Na capital, empreendedores apostam em delivery para vender na Páscoa

Com a crise provocada pela pandemia do coronavírus, pequenos negócios estão fazendo adequações para driblar queda no consumo.

A pandemia relacionada ao novo coronavírus afetou os planos dos pequenos negócios para a Páscoa neste ano, feriado comemorado no próximo domingo (12).  Apesar das projeções de queda na intenção de consumo, empreendedores campo-grandenses têm buscado alternativas para assegurar as vendas e se aproximar do público.

É o caso da microempreendedora individual Bruna Bornia, proprietária da Rosa Carolina Doceria, que produz de forma caseira e familiar doces diversos. Como trabalha apenas por encomenda, a primeira medida adotada foi adaptar o ritmo de produção à nova realidade. Depois, ela reduziu o prazo para entregas: Antes, seriam necessárias 48 horas para enviar o pedido, hoje são 24.

“Um doce é uma lembrança especial”, afirma empresária da Rosa Carolina Doceria – Foto: Sebrae/MS – Divulgação

Ampliamos o delivery e passamos a ter mais opções à pronta entrega para qualquer dia da semana. Também diminuímos o prazo de encomenda, e estamos investindo no relacionamento com o cliente, enviando mais fotos de opções pelo celular e conversando bastante. Os nossos clientes estão dando muita força”, afirma Bruna Bornia.

Além do tradicional ovo de chocolate, outros produtos têm saído, como brownie de pote e pão de mel. A empresária comenta que, devido à situação de isolamento social, as pessoas têm buscado produtos para presentear à distância. “No final das contas o que importa é que o doce chegue, mesmo com tudo isso que está acontecendo, um docinho adoça um dia, é uma lembrança especial”, acrescenta.

A empresária Andressa Sandri, proprietária da Confeitaria Sweet, trabalha com confeitaria, café e padaria artesanal em um espaço aberto. Apesar das adequações para a segurança dos clientes, afirma que o foco agora é o delivery. O estabelecimento, tocado junto ao sócio Reni Garcia, tinha se preparado para a Páscoa com uma compra grande. Porém, diante da pandemia, os planos foram alterados.

Fizemos um estoque bem farto para a Páscoa, a quarentena nos pegou de surpresa e nos reestruturamos rapidamente com o delivery. Estamos comercializando os produtos no balcão, organizadamente, sem permitir que se façam filas. As funcionárias estão usando equipamentos de proteção e disponibilizamos álcool em gel. Mas nosso foco agora é o delivery, colocamos o catálogo no Instagram e os pedidos têm chegado de forma online”, comenta.

Além disso, ela investiu em produtos diversificados, que têm atendido ao perfil dos clientes do estabelecimento. O catálogo conta com ovos de colher e de casca recheada, e até a colomba pascal, que segundo a empresária, “está tendo bastante aceitação”. “Colocamos também variedade de produtos com chocolates 70% e com chocolate belga diet, e investimos em opções de brindes a bom custo-benefício, e em uma linha de presentes, que são cerâmicas pintadas a mão”, complementa a empresária.

Segundo a analista do Sebrae/MS, Andrea Barrera, apesar da pandemia, existem medidas e oportunidades que podem ser adotadas para minimizar os efeitos nas vendas. Por exemplo, agora é o momento para investir na tecnologia e no relacionamento com os clientes.

É a hora de usar a tecnologia a favor como forma de minimizar a queda nas vendas. As empresas precisam fortalecer sua presença digital, utilizando Facebook, Instagram e WhatsApp como vitrine e lançamento de campanhas. Existem soluções tecnológicas inclusive nos meios de pagamento”, disse.

Neste período, os empreendedores também devem reforçar o planejamento e a gestão financeira do negócio. “É importante rever a produção para adequar à nova demanda e não ter desperdício”, finaliza Andrea Barrera.

Intenção de consumo

Pesquisa divulgada no mês passado pelo Sebrae/MS e o Instituto de Pesquisa da Fecomércio/MS aponta uma queda de 25% na intenção de consumo neste ano na Páscoa em Mato Grosso do Sul. Apesar da redução, o estudo indica pontos positivos: 46% das pessoas comprariam ovo de chocolate, independentemente do aumento do preço – índice que é 10% maior em 2020, em comparação a 2019.

O levantamento ouviu 1.692 pessoas entre os dias 02 e 10 de março, e depois mais 150 foram entrevistadas no dia 17, nas cidades de Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas

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