Pecuária em recuperação: O que tem por trás da valorização da arroba

Produtor rural pode ficar otimista para os próximos meses, porém, ciente de que as margens ainda são estreitas, sugere o SRCG

É de conhecimento de todos a valorização da arroba nos últimos anos, mais intensificados nos últimos meses e, a expectativa para 2020 é ainda melhor. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista da Cross Investimentos, chega a citar uma arroba de R$ 200, para o primeiro trimestre do ano que vem.

“Tem um mercado muito promissor e temos esse boi com padrão exportações que começou a puxar essa alta, mas a oferta esse animal vai ficar cada vez mais difícil até meados de março”, relatou o analista. E ao mesmo tempo que o mercado é otimista, ele pede cautela. “Não adianta pecuária olhar os preços futuros e fazer prognóstico de alta com os valores, mas o produtor precisa saber utilizar as ferramentas disponíveis no mercado para fazer trava de preços”, aponta.

Foto: Diego Silva

O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, concorda quanto ao otimismo, com cautela. “Vivemos um momento de euforia com o mercado, porém a realidade não é bem essa que parece. Trata-se de uma recuperação de mercado, que passou por quatro anos em recessão, sendo seu último pico em 2015, quando se esperava R$ 170 na arroba, o que não se aplicou”.

Segundo ele, quando o Brasil entrou em recessão, a arroba entrou junto. “Além disso a pecuária tem sofrido muito devido à redução de matrizes; a agricultura avançou e a pecuária acabou ficando mais restrita. A pecuária vai ter que ser eficiente, uma vez que os custos subiram e os valores ainda estão muito aquém de uma margem razoável de lucro, a vida do pecuarista continua difícil”, completou o presidente do SRCG ao lembrar que o mercado da carne bovina é indissociável do milho, principal matéria-prima para o acabamento do gado.

Entre as ações que alivia essa margem estreita de lucro, segundo o Sindicato, estão as aberturas de novos mercados e a habilitação de plantas frigoríficas menores. “A nossa Ministra Tereza Cristina, quando veio aqui e oficializou a habilitação de algumas plantas frigoríficas de pequeno porte, para exportar para a China, fez com que esses frigoríficos puxassem a fila nos preços da arroba nesses últimos meses”, pontua Coelho.

Então não é só a oferta restrita de boiada que mantém o mercado do boi em alta, segundo o Sindicato. Mesmo com a baixa disponibilidade de animais terminados à pasto e a insuficiência do rebanho confinado, ações políticas, que impulsionam os pequenos frigoríficos também contribuem com os preços.

Entre as estratégias indicadas para melhor remuneração ao produtor está a negociação. “Temos que buscar a melhor forma de comercializar, negociar muito com a indústria, por que presenciamos muita diferença entre um frigorífico e outro. Comprei ações recentemente com valorização acima da cotação de mercado, com outras qualidades. Além da negociação, contei com o benefício logístico, uma fazenda próxima da indústria tem muitas vantagens”, disse Coelho. “Já a parte de negociação é muito individual, temos buscado pelo Sindicato Rural, aproximar os produtores, para que façamos negociações coletivas”.

Em entrevista ao Canal do Boi, o consultor Rogério Coan, defendeu a necessidade de ajuste no modelo de produção brasileiro. “Acredito sinceramente que o momento é muito oportuno para a pecuária, haja visto a crescente com demanda chinesa, entre outros players de mercado, é natural que a reposição, e fique cada vez mais precificada. Ela está logicamente corrigindo o efeito de melhor remuneração da arroba, o pecuarista vai ter que buscar uma eficiência produtiva cada vez maior, agora que começam a ter alguns entraves, quanto a idade de abate, acabamento de carcaça, entre outros parâmetros. É uma questão de ajustar o modelo de produção do Brasil para atender essa demanda”.

Suas recomendações foram ligadas a questões estratégicas e sanitárias. “Nos próximos 24 meses teremos boas oportunidades de mercado para colher bons frutos disso. O Brasil cada dia que passa se consolida como o maior produtor mundial de proteína e temos que realmente fazer a lição de casa, em termos de ajustes zootécnicos, ajustes sanitários e produção com qualidade”, disse Coan.

Por fim, o consultor apresentou o momento como uma oportunidade, que deve ser aproveitada com gestão. “O momento é muito oportuno para pecuária, todas as categorias estão sendo demandadas, bezerros, garrotes, novilhas, boi magro e vacas, é uma questão de realmente fazer conta, para viabilizar a pecuária seja ele de cria, recria ou engorda”.

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