Marcas na Memória

Ferroviária de Aquidauana – Foto: Divulgação

A 160 metros, acima do nível do mar, toda vez que se aproxima oito de maio, aniversário de emancipação política e administrativa, venho contar mais um pouco da história, da cidade que me acolheu como contador de histórias, me laureou com o título de cidadão e agora publica um dos meus livros, através da Fundação de Cultura. Banhado pelos rios Aquidauana e Taquarussu, fazendo divisa com Aquidauana, Miranda, Nioaque, Bonito, Dois Irmãos do Buriti e Maracaju, tem uma população próxima aos 24 mil habitantes. Inegável é que a história de “Anastácio” está intimamente ligada à de Aquidauana, datando sua origem de 15 de agosto de 1892, marco oficial, sob a égide dos inesquecíveis: Theodoro Rondon, João de Almeida Castro, Augusto Mascarenhas, Manoel Antônio Paes de Barros e Estevão Alves Correa.

Entrementes, este artigo é dedicado ao amigo Luciano Rocha, que em plena quarta-feira, quando o sol desenhava seus traços no céu de Anastácio, me pergunta: Por que Anastácio é dividida de Aquidauana? Outrossim, considerando que a margem esquerda do Rio Aquidauana fora onde se iniciou a atividade comercial de Aquidauana, tem-se o porto de Anastácio como o primeiro núcleo de desenvolvimento aquidauanense. Isso posto, devido ao fato de que naquela época o meio de transporte plausível e frequentemente utilizado, era a navegação fluvial. Ressalto apenas que, as barrancas do rio, em sua margem direita, não eram propícias para a atracação. Em consequência, ao longo da rua Porto Geral, na margem esquerda, surgiram as primeiras casas comerciais e a primeira escola (denominada Coronel Theodoro Rondon).

Prainha de Anastácio – Foto: Divulgação

Assim sendo, o que a priori era um bairro de Aquidauana, nessa levada, foi se tornando um grande centro de abastecimento, devido ao porto que se localizava na margem esquerda. Esse cenário começa a mudar em torno de 1911, quando os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, viceja o município em sua margem direita e a estação ferroviária, passa a concentrar em seu arrebol, um aglomerado urbano que se desenvolve com veemência. Neste diapasão, moradores de cá, sentem-se prejudicados pela Administração Municipal, instalado na margem direita, momento em que se organiza o Movimento de Independência da Margem Esquerda / MIME, que vislumbrava com fervor a emancipação. Nessa labuta reservo o direito de lembrar dos nomes de Almiro Flores Nogueira, o “Seo Belinho” (primeiro prefeito) e David Medeiros Sobrinho, também posteriormente assentado na cadeira mais alta da municipalidade, e enfim, é criado o “Distrito de Paz da Margem Esquerda”. Advogo que, o nome “Anastácio foi escolhido em homenagem ao primeiro morador do povoado, o italiano Vicente Anastácio, cuja residência, foi a pioneira em alvenaria erigida, no povoado. Na esquina das avenidas Manuel Murtinho e Porto Geral.

Para finalizar, desejo ressaltar que a história oral permite que se recupere a versão de pessoas que não tiveram acesso a escrita. Esse modo de expressão prende e envolve o ouvinte, sequestrando-o para o acontecimento. O falar pode ser tão difícil e complexo quanto o ato de escrever, demonstrando que ambos são aspectos desejáveis e importantes para a cultura. Digo isso, porque alguns nomes citados foram anotados pelas conversas que eu tive com moradores antigos e pessoas de estimado conceito, como o ex deputado estadual Cláudio Valério, o ex vice-prefeito Laércio Valério, os vereadores Gilberto José Silva, Lourival José Barbosa, Wander Alves Meleiro, o ex Secretário de Cultura Ademir Alves e José Pedro Frazão da Academia Sul-Matogrossense de letras, o chefe de gabinete Silas Cabral, autor do livro Anastácio, 38 anos, o atual prefeito Nildo Alves de Albres, que determinou que fosse utilizado o material, que sou autor, sobre o “Porto Canuto”, para ser estudado, nas escolas públicas municipais de Anastácio, ao Jornalista Álvaro Barbosa – DRT/MS 212, grande apoiador dos meus textos, e os saudosos Sales de Arruda Braga e Sirnay Moro.

Banda Marcial de Anastácio – Foto: Divulgação

* Articulista, recebeu a medalha do Mérito Pantaneiro por levantar a bandeira das tradições culturais e história regional, em 2015, o título de Cidadão Aquidauanaense em 2010, de Cidadão Anastaciano em 2007, e de Cidadão de Dois Irmãos do Buriti em 2018, além da maior honraria do município, a internacional Comenda Visconde de Taunay, no 54 º aniversário da cidade de Anastácio em 2019.

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