Pandemia: poder de compra cai no DF e no MT. Em Goiás e no Mato Grosso do Sul houve um pequeno aumento

Foto/Arte: Edno Paulista

Consumidores das regiões Nordeste e Norte foram os que menos perderam poder de compra desde o começo da pandemia de Covid-19. A constatação é de um estudo produzido pelo pag! (http://www.meupag.com.br/), fintech que está entre os maiores bancos digitais do Brasil, já teve mais de 8 milhões de pedidos pelo seu produto e possui 700 mil clientes ativos. O levantamento foi realizado entre os dias 20 de março e 20 de julho deste ano.

De acordo com o levantamento, o Pará foi o lugar onde esse índice mais avançou, superando a casa 9 pontos percentuais no período. Houve crescimento também em outros Estados do Norte e na região Nordeste, com variações positivas de 1,7 a 6,94 p.p. Os gastos dos habitantes de Minas Gerais (+2,63) e Espírito Santo (+0,75) também subiram ligeiramente no período, bem como em Goiás (+ 2.23) e no Mato Grosso do Sul (+ 1.47).

Em contrapartida, os gastos diários dos moradores de São Paulo e Rio Grande do Sul diminuíram 8,25 e 5,64 pontos percentuais, respectivamente. Também houve queda no Rio de Janeiro (-3,94 p.p), no DF (-1,92 p.p) e no Mato Grosso (- 1.47 p.p).

Segundo o Felipe FelixCEO do pag!, uma das razões para essa diminuição pode ser explicada pelos diferentes comportamentos de consumo nessas regiões. “No Norte e no Nordeste, os impactos foram menores porque os gastos das famílias são mais focados em produtos de primeira necessidade como alimentação e moradia, por exemplo. Já os consumidores de São Paulo e do Rio Grande do Sul costumam reservar mais espaço no orçamento para itens tidos como não essenciais”, explica.

Outro dado trazido pelo estudo do pag! foi o de gasto médio por ramo de atividade básica (MCC, na sigla em inglês), que indicou redução de 50% nos desembolsos destinados para a Educação. “É um indicador preocupante e com impactos de longo prazo, caso essa diminuição ocorra por um período muito extenso”, alerta Felix.

Além disso, o levantamento mostrou que os gastos com peças de vestuário (-25%), combustíveis (-30%) e, naturalmente, viagens (-60%) foram os mais impactados no período. Por outro lado, os desembolsos com moradia e eletrônicos aumentaram 30%, enquanto os valores destinados a cuidados com os pets e compras de supermercado cresceram cerca de 20%.

Um alento no horizonte. A análise mostrou que até o final de março era possível identificar queda de até 40% no gasto médio das famílias brasileiras, tendência que começou a ser revertida já em abril e se manteve crescente nos meses de maio, junho e julho. “O maior uso do cartão de crédito e meios digitais de pagamento, o auxílio emergencial liberado pela Caixa, o rápido avanço do e-commerce e a reabertura gradual dos diversos setores tiveram influência positiva nos dados”, detalha o CEO do pag! .

As ‘compras de mês’ estão de volta. Com o avanço da pandemia, o hábito de ir ao supermercado várias vezes durante a semana foi substituído pelas grandes compras de mês – uma rotina bem conhecida de quem viveu nos anos 80. “Com isso, o tíquete-médio por compra acabou aumentando a partir de março, passando de R﹩ 80 para a casa de R﹩ 90 nos meses de maio, junho e julho.”

Sobre o levantamento. O estudo foi realizado a partir de uma consulta ao banco de dados da empresa e leva em conta os gastos no cartão de crédito de cerca de 700 mil clientes do pag!. A análise não traz quaisquer dados confidenciais que permitam a identificação dos consumidores.

Na comparação entre Estados do Sul, Santa Catarina foi o que teve a menor queda nos gastos diários (-1,2). No Paraná a redução foi de 2.14 p.p.

Em todos os Estados do Nordeste os gastos diários dos habitantes da região subiram durante o período analisado: Piauí (+5.74 p.p), Alagoas (+ 5.62 p.p), Maranhão (+5.43 p.p), Ceará (+ 4.89 p.p), Paraíba (+ 3.63 p.p), Rio Grande do Norte (+ 3,42 p.p), Bahia (+ 3.27 p.p), Sergipe (+ 3.21 p.p) e Pernambuco (+ 1.75 p.p).

No Norte, os destaques além do Pará foram os Estados do Acre (+ 6.8 p.p), Amapá (+ 6.63 p.p) e Amazonas (+ 3.56 p.p). Roraima (-0.71 p.p) foi o único Estado que registrou queda no índice.

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