Carmen Barcelos e Beth Marquês são as homenageadas da Semana do Artesão 2021

Campo Grande (MS) – A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul realiza a 13ª edição da Semana do Artesão, de 19 a 26 de março de 2021, totalmente online. Na edição deste ano serão homenageadas as artesãs Elizabeth Marquês e Carmen Barcelos. As Entidades Classistas do Artesanato de MS escolheram estas artesãs pela importância e a trajetória delas no artesanato do Estado.

Carmen Barcelos – Fotos: Acervo pessoal das artesãs

Carmen Barcelos é natural do município de Aparecida do Taboado. Desde criança gostava de ir ver as bordadeiras. Sua madrinha ensinou-a os primeiros pontos, e depois, no colégio de freiras foi aprendendo cada vez mais. “O artesanato entrou na minha vida desde criança. Fazia roupinhas de crochê para as bonecas e vendia para as amiguinhas”.

Ela é professora aposentada há quase trinta anos e se dedica ao trabalho artesanal desde então. “Nossa mente tem que estar sempre ocupada para não envelhecemos. O trabalho manual é único, para mim representa motivo de alegria e sucesso. Amo tudo que faço, é minha segunda renda familiar. Muito bom pra nossa autoestima receber um elogio por termos feito uma peça exclusiva”.

Seu trabalho consiste em bordados livres e da vovó, crivos, bainhas abertas, crochês. “Tenho outras técnicas, mas quase não uso por falta de tempo (ponto cruz, vagonites, etc.). O meu forte é o crivo e as bainhas abertas todos brancos no branco. O bordado mais clássico e fino, melhor para vendas. Dou aulas no Ateliê das Artes no Shopping Bosque dos Ipês. Não cobro as minhas aulas pois quero deixar seguidoras quando não estiver mais aqui neste universo. Somente o kit, R$ 25.00 para iniciantes”.

Bordados de Carmen Barcelos – Fotos: Acervo pessoal das artesãs

A artesã está muito feliz por estar sendo homenageada: “Sinto-me muito orgulhosa. Tudo o que fiz e faço tem um pouco de mim. Este reconhecimento só veio me motivar mais a continuar no caminho de felicidade e realização pessoal. Agradeço às pessoas que me escolheram para essa homenagem. Gratidão eterna a vocês parceiras e amigas de jornada”.

Para quem está começando no artesanato, Carmen aconselha a “correr atrás de seus sonhos.  Vale a pena, nos leva ao crescimento em todos os sentidos emocionais e cada criação nova é um filho que nasce.  Sigam seus desejos e sucesso”.

Beth Marquês trabalha com artesanato gerando renda há 20 anos. “Antes eu já fazia esculturas em madeira, trabalhava com cerâmica, mas era só em casa, como hobbie, era uma coisa que eu sempre gostei de fazer. Eu comecei a brincar com barro na beirada do rio, eu sou de Ponta Porã, a gente foi criada lá na fazenda, eu brincava de barro ali, já pegava a cerâmica, e fazia panelinha, fazia escultura, sempre gostei de fazer rosto, bunda, eu sempre fazia alguma coisa. Lá em casa eu pegava os tocos da fazenda e fazia uns toquinhos para a gente sentar, esculpia, fazia rosto, fazia carranca, sempre gostei desse negócio. Mas com o tempo eu vim trabalhando, e aperfeiçoando, e aprendendo a lidar com a cerâmica. Antes eu trabalhava com flor desidratada, com bonsai, também já vendendo, gerando renda para mim, e fui assim. Hoje eu me sinto ceramista. Sou uma ceramista, gosto do que faço, sou uma artista popular, gosto de fazer onça, essas coisas”.

Beth Marquês – Fotos: Acervo pessoal das artesãs

O artesanato, para Beth, representa o seu viver. “É uma coisa que eu gosto de fazer, é uma coisa que me deixa feliz, e é uma coisa que eu faço para ganhar o sustento de cada dia, é através dela que eu consigo sobreviver muito bem, graças a Deus. Eu consegui ajudar o meu filho a se formar, tudo através da cerâmica, tudo através do artesanato, o artesanato voltado ao regionalismo, o artesanato voltado para venda pra turista, é o meu viver”.

“Eu me sinto honrada em ser homenageada este ano, porque nós somos tantos artesãos que trabalhamos para o nosso sustento, trabalhamos junto com a Fundação de Cultura, junto como Sebrae. O Sebrae foi um divisor de águas na minha vida. Teve antes do Sebrae, quando eu ganhava muito pouco, vendia em barracas. Hoje não, hoje eu sou uma artesã que consigo me sustentar muito bem, então me sinto honrada, muito honrada em estar representando esse grupo nosso, de pessoas que têm o brilho na alma através do artesanato. É onde me clareia, é onde eu sou feliz, então me sinto muito, muito honrada em ser homenageada e agradecendo a essa homenagem, à Fundação de Cultura, à Katienka, nossa gestora, a todo esse grupo, eu sou muito agradecida”.

Beth Marquês – Fotos: Acervo pessoal das artesãs

Beth acredita que a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, por meio da Gerência de Desenvolvimento de Atividades Artesanais, tem trabalhado muito pelos artesãos. “Trabalhando para que vendamos, para que ganhemos dinheiro. Eu acho que somos valorizados, estamos sendo valorizados, todos os artesãos do Estado. Depois desse chamamento na mídia de eu sendo homenageada, de eu estar dando um curso online, uma aula online no Sebrae, nossa, teve um monte de gente me procurando no Facebook, no meu telefone mesmo, então eu acho que valorizou, eu acho que chamou muitos artesãos também, todos eles que estão se jogando na mídia, se colocando, todos esses grupos de artesãos que estão se movimentando foi através desse chamamento da Fundação de Cultura”.

Para quem está começando no artesanato, a ceramista diz que é uma profissão para quem precisa também ficar em casa, atendendo seus filhos. ”Porque eu comecei assim, porque eu não queria deixar meus filhos sozinhos, eu achava importante eu estar junto. Então eu digo: é uma profissão boa, se profissionalize, vá atrás, faça cursos, o Sebrae dá um monte de cursos, procura a Fundação de Cultura, ela vai te orientar como fazer, como começar, é uma profissão, que se você trabalhar, se dedicar, você consegue ter um sustento. É uma profissão que só basta você trabalhar e correr atrás, procurar uma coisa que é regional, procurar uma coisa que é vendável, nós trabalhamos com muito turista, as feiras promovidas pela Fundação de Cultura junto com o Sebrae são para vendas. Se você voltar pro regional, todo mundo que estiver começando, tem que ir pro regionalismo, se você se voltou para algum produto regional, de algum ícone de Estado, alguma peça que tem fundo regional, você vai ganhar dinheiro”.

Mais informações sobre a Semana do Artesão na Gerência de Desenvolvimento de Atividades Artesanais pelo telefone (67) 3316-9107.

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