Sistema CFQ/CRQs e ABIPLA alertam para perigo de equipamentos instalados em vias públicas para “descontaminar” pessoas

O Sistema CFQ/CRQs e a Associação Brasileira de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA) divulgaram nota em conjunto sobre a instalação de equipamentos em vias públicas, supostamente destinados a eliminar cargas virais, entre elas a de Covid-19, que as pessoas teriam em suas roupas.

As instituições são contra a medida e alertam para os perigos, uma vez que nenhum desinfetante deve ser utilizado para a descontaminação de pessoas. Esse produto não é considerado antisséptico de uso tópico. “Desinfetantes são produtos químicos tecnicamente classificados como saneantes e, como tal, devem ser aplicados exclusivamente sobre superfícies inanimadas”, diz a nota.

Para que um produto químico possa ser aplicado sobre a pele, ele deve estar enquadrado, de acordo com a legislação vigente, na classificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como produto de higiene pessoal, cosmético e perfume. Este é o caso do álcool gel para as mãos. Há também os produtos classificados como medicamentos, que seguem regulamentos específicos.

A nota também chama a atenção das autoridades e da população para o fato que não há estudos científicos que comprovem a eficácia do uso desse tipo de desinfecção ou de higienização para eliminar microrganismos que eventualmente possam estar depositados em roupas.

A Anvisa, inclusive, já se manifestou sobre o assunto na Nota Técnica nº 34/2020, que diz que “em relação ao uso de sistemas de desinfecção por meio de um túnel onde são pulverizados produtos desinfetantes diretamente sobre as pessoas, não existe nenhuma comprovação de que esta medida seja efetiva contra a pandemia de coronavírus. Não existe literatura científica nem recomendação de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde sobre esta prática”.

Sistema CFQ/CRQs convoca responsáveis técnicos

O Sistema CFQ/CRQs informa ainda que está convocando os Responsáveis Técnicos pelas empresas químicas para que prestem esclarecimentos sobre os estudos que desenvolveram antes de sancionar as soluções noticiadas.

Além disso, o Sistema recomenda à população para não se expor a tais dispositivos de “desinfecção” e sugere às empresas e ao poder público que posterguem investimentos na aquisição de tais equipamentos até que se tenha comprovação de sua eficácia.

“A falsa sensação de segurança que tais dispositivos eventualmente proporcionam pode levar as pessoas a relaxarem nos procedimentos básicos e já consagrados para reduzir o risco de contaminação pela Covid-19: usar máscara, higienizar correta e frequentemente as mãos com água e sabão (ou álcool gel) e evitar aglomerações sociais”.

Confira a íntegra aqui.

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