Outubro, mês de conquistas e celebrações

Mês de importantes conquistas na História, outubro também conta com importantes celebrações de referências pessoais que, presentes ou em memória, participam de nossa luta por uma sociedade melhor.

Há pessoas que se refugiam nos signos zodiacais, astrais ou mitológicos. Mas há também aquelas que procuram na História uma forma de concatenar processos, conquistas ou condutas para tentar estabelecer um fio condutor capaz de explicar certa correlação de personalidades ou momentos que de alguma forma contribuíram para transformar povos, comunidades ou pessoas ao longo da Vida.

Indiscutivelmente, o mês de outubro traz para o Brasil nos últimos 32 anos emblemático marco transformador: a promulgação da Constituição Cidadã, a 5 de outubro de 1988. O Deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e líder da maior frente partidária de oposição ao regime de 1964, nascido nesse dia, décadas antes daquele evento, é uma das referências de minha geração cuja coragem e determinação não podem ser esquecidas. Como não esqueceremos o retirante que a História revelou um dos maiores estadistas dos últimos 150 anos, dentro e fora do Brasil: o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou o País num patamar de respeito e reconhecimento como poucos o fizeram na conturbada vida republicana, seja no enfrentamento da miséria secular ou na tentativa de adoção de políticas de reparação da desigualdade social.

Já no plano mundial, outubro é emblemático porque celebra a vitória bolchevique sobre a nobreza medieval, tirânica e decadente russa, liderada por Vladimir Ilych Ulianov, Lênin. Gostemos ou não de seus ideais, o fundador da União Soviética liderou com seiva, sabedoria e determinação uma nação em estado de pré-indigência e a transformou em superpotência em menos de 30 anos, a ponto de o Ocidente ter precisado se reinventar para não capitular diante da efervescência de suas ideias ao derrotar eloquentemente o III Reich e seus satélites, dentro e fora da Europa.

Igualmente, o líder Mao Tsé Tung, fundador da República Popular da China, hoje a maior potência econômica do planeta, derrotou em outubro de 1949 a então maior potência colonial, Grã-Bretanha, e aliados, tirando-a de um regime com características feudais e transformando-a na segunda maior economia industrial do mundo. Mesmo havendo quem encontrasse motivos para questionar, Mao reafirmou o marxismo-leninismo uma doutrina libertadora do milenar povo chinês rumo ao século XXI. Tudo isso em menos de 40 anos, disputando com os camaradas soviéticos a hegemonia daquilo que compreendiam como a doutrina de superação do imperialismo.

Nem tudo é festa, claro. No funesto 8 de outubro de 1967, fantoches dos Estados Unidos, comandados pelo general-ditador boliviano René Barrientos Ortuño, atiraram contra o corpo de um homem que já não oferecia qualquer ameaça. A ameaça estava nos ideais do médico argentino Ernesto Rafael Guevara de La Serna, consagrado pela História como “Che”, líder da emancipação dos povos explorados pelo mundo afora, entre os quais os latino-americanos. Não satisfeitos de assassiná-lo covardemente, deceparam-lhe as mãos para entregá-las como troféu para seus amos estadunidenses (só não lhe arrancaram a cabeça para enviá-la ao carrasco Lyndon Johnson porque um servidor de carreira da Polícia Federal Argentina impediu que seu conterrâneo tivesse o cadáver profanado).

Outubro, além de celebrar tais momentos emblemáticos da trajetória humana ao longo da História, também é tempo de celebração entre nós do aniversário do meu saudoso e querido Pai Mahoma Hossen Schabib; do meu grande e querido Amigo, Senhor Jorge José Katurchi, Companheiro há quase 30 anos do Pacto Pela Cidadania, que completa 94 anos de Vida com lucidez e saúde invejáveis, embora tenha motivos para não fazer festa, pois uma das almas gêmeas que trouxe para o mundo eternizou-se há pouco mais de um mês; o igualmente querido Amigo Raul Valle Herrera, há algumas décadas na capital, também celebra seu quarto pentadecanato, porque ele tem essa capacidade de “acumular juventude”, no dizer de nossa Amiga e Companheira Estela Márcia Rondina Scandola, cujo aniversário é também nestes dias.

Outra Amiga e Companheira de jornadas memoráveis é a pesquisadora Sílvia Maria Costa Nicola, primeira pesquisadora da então UEPAE (e desde 1984 CPAP, Centro de Pesquisas Agropecuárias do Pantanal), hoje Embrapa Pantanal. À época Mestre em Ciência Animal e Pastagens, essa querida Amiga soube abrir perspectivas na área da Pedologia com uma instituição francesa similar, a ORSTOM, presidida pelo saudoso Pedólogo Allan Ruellan, correligionário e amigo do Presidente François Mitterrand, que focou no Nordeste e no Pantanal do Brasil importantes esforços para o desenvolvimento da agricultura familiar.

Hoje o outubro não é só vermelho, como também é rosa pelo enfrentamento inadiável de uma das manifestações de câncer mais avassaladoras e trágicas: o câncer de mama. É que, sobretudo com o distanciamento social causado pela pandemia de covid-19, este ano a incidência de casos aumentou em relação aos anos anteriores. Assim como a Mãe Terra está sofrendo pelos desatinos e ganância de uma ínfima minoria de “donos do mundo” que põe fogo em tudo, as mulheres padecem, além da violência doméstica, da misoginia e do assédio moral, as consequências da falta de políticas públicas que deem eficácia e eficiência às medidas preventivas de doenças de grande mortalidade como o câncer de mama, cujo diagnóstico precoce assegura uma vida longeva e com qualidade às mulheres, e homens também, de todas as idades.

Vida longa e muita saúde a todas e todos, na certeza de que com ânimo, sensatez e lealdade venceremos todas as adversidades, a começar pela falta de empatia, o respeito pela outra, pelo outro…

*Ahmad Schabib Hany

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