gente não perceba mais a despesa. Quando o pagamento é direto, você não olha mais a conta de luz“. Se ocorre uma cobrança indevida o dinheiro sai do banco e a restituição envolve um processo burocrático e demorado. “Este conforto pode tirar nossos recursos e nos faz perder o controle da vida financeira“, declara. Em sua avaliação, temos de correr atrás da sustentabilidade e ela passa pela proteção da reserva financeira, que deve ser tratada como um custo fixo e receber um fluxo permanente de recursos.
O hábito de adiantar o pagamento de prestações é um traço comportamental que deve ser corrigido. “Quando antecipo parcelas estou tirando dinheiro da reserva para quitar uma dívida que vai vencer em anos”, assinala. “O ideal é aprender a comprar à vista, pagar a prazo e respeitar as prestações”. Tudo isso começa pela negociação para jogar o preço para baixo. Se atingiu o montante desejado, aí pode dividir a compra. A mecânica é simples: ao pagar à vista, o dinheiro vai para a loja. Uma vez financiado, a instituição financeira paga a loja e cobra do consumidor. Para o lojista, é indiferente. “É importante entender o sistema e fazer com que ele trabalhe a nosso favor“, comenta.

Dia dos Namorados

As palestras promovidas pela Prevcom integram o programa Conta Comigo de educação financeira desenvolvido pela entidade em parceria com a DSOP. A próxima live está marcada para as 19 horas do dia 8 de junho e será sobre Educação Financeira para Casais, dentro do tema do mês em que se comemora o Dia dos Namorados. Neste encontro a educadora Emilene Faria vai orientar os casais a gerenciar melhor o dinheiro para realizar os sonhos e garantir qualidade de vida.

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