Projeto analisa áreas degradadas pelo fogo no Pantanal para futura recuperação da paisagem

Nesta sexta-feira (28), começa uma nova etapa dos trabalhos de campo do projeto ‘Recuperação de Florestas Ribeirinhas Pantaneiras: beneficiando água, solo, peixes e populações do entorno da RPPN Sesc Pantanal’.

Na nova fase, uma equipe de pesquisadores do projeto realizará um trabalho de avaliação e monitoramento para verificar os reais impactos causados pelos incêndios ocorridos na região no ano de 2020, na RPPN Sesc Pantanal, no município de Barão de Melgaço, Mato Grosso.

Foto: Jeferson Prado / Sesc Pantanal

A pesquisadora do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU) e também coordenadora científica do projeto, professora Dra. Cátia Nunes da Cunha aponta que essa avaliação auxiliará na implementação das ações das Medidas de Monitoramento e Avaliação.

“Para a implantação das medidas de monitoramento e avaliação, é importante identificar o que deve ser restaurado e quais os tipos de restauração necessárias para cada ponto”, explica a professora.

O pesquisador do CPP e INAU, Dr. Gustavo Manzon Nunes, e membro da equipe do projeto, relata que para sobrevoar as áreas afetadas, será utilizada câmera multiespectral integrada em uma aeronave remotamente pilotada (Drone), para coleta de dados e imagens. Com isso, será feito um mapeamento de alta resolução espacial e espectral, que possibilitará analisar os impactos dos incêndios nos macrohabitats – que são os ecossistemas – da RPPN Sesc Pantanal.

“O monitoramento de macrohabitats distintos em locais específicos da RPPN acontece desde 2019. Após os incêndios ocorridos no ano passado, realizaremos nova campanha para missões de sobrevoo. Os novos dados indicarão os locais exatos e as melhores formas de restaurar o ambiente degradado pelo fogo”, relata o pesquisador.

Monitoramento e Avaliação das Ações de Restauração

Existem poucos trabalhos sobre a temática restauração ecológica no Pantanal, que é a maior área úmida terrestre do planeta, com características que passam por fases de secas e cheias. Deste modo, o fogo é um grande problema a ser administrado na região por causar interferências na biodiversidade pantaneira que levam anos ou décadas para serem reparadas.

A diversidade de elementos na paisagem da região dificulta a implantação de uma estratégia com ações padronizadas para todas as formações ecológicas do bioma Pantanal. Para facilitar este trabalho, o Projeto emprega a abordagem de macrohabitats para o trabalho de recuperação da paisagem e também para o monitoramento deste ambiente natural que será restaurado. Como forma de comparação serão utilizados os caracteres ecológicos de macrohabitats que não foram queimados, principalmente em seus atributos da flora, como a estrutura das comunidades vegetais.

As ações de monitoramento visam acompanhar o processo de recuperação dos macrohabitats e verificar o sucesso das ações planejadas e executadas ou a necessidade de readequá-las. Assim, todo o tempo e os recursos investidos serão efetivamente bem aproveitados e revertidos em prol do cumprimento do objetivo que é restabelecer os processos ecológicos dessa região.

Sobre o Projeto

O projeto “Recuperação de Florestas Ribeirinhas Pantaneiras: beneficiando água solo, peixes e populações do entorno da RPPN Sesc Pantanal” é um projeto piloto que servirá de modelo para a implementação de novos trabalhos de Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) no Pantanal.

Dos 56 hectares atendidos dentro deste trabalho, 46 ha estão situados nas dependências da RPPN Sesc Pantanal, sendo que os outros 10 hectares estão localizados na área do entorno da reserva, e ambos os trabalhos servirão de modelo para implementações de novos trabalhos de (RAD), considerando a especificidades das áreas úmidas.

A iniciativa está sendo executada pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, Wetlands Internacional, Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU) e Polo Socioambiental Sesc Pantanal; além disso conta com o financiamento do Fundo Global para o Meio  Ambiente (GEF) por meio do Projeto Estratégias de Conservação, Recuperação e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade como agência executora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo