Câncer de próstata: olhar multidisciplinar é essencial no tratamento ao paciente

Especialista destaca a importância de aliar a terapia oncológica com uma rotina saudável e acompanhamento psicológico

Foto: Divulgação

São Paulo (SP) – Todos os anos, mais de 60 mil homens recebem o diagnóstico de câncer de próstata no Brasil. Apesar de 75% dos casos ocorrerem após os 65 anos, pode acontecer em qualquer idade e se intensifica após os 50, atingindo boa parte da população masculina ainda em faixa etária produtiva. Nesse cenário, apenas tratar o câncer não é o suficiente para reestabelecer a qualidade de vida desses homens, reforçando a necessidade de uma abordagem médica multidisciplinar.

“Hoje em dia, o trabalho em conjunto entre diversas especialidades é o principal pilar dos grandes centros de oncologia. A equipe precisa se reunir e dialogar com frequência sobre todos os aspectos da saúde do indivíduo. Pode ser que, além do oncologista, um mesmo paciente precise de urologista, cardiologista, radioterapeuta, fisioterapeuta ou educador físico e psicológo”, destaca o oncologista clínico e coordenador de Uro-oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Ariel Kann.

O acompanhamento psicológico é, inclusive, uma das principais frentes da terapia oncológica, já que o paciente precisa lidar melhor com as implicações ocasionadas pelo câncer e ter motivação para os processos do tratamento. Segundo o especialista, diversos estudos já comprovaram ao longo dos anos que, quando há engajamento do paciente na busca da cura, aumenta-se a satisfação em viver e a disposição para se tratar, ocasionando melhores resultados.

Ao ser diagnosticado com doença avançada, será necessário reduzir o nível de androgênios (hormônios masculinos) e alguns efeitos podem ser incômodos para o paciente. “O tratamento pode mexer com a qualidade de vida do homem, já que pode apresentar queda de libido, disfunção sexual, ondas de calor, perda de massa óssea e muscular, fadiga e aumento do risco cardiovascular”, explica.

O paciente que passa por tratamento hormonal deve ser orientado a ter uma rotina saudável para que todo o processo tenha o menor impacto possível no seu bem-estar. Entre as dicas para uma vida melhor, estão hábitos como manter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo de bebidas alcoólicas em excesso, parar de fumar, procurar ter um sono reparador, realizar atividades de lazer e relacionamento social com amigos e familiares e praticar exercícios físicos regularmente.

Além disso, cerca de 33% de quem sofre com câncer de próstata avançado apresenta também uma complicação cardiovascular associada. Nesses casos, os cuidados devem ser ainda maiores. “Do ponto de vista preventivo, uma análise dos fatores de risco: tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, colesterol elevado, entre outros, e o controle destes é o primeiro passo. Ao oncologista, cabe escolher as medicações mais bem toleradas e que são mais seguras do ponto de vista cardiovascular”, completa o oncologista.

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