Conjuve e parceiros lançam segunda onda de pesquisa para ouvir jovens sobre a pandemia

Questionário da consulta Juventudes e a Pandemia do Coronavírus (Covid-19) ficará disponível pela internet de 22 de março a 5 de abril. Participantes vão responder sobre saúde, educação, trabalho e renda e expectativas para o futuro

Um ano após o início da pandemia de COVID-19, garantir direitos para a população jovem brasileira tornou-se um desafio complexo. Em busca de respostas dos próprios jovens sobre como a crise sanitária os afeta e como eles podem ser apoiados neste momento, uma nova onda da pesquisa “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus (Covid-19)” será lançada no dia22 de março. Jovens de 15 a 29 anos de todo o Brasil poderão participar da consulta por meio do questionário online disponível no linkbit.ly/juventudesepandemia2, até o dia 5 de abril.

Foto: Divulgação

Promovida pelo Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a UNESCO, a Rede Conhecimento Social, a Visão Mundial, o Mapa Educação, o Em Movimento e o Porvir, a primeira edição da pesquisa foi realizada em maio de 2020 e ouviu 33.688 jovens. À época, seus resultados mostraram que a pandemia afetava diferentes aspectos da vida dos jovens, como perda de trabalho e renda, dificuldade para estudar em casa e elevado nível de estresse. Os dados foram amplamente divulgados e usados por organizações e profissionais comprometidos em apoiar o desenvolvimento das juventudes, bem como para pautar e influenciar a ação de tomadores de decisão.

Agora, com os riscos ampliados pela longa exposição à pandemia, a segunda onda de mobilização pretende atualizar as percepções das juventudes sobre a crise e trazer dados que ajudem a evitar sequelas graves para a maior geração de jovens da história do país. “Todo este contexto tem forte influência no processo de desenvolvimento da população jovem no Brasil. A situação é grave. Precisamos urgentemente de ações concretas, com real capacidade de promover mudanças, atendendo as demandas emergenciais e apresentando perspectivas de futuro. Uma série de direitos têm sido violados ou negligenciados e para o enfrentamento da complexidade desses desafios será fundamental a construção de soluções que sejam baseadas em evidências, por isso decidimos realizar a segunda onda da Pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, afirma Marcus Barão, Presidente do Conselho Nacional da Juventude.

Intenção de se vacinar é uma das questões

Por meio do questionário, os jovens terão a oportunidade de relatar suas experiências e sentimentos em relação a saúde e bem-estar; educação e aprendizado; trabalho e renda; e vida pública e expectativas. Também devem responder algumas informações sobre sua origem e perfil socioeconômico, mas não precisam se identificar. Com 70 perguntas como: “Quando estiver disponível para a sua faixa de idade, você pretende tomar a vacina contraCOVID-19?” e “Pensando em perspectivas de futuro para o mundo do trabalho, quais são as duas ações prioritárias para instituições públicas e privadas ajudarem jovens a lidar com efeitos da pandemia?”, a pesquisa leva aproximadamente30 minutos para ser completada.

Assim como na primeira edição, os temas e questões do questionário foram propostos por um grupo de 10 jovens que participaram de oficinas utilizando a metodologia PerguntAção, coordenadas pela Rede Conhecimento Social, uma das organizações parceiras da iniciativa. Segundo Marisa Villi, diretora executiva da ONG, essa metodologia envolve o público alvo da pesquisa em todas suas etapas. “A construção coletiva da segunda onda da pesquisa tem sido riquíssima, com jovens extremamente engajados em identificar temas prioritários para entender o atual momento da pandemia e levantar perspectivas de futuro para as juventudes. As experiências de cada jovem ao longo da pandemia foram traduzidas em perguntas que eles gostariam de fazer a outros jovens de todo o país, tomando como referência os aprendizados da onda 1 da pesquisa. Certamente a análise coletiva de resultados será muito potente.”

Os jovens que colaboram com a pesquisa foram indicados por cada organização do Comitê de Governança da iniciativa ainda na sua primeira onda. Esse comitê é formado por especialistas em juventudes, pesquisa, comunicação e mobilização das organizações parceiras da consulta, que também acompanham e colaboram com suas várias etapas. Está entre as responsabilidades do comitê coordenar a mobilização por respostas em todo o país. Organizações que trabalham ou são formadas por jovens serão convidadas a divulgar o questionário em diferentes regiões. Além disso, os próprios jovens envolvidos na elaboração das questões também participarão da mobilização.

O objetivo é atingir uma amostra representativa das juventudes brasileiras. Para isso, será feito um monitoramento durante a fase de coleta, conforme explica Rosalina Soares, Assessora de Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho. “No processo de mobilização precisamos ficar atentos se estamos atraindo e garantindo a representatividade de jovens de todas as regiões do Brasil, moradores de zonas urbanas e rurais, jovens do sexo masculino e feminino, com diferentes identidades de gênero e cor/raça. Vamos monitorar as respostas, utilizando dados populacionais do IBGE para analisar a representatividade e ativar a mobilização, cuidando para que ao final da coleta a pesquisa represente as juventudes brasileiras”.

O lançamento dos dados será realizado no festival de lançamento do Atlas das Juventudes, em maio. O Atlas das Juventudes é uma pesquisa nacional, coordenada pelo Em Movimento e pelo Pacto das Juventudes pelos ODS que tem como objetivo produzir, sistematizar e disseminar dados sobre as diferentes juventudes do Brasil. Contribuir com evidências para que sejam feitos os investimentos certos, no momento certo, para ativar o potencial desta geração. “Lançaremos a segunda onda da pesquisa Juventudes e a Pandemia como parte do Festival de Lançamento do Atlas das Juventudes, uma vez que o esforço de realizar essa pesquisa nasceu dentro da articulação que já realizamos para o Atlas, e como forma de agregar ao esforço de compilar em um só lugar, evidências sistematizadas e disponíveis sobre as juventudes. No contexto em que vivemos, a segunda onda do Juventudes e a Pandemia se mostra ainda mais relevante, para entendermos como os jovens passaram por esse último ano desafiador, e como a sociedade pode garantir os seus direitos para o seu pleno desenvolvimento”, completa Mariana Resegue, secretária executiva do Em Movimento e coordenadora geral do Atlas das Juventudes.

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