Demora na publicação do edital da Cedae coloca em risco investimento de R$ 31 bilhões para levar saneamento a 13 milhões de pessoas no Rio de Janeiro

Operadores privados temem que essa demora possa arrefecer o apetite dos investidores interessados no maior projeto de infraestrutura em curso no país ao estender esse debate para o ano que vem, quando novos prefeitos serão empossados

Investimentos diretos de R$ 31 bilhões, mais pelo menos R$ 10,6 bilhões nos cofres públicos e um plano para universalizar água e esgoto entre 13 milhões de pessoas em 12 anos. De quebra, a sonhada despoluição da Baía da Guanabara e também do sistema lagunar da Barra da Tijuca, além da recuperação da bacia do rio Guandu, que abastece a maior parte do estado do Rio de Janeiro.

Foto: Agência Brasil/ABr

Todo esse cenário positivo para a população fluminense aguarda a definição do governo estadual para sair do papel.

Após passar pela fase de audiências públicas, o leilão de concessão da Cedae modelado pelo BNDES está pronto para acontecer ainda este ano, como previsto, mas aguarda o sinal verde do Palácio Guanabara.

A indefinição é vista pelo mercado como uma temeridade diante do impacto econômico e social que a entrada de novos operadores traria para os serviços de água e esgoto no Rio de Janeiro. A concessão de serviços de saneamento hoje prestados pela Cedae em quatro blocos de municípios é o maior projeto de infraestrutura em curso no país.

“O modelo de licitação proposto para a concessão da Cedae já passou pelo crivo das autoridades e das audiências públicas e representa um avanço inestimável, com ganhos enormes para o estado e a população. Temos operadores privados e investidores interessados e prontos para investir. Estudos feitos pelo BNDES demonstram que com a concessão será possível fazer em 12 anos o que a Cedae faria em 140 anos no ritmo atual de investimento. Quantas gerações ainda precisarão esperar para ter saneamento? Os cariocas e o Rio de Janeiro têm pressa”, defende Percy Soares Neto, diretor executivo da ABCON, associação dos operadores privados de saneamento.

Leilão da Cedae em números

  • PPP de água e esgoto (Cedae permanece responsável pela produção de água)
    47 municípios, divididos em 4 blocos, cada qual com uma região da capital
  • Investimento: R$ 31 bilhões (R$ 12 bilhões nos primeiros cinco anos)
  • Favelas não-urbanizadas do Rio de Janeiro receberão investimento mínimo de R$ 1,86 bilhão em água e esgoto
  • 46 mil empregos diretos
  • População beneficiada: 13 milhões (90% da população atendida pela Cedae)
  • Tempo de concessão: 35 anos
  • Critério de seleção: outorga maior valor por bloco (valor mínimo total: R$ 10,6 bilhões, dos quais 80% irá para o estado, 15 irá para os municípios e 5% para um fundo metropolitano)
  • Meta: Universalização dos serviços em 12 anos

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