Isaac Bardavid, ator e um dos grandes nomes da dublagem brasileira é uma das estrelas de longa-metragem

Ator Isaac Bardavid – Fotos: Acervo Pessoal

Isaac Bardavid – Aos 89 anos, o carioca filho de judeus turcos, é para muitos brasileiros, uma voz. E que voz. Pioneiro da área no país, em 60 anos ele já foi a voz de centenas de personagens, além da trinca mais famosa: Esqueleto, Tigrão e Wolverine.

Apesar de ser mais lembrado por seu trabalho como dublador, Isaac Bardavid também é ator. Aliás, essa é uma exigência para se trabalhar com dublagem. Ele tem inúmeros trabalhos no teatro e na TV, e diz ter preferência pela arte de atuar. A primeira peça, foi Dias Felizes (1949), de Maria Jacintha, ao lado de Dalila Geraldo, Nely Rodrigues, Nicette Bruno, Narto Lanza, e Roberto Galeno. “Só me reconhecem pela voz. Eu me sinto espantado, às vezes curioso e às vezes um pouco até chateado. Eu sou ator. Comecei a fazer teatro em 1948, faz muito tempo. Gostaria que as pessoas me reconhecessem pela imagem também”, revela. Preocupado com o sustento da família, Bardavid formou-se em Direito em 1976, chegando a atuar no Tribunal Marítimo, mas acabou por seguir a carreira na dramaturgia. É com seu talento, digamos, invisível que Bardavid ganha mesmo a vida. Ele calcula ter dublado entre 40 mil e 45 mil filmes, alguns deles, como Guerra nas Estrelas, mais de uma vez, reproduzindo as falas de Alec Guinness como Obi-Wan Kenobi.

No teatro fez por volta de 50 peças: entre elas, montagens históricas como O Santo Inquérito, de Dias Gomes, dirigido por Ziembinski, com Paulo Gracindo e Eva Wilma; Gota d’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, com Bibi Ferreira, e Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, com Raul Cortez e Ary Fontoura.

Em 1970 o ator atuou na novela Irmãos Coragem, na Rede Globo. Na mesma emissora, fez inúmeras novelas, como Selva de Pedra, Fogo Sobre Terra, O Feijão e o Sonho, Locomotivas, O Astro, A Viagem, O Cravo e a Rosa, Salve Jorge, Chocolate com Pimenta e Dois Irmãos. Um de seus personagens mais marcantes foi o tirano feitor Seu Francisco na primeira versão da telenovela Escrava Isaura.

Na Globo trabalhou em minisséries e programas como Os Trapalhões. Entre 2006 e 2007 interpretou o turco Elias em Sítio do Pica Pau Amarelo. Isaac trabalhou na TV Manchete, atuando em Dona Beija, Ilha das Bruxas e Tocaia Grande. Na Record, fez Rei David e Milagres de Jesus. Em sua extensa lista de trabalhos temos ainda as séries Mandrake do canal HBO e Cilada, do Multishow, entre outras.

No Cinema estreou em 1968, em à Virgem Prometida, seguido de Um Sonho de Vampiros; Os Campeões; Josef Mengele – My Father, Rua Alguém 5555, uma produção norte americana filmada no Brasil, que mostra a vida de Josef Mengele (interpretado por Charlton Heston) – o médico de Hitler, no Brasil. De origem judaica, Isaac interpretava um judeu que protestava contra Mengele; O Escaravelho do Diabo, Pecado Vermelho, Carcereiros – O Filme, e mais recentemente, Karsmênia.

Em 2016, Bardavid lançou um livro de sonetos, Versos Adversos, com poemas que acumulou na gaveta por quase 70 anos. Muitos estão no YouTube, declamados por ele mesmo.

“Eu não me considero um poeta. Sou um cronista que escreve em forma de versos, por que escrevo aquilo que vejo na rua, que me toca de uma forma ou de outra, que me diz algo politicamente, em termos de justiça, de dor, de amor. Na minha arrogância, abordei de Deus à bunda. Todos os poetas, desde Shakespeare, escreveram versos de sacanagem. São todos seres humanos”, justifica.

Isaac Bardavid e o Pecado Vermelho

No longa Pecado Vermelho, Isaac Bardavid é o Sr. Dompson – embaixador do Brasil no México, que vai até o protagonista, detido na estação migratória, entregue à própria sorte e sem vontade de viver.

Dompson conhece bem as péssimas condições daquele lugar, e aparece com o objetivo de saber mais sobre esse homem e convencê-lo a voltar para o Brasil. João Pedro (Pedro Pauleey) acaba fazendo uma reflexão narrativa da sua existência até aquele momento, estimulado por Dompson.

“O Sr. Dompson é um homem bondoso e generoso. Ele é mais uma das representações humanas da Pombagira Cigana da Estrada – protetora espiritual do protagonista João Pedro, e tem a força da entidade em suas falas. Um personagem praticamente episódico, apesar de aparecer ao longo do filme em cenas intercaladas”.

“Nessa idade é difícil a gente arranjar uma colocação, as pessoas vão esquecendo a gente. Me senti muito honrado com o convite por esse reconhecimento do meu talento e capacidade de produzir arte. Eu gostei muito de fazer o filme, e na ocasião foi muito importante porque…como eu tenho por hábito dizer… o trabalho mais importante da vida da gente é sempre aquele que a gente está fazendo naquele momento… então, naquele momento o Pecado Vermelho era a coisa mais importante que havia na minha vida profissional”, conclui Isaac.

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