Motivos fracos, dor forte!

Caminhada – Foto: Divulgação

Hoje, primeiro de junho, lembrei de um sábado em Ladário, que assim como outras mulheres fizemos uma caminhada saindo da Rua Corumbá, em frente à Prefeitura, seguindo em Direção à Rua Cunha Couto, passando pela rua Conde de Azambuja, sentido a Av. 14 de março até chegar ao Coreto. Algo inimaginável neste momento aonde com mais 79 exames positivos para coronavírus (Covid-19) nas últimas 24 horas, o número de casos confirmados da doença no Estado chega a 1.568.  Dos 1.568 casos confirmados, 952 estão em isolamento domiciliar, 532 estão sem sintomas e já estão recuperados. 65 estão internados, sendo 23 em hospitais públicos e 42 em hospitais privados. Um paciente internado é procedente de fora do Estado. Foram registrados 20 óbitos.

Lembrei também de uma peça teatral do grupo Tesouro Pantaneiro, formado por integrantes da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Ladário – AAPIL, que não falava de Coronavírus, mas falava de um tema que matou muito mais, e de forma mais violenta pois muitos são realizados na frente dos filhos. Os mecanismos jurídicos, apesar de existirem, na prática não parecem diminuir os casos que acompanhamos todos os dias pelos jornais. As medidas protetivas não são usualmente respeitadas. Mulheres que perderam suas vidas após serem esfaqueadas, asfixiadas, baleadas, atropeladas. Os crimes foram motivados na maioria dos casos, segundo a polícia, por duas razões: ciúmes ou porque os homens não aceitaram o fim do relacionamento. Destaque também para motivos fúteis, como no caso da aposentada morta pelo sobrinho e, no mais recente, em que o marido atirou no rosto da esposa porque a TV do casal não funcionava, ou a de ontem, em Corumbá porque uma mulher espancou a “amada” de 25 anos, em plena Rua Cuiabá, por demorar ao comprar cerveja.

Aliás falando de Corumbá, tivemos o caso da professora Nádia Sol, 38 anos, assassinada com 36 facadas pelo ex-companheiro, e que também tive a oportunidade de participar da caminhada, comemorando o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, e lembrando um ano da morte da professora. Com cartazes e bandeiras brancas, também foi pedido o fim da violência contra a mulher. Nádia foi morta no dia 10 de março de 2019. Para se ter uma ideia, em 2020, até aquela data, 46 casos de violência doméstica foram registrados. Em Ladário, eram 10 casos. Em 2019, Corumbá teve um total de 199 casos e Ladário, 48. Em 2019 foram mais de 3 mil denúncias. A professora Nádia Sol Neves Rondon, 38 anos, foi morta em 2019 com 36 facadas no dia 10 de março, dia de seu aniversário.

Professora Nádia Sol Neves Rondon e Edevaldo Costa Leite – Fotos: Divulgação

Ela havia saído com amigas para comemorar o aniversário e quando retornou para casa, na alameda Adelina, bairro Universitário, foi atacada pelo ex-companheiro, Edevaldo Costa Leite, na época com 31 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Os golpes atingiram as costas, tórax, rosto e braços. Testemunhas ainda disseram que viram o homem arrastando a vítima pelos cabelos para a rua e acionaram a Polícia. Uma educação forte e apoio do poder público é essencial nessa mudança de comportamento.

Ainda não temos muitos estudos do aumento da violência contra a mulher nesta fase de distanciamento social, mas certamente a aproximação com desafetos, a separação e fim de relacionamentos, a falta da condição de dialogar e o ciúme desenfreado, são certamente ingredientes dessa triste situação. Mato Grosso do Sul tem um feminicídio a cada 26 dias. 1º de junho, é o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A data foi instituída por meio da Lei Estadual nº 5.202, em memória do falecimento da jovem Isis Caroline, ocorrida em junho de 2015, registrada como o primeiro feminicídio no Estado.

*Agente de Assuntos Culturais

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