As mulheres no mercado de trabalho

Psicóloga Ellen Moraes Senra – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Apesar das mulheres representarem 52% da força de trabalho no mercado brasileiro, apenas 38% dos cargos de chefia são ocupados por elas. Vemos uma diferença grande não só nos cargos de chefia, mas também em relação aos salários. É também do conhecimento de todos que mesmo exercendo a mesma função, elas ganham menos.

Precisamos repensar nossos critérios enquanto sociedade, teoricamente igualitária, mas onde determinadas funções são atribuídas exclusivamente às mulheres e aos homens cabem apenas o papel de ajudar em casa, isso quando o fazem. Afinal, muitas vezes estão exaustos pela árdua rotina de trabalho.

Regras sociais existem desde sempre e sabemos bem que em algum momento da nossa história ficou subentendido que a mulher, por ser quem realiza a gestão da vida dentro de si e tem o “poder” de gerar alimento para seus filhos, deveria ser quem ficaria em casa cuidando dos mesmos. Por muito tempo isso fez sentido, já que realmente precisamos dos primeiros meses pós-parto para nos recuperar, por isso ganhamos o direito vigente em nossa sociedade atual à licença maternidade.

Todavia, deveria gerar estranheza que, salvo o período mencionado, ainda tenhamos desigualdade de cargos e salários, quando na realidade desempenhamos as mesmíssimas funções que qualquer homem, algo que simplesmente não faz sentido. Vejamos aqui uma possível solução para o atual problema, se quem nos dita as regras é a nossa sociedade, não seria mais do que justo que se fizesse um tipo de decreto que nos diga que após o parto o homem deve ter as mesmas responsabilidades que a mulher no que diz respeito aos cuidados e a educação dos filhos?

Seguindo ainda por outra linha raciocínio, não seria de se esperar que, justamente pelo fato de a mulher ser multitarefa (profissional, mãe, esposa, dona de casa entre outros), ela deveria ganhar igual, se não até mais do que os homens? Afinal, se essa mulher está no trabalho e ela for mãe, provavelmente ela está terceirizando os cuidados de seus filhos, o que custa caro. Caso a maternidade não esteja em pauta, ainda assim as atribuições dos cargos são os mesmos para homens e mulheres. Porém, nossa sociedade parece ainda não ter refletido muito sobre o assunto. Assim, cabe a nós o dever de fazê-lo.

Enquanto isso em 2018, a Islândia virou o primeiro país a tornar a igualdade salarial obrigatória. Lá é proibido que homens ganhem mais do que mulheres em órgãos governamentais e empresas do setor privado com mais de 25 funcionários. Os empregadores que não cumprirem com a lei arcam com multas e nós aqui no Brasil ainda aguardamos o dia em que exista igualdade de oportunidades e de salário. Enquanto esse dia não chega, vamos seguir na luta para sermos ouvidas e, ocasionalmente, atendidas.

*Ellen Moraes Senra

Psicóloga e Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental

CRP 05/42764

Psicóloga atuando na área clínica através da abordagem cognitivo comportamental. Formada pelo Centro Universitário Celso Lisboa. Com curso de formação em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) no Instituto Brasileiro De Hipnose, Educação e Psicologia (IBH). Atendimento individual a crianças, adolescentes e adultos

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