A Herança de Sampaio!

Prefeito José Francisco Mendes Sampaio – Foto: Arquivo

A vida nas regiões de fronteira possui uma dinâmica própria, que em muitos sentidos desafia a ordem nacional e seus mecanismos de controle e vigilância, transcendendo o dogma da soberania. Por outro lado, é justamente pelo contato com o “outro”, que o Ladarense e o Corumbaense se forjam na amizade e reafirmam a construção do sentimento de pertencer a cidades irmãs, diferentemente de outras áreas centrais do Estado. Por isto as decisões das prefeituras, não podem ser encaradas como uma via de mão única, em que o Estado é o único agente produtor de identidades, definidor dos seus limites e de sua própria história, isto é, que as definições da nossa cidade, a partir da vida e relato de seus moradores, possuem um papel fundamental (e muitas vezes ignorado) na formação das políticas públicas.

Ainda é quente a ideia de acreditar nas primeiras medidas que nos permitirão, no futuro, unir as propostas levantadas pela população, de integrar um conjunto de pessoas para pensar nas saídas para os problemas de nossa cidade. Isso já havia sido buscado com o olhar de uma definição, outrora reclamada com veemência pelas autoridades e munícipes; que seria a regularização de nossos limites territoriais. Há mais de uma década, um requerimento do deputado federal Vander Loubet, atendendo solicitação do prefeito José Francisco Mendes Sampaio, estava sendo analisado pelo Ministério das Cidades. Vander, na ocasião, recorreu ao ministro Márcio Fortes para que oferecesse uma diretriz a demanda.

Tive acesso ao material protocolado e o Deputado Vander apontava a seguinte expressão: “Essa questão é seríssima e, por perdurar há mais de cinco décadas, e vem causando graves prejuízos econômicos e sociais aos ladarenses, além de ferir os direitos constitucionais da população e contrariar dispositivos pontuais do Estatuto das Cidades” além de reforçar os apelos que vinham sendo feitos pelo prefeito Mendes Sampaio.  Ladário e Corumbá são cidades germinadas – a distância entre ambos é de aproximadamente 6 km. Abriga o VI Distrito Naval, possui população próxima de 20 mil habitantes e é um dos pontos históricos e turísticos mais importantes na região pantaneira.

Em Ladário (MS) – Foto: Divulgação

O Prefeito Municipal de Ladário José Francisco Mendes Sampaio, na época, não se deu satisfeito e foi a capital acompanhado do vereador Oswalmir Arruda e com apoio do deputado estadual Ary Rigo, conversaram com o desembargador Hildebrando Coelho Neto (Corregedor do Tribunal de Justiça de MS), onde solicitaram a regularização das escrituras de terras que se encontram dentro dos limites territoriais do município, mas registradas como sendo pertencentes a Corumbá. O argumento de Sampaio explicava que o cartório de registro de imóveis pertence a comarca de Corumbá, “talvez por isso as escrituras estariam sendo registradas naquela cidade, convencido Hildebrando orientou ao cartório que fizessem a notificação dessas escrituras que estão irregulares e a transferências das matriculas para o município.Isso é história e são fatos verídicos.

Eis que numa quinta-feira, 27 de dezembro de 2012, novamente se reuniram o então prefeito de Ladário José Antônio Assad e Faria, o atual, também presente, como vereador, Pastor Iranil Lima, e o de Corumbá, Ruiter de Oliveira, que naquela data afirmava: “Temos que de fato ver que precisamos formar uma região. É necessário trabalhar em conjunto para o bem das duas cidades”, destacou. O chefe do Executivo corumbaense lembrou também a importância da parceria, que resultou, em 2010, após articulações com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que Ladário passasse a receber recursos provenientes da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Para finalizar, nós que gostamos de viver nessa terra, e tiramos dela o nosso sustento honestamente, estaremos sempre prontas para contribuir, no debate, em um dos temas que certamente valorizarão a população Ladarense e Corumbaense, e certamente trará luz a algumas dúvidas que ainda persistem, por décadas a fio.

*Agente Cultural e Acadêmica de Educação Física.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo