Habitação e Transporte voltam a impactar a inflação de maio em Campo Grande

Queda no grupo Alimentação ajudou a segurar o índice, segundo informações do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp.

O tomate, quem diria, desta vez ajudou a reter a inflação em Campo Grande (MS), apresentando deflação de -24,20% – Foto: Álvaro Barbosa

A inflação em Campo Grande ficou em 0,48% no mês de maio, de acordo com o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. A taxa é a segunda menor deste ano e ficou abaixo da registrada em abril (0,54%). Repetindo o comportamento do último levantamento divulgado, Transportes e Habitação foram os grandes responsáveis pelo resultado. No mês passado, o primeiro grupo registrou alta de 2,59% e contribuiu 0,39% na composição do indicador; já o segundo aumentou 1,03% e colaborou com 0,33% no cálculo. A Educação também entrou na lista dos segmentos que puxaram a inflação para cima, porém, com menor contribuição.

De acordo com o coordenador do Nepes da Uniderp, Celso Correia de Souza, o índice acolheu parte do reajuste de 12,48% da energia elétrica, ocorrido a partir de 8 de abril. “Com isso, o aumento do serviço que restou para maio foi de 4,07%. A energia elétrica tem o maior peso na composição da inflação”, explicou.

Ajudando a retardar o crescimento da inflação em maio, ficaram os grupos Alimentação, com deflação de -0,21% e contribuição para o índice de -0,04%; Despesas Pessoais, com taxa -1,39% e colaboração de -0,12%; Saúde, com -0,10% e contribuição de -0,01%; e Vestuário, com deflação de -1,21% e participação -0,08%.

“O clima que esteve muito severo, com temperaturas muito altas e chuvas muito fortes nesse início de ano nas regiões produtoras de alimentos – principalmente frutas, verduras e legumes – melhorou, influenciando positivamente a produção, baixando de modo geral os preços, o que ajudou a frear o crescimento da inflação. Além disso, fatores como desemprego e as altas taxas de juros praticadas na economia do Brasil, ajudam a frear o consumo, o que também tem contribuído para o controle da inflação, evitando índices mais elevados”, analisa Celso.

Considerando o acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a inflação está em 2,48%. Já o acumulado nos últimos doze meses, a taxa é de 5,31%, ultrapassando a meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo centro da meta é de 4,25%, com tolerância de 2% para cima ou para baixo.

Maiores e menores contribuições

Os 10 “vilões” da inflação, em maio: 

  • Energia Elétrica, com inflação de 4,07% e contribuição de 0,23;
    •           Gasolina, com inflação de 4,73% e contribuição de 0,17%;
    •           Etanol, com inflação de 5,46% e participação de 0,11%;
    •           Diesel, com variação de 3,44% e colaboração de 0,10%;
    •           Aluguel apartamento, com acréscimo de 0,72% e contribuição de 0,04%;
    •           Aluguel casa, com variação de 0,72% e colaboração de 0,03%;
    •           Sapato feminino, com acréscimo de 6,92% e contribuição de 0,03%;
    •           Alcatra, com reajuste de 2,31% e participação de 0,03%;
    •           Carne seca/charque, com elevação de 15,54% e colaboração de 0,03%.
    •           Pneu novo, com aumento de 1,91% e participação de 0,03%.
    Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas foram:
  • Tomate, com deflação de -24,20 e contribuição de -0,05%;
    •           Uva, com redução de -39,60% e colaboração de -0,04%;
    •           Feijão, com diminuição de -7,72% e participação de -0,03%;
    •           Tênis, com decréscimo de -3,18% e contribuição de -0,02%;
    •           Sapato masculino, com baixa de -6,03% e colaboração de -0,02%;
    •           Sabão em barra, com diminuição de -3,61% e participação de -0,02%;
    •           Automóvel novo, com redução de -0,78% e contribuição de -0,02%;
    •           Azeitona, com decréscimo de -9,37% e colaboração de -0,02%;
    •           Mamão, com queda de -15,22% e participação de -0,01%;
    •           Óleo de soja, com baixa de -2,19% e contribuição de -0,01%.

Segmentos

O grupo Habitação, que possui o maior peso de contribuição para o cálculo do índice mensal, apresentou alta de 1,03% em relação a maio. Entre os destaques de produtos e serviços com os maiores preços estão: vassoura (6,86%), freezer (5,69%), pilha (5,63%), esponja de aço (5,53%) e energia elétrica (4,07%). Quedas ocorreram com: vela (-5,44%), sabão em barra (-3,61%), saponáceo (-3,09%), entre outros.

Seguindo o comportamento de abril, o índice de preços do grupo Alimentação apresentou novamente deflação e fechou em -0,21%.

Na avaliação do pesquisador da Uniderp, o resultado é reflexo da melhora das condições climáticas, o que favoreceu a colheita de frutas, verduras e legumes. “Em relação ao mês de março, os preços caíram de um modo geral. O grupo Alimentação é o melhor termômetro para explicar o comportamento da inflação ao longo do ano, pois tem a segunda ponderação na formação do índice inflacionário geral, e tem grande importância para o consumidor, por se tratar de alimentação. Quando o clima é desfavorável há aumentos de preços, ocorrendo quedas de valor quando o clima se torna favorável”, explica Celso.

As principais elevações de preços foram registradas com o melão (17,05%), carne seca/charque (15,54%) e cebola (15,54%). Já as reduções ocorreram com: uva (-39,60%), tomate (-24,20%), mamão (-15,22%), entre outros.

Dos quinze cortes de carnes bovinas pesquisados pelo Nepes da Uniderp, 13 aumentaram de preço. São eles: paleta (6,60%), coxão mole (5,78%), lagarto (3,55%), fígado (2,93%), patinho (2,37%), alcatra (2,31%), músculo (1,61%), acém (1,42%), cupim (0,88%), picanha (0,88%), vísceras de boi (0,82%), costela (0,25%) e filé mignon (0,25%). Quedas de preços ocorreram com ponta de peito (-5,05%) e contrafilé (-0,70%).

Quanto aos cortes de carne suína, todos os tipos pesquisados aumentaram de preços. O pernil subiu 7,29%, a bisteca 2% e a costeleta 0,02%. Miúdos de frango tiveram queda de -2,63% e frango resfriado elevação 0,76%.

“A tendência dos preços da carne bovina está se delineando, indicando uma pequena alta ou estabilidade de preço nesse produto. A demanda por carne bovina está fraca no mercado varejista de Campo Grande, mas com o término do período da quaresma, em que o consumo do produto é retomado, foi constada uma pequena alta”, considera o professor Celso Correia.

O grupo Transportes voltou a apresentar elevação e encerrou maio com índice de 2,59% devido às altas nos preços de alguns de seus produtos. Foram constadas altas de preços com o etanol (5,46%), a gasolina (4,73%), o óleo diesel (3,44%) e pneu novo (1,91%). Quedas de preços foram constadas com automóvel novo -0,78% e passagens de ônibus interestadual -0,01%.

O grupo Educação ficou em 0,23% devido aos aumentos de preços em artigos de papelaria.

O índice do grupo Despesas Pessoais fechou em -1,39%. Alguns produtos que tiveram majorações foram: sabonete (4,37%), produto para limpeza de pele (1,09%) e xampu (0,13%). Quedas de valor ocorram com absorvente higiênico (-2,69%), creme dental (-1,22%), papel higiênico (-1,21%), entre outros.

O grupo Saúde apresentou uma pequena deflação: -0,10%. Houve aumentos de preços do analgésico e antitérmico (1,42%), antialérgico e broncodilatador (0,48%) e antigripal e antitussígeno (0,09%). Quedas de preços ocorreram com material para curativo (-3,98%) e exame de laboratório (-0,89%).

E o grupo Vestuário também registrou índice negativo, -1,21%, em maio. Foram identificadas elevações de preços com sapato feminino (6,92%), bermuda e short feminino (6,82%), camiseta feminina (3,62%), entre outros. Diminuições foram registradas com sapato masculino (-6,03%), tênis (-3,18%), lingerie (-1,55%), entre outros com menores quedas.

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O IPC busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o IPC/CG via Nepes.

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