Período de queimadas se aproxima: uma análise estratégica

O período de queimadas no Brasil é bem definido? O número de queimadas ocorre de forma semelhante para todas as regiões do Brasil? Estamos entrando no período de queimadas? Essas e outras perguntas sobre o tema costumam ser feitas por grandes empresas que têm suas atividades impactadas por essas ocorrências no decorrer do ano. Um bom exemplo são as empresas de transmissão de energia que historicamente sofrem com interrupções em suas linhas de transmissão devido à pluma de material particulado que as queimadas geram. Por outro lado o setor de distribuição de energia também precisa garantir o mapeamento e alerta dessas informações em seu planejamento e dia a dia operacional mediante o abastecimento de energia para toda população. Para responder algumas dessas perguntas foi gerada pelos autores uma climatologia média mensal de queimadas por bioma no Brasil. Os dados são provenientes do sensor MODIS embarcado nos satélites TERRA/AQUA. No balanço anual, a Figura 1 mostra comparativamente a quantidade de pixels classificados como área queimada por bioma, o que nos possibilita abordar uma série de análises sobre o tema.

Figura 1: Média climatológica mensal de queimadas por bioma no Brasil.

  • Nota-se um período muito bem definido do aumento do número de área queimada a partir de Julho até novembro.
  • Destaca-se que o bioma Cerrado é o que apresenta maior ocorrência de área de queimada no período crítico do ano.
  • As queimadas têm ligação com o tempo seco, mas o pico de queimadas ocorre com defasagem em relação ao período mais seco do ano.

Para explicar esta defasagem é importante ressaltar que climatologicamente o período seco no Brasil é marcado entre os meses de Maio a Agosto, meses de outono e inverno. Neste período, a Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) se aproxima do continente. Esse sistema de alta pressão ajuda a inibir a formação de nuvens e favorece um tempo mais seco. Por isso, a umidade relativa fica mais baixa no interior do país, tornando o ambiente próspero para a proliferação de queimadas, sempre levando em consideração o tipo de solo/vegetação. Em setembro, a ASAS começa a se afastar e já acontecem as primeiras pancadas isoladas de chuva, geradas por calor e por umidade. Apesar disso, até essa data, a vegetação já sofreu por um longo período de tempo seco interagindo com o aumento gradual de temperatura, o que tende a favorecer o pico de formação e ocorrência de queimadas neste mês.

Os biomas possuem diferentes tipos de solos, características climáticas e extensões territoriais. Por isso, os valores de queimadas diferem bastante de um bioma para o outro. O Cerrado, por exemplo, possui grande extensão territorial, além de ser composto por áreas dentre as mais secas do país. Por isso, é o bioma que mais queima no Brasil. Além disso, vale ressaltar que as queimadas de origem natural exercem papéis importantes na

natureza, por exemplo, esses fenômenos são responsáveis por parte substancial do transporte de nutrientes do Cerrado para a Amazônia.

Figura 2: Divisão de Biomas no Brasil. Fonte: IBGE.

Hoje em dia, as empresas do setor elétrico, principalmente as transmissoras e distribuidoras tem investido cada vez mais em tecnologias para o monitoramento das redes elétricas e linhas de transmissão. Como exemplo de tecnologias mais utilizadas nos dias atuais, temos os sensores a bordo de satélites de órbita baixa e de satélites geoestacionários, monitoramento com o auxílio de drones e de vants (veículo aéreo não tripulado), uso de câmeras termais e sistemas de radares meteorológicos. Porém, como isso funciona na prática?

Para agregar nessa árdua tarefa, a Climatempo vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos um produto focado no monitoramento em tempo real de focos de incêndio e na construção de um banco de dados robusto para ocorrência desses focos em todo o Brasil. Para ilustrar esse monitoramento, segue abaixo um exemplo real com uma grande empresa de transmissão de energia.

No dia 06/05/2020, houve uma queimada em uma área próxima a Linha de Transmissão. Devido à ação do vento, a queimada se deslocou e o material particulado atingiu as linhas de transmissão, o que resultou na interrupção de energia. A figura 3-A mostra uma foto tirada pelo observador, registrando a localização da área queimada.

Figura 3-A

Por outro lado, ao analisar a Figura 3-B, nota-se no sistema de monitoramento que o ponto de queimada já estava sendo monitorado para a faixa de servidão da LT.

Figura 3-B

Após o final de uma temporada de queimadas, o histórico de registro fica guardado por faixa de servidão para a busca por dias específicos ou até mesmo para criar densidades e médias de queimadas por meses específicos.

Qual o melhor sensor para monitoramento remoto de acordo com a operação de sua empresa? Entender melhor a relação de custo/benefício na escolha da tecnologia de monitoramento pode ser um diferencial para o sucesso na operação.

*Meteorologistas Vitor Hassan e Filipe Pungirum.

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