Previdência, chegou a hora de cada um assumir a responsabilidade sobre seu futuro financeiro

Pode parecer uma triste notícia para alguns, mas ter as rédeas de suas finanças em suas próprias mãos, ao invés de “terceirizar” esse assunto para os institutos de previdência governamentais, pode ser um fator libertador.

No entanto, essa “liberdade” traz muitas responsabilidades a cada um de nós e, como na fábula da cigarra e da formiga, quem quiser estar em uma situação confortável no futuro precisará de muito trabalho e disciplina, com boas decisões tomadas ao longo do tempo.

O fato é que quem espera receber uma boa aposentadoria do governo vai se frustrar, especialmente em prazos mais longos e o motivo é simples: o governo não tem recursos e terá cada vez menos no futuro.

Utilizamos o sistema de repartição, no qual os trabalhadores na ativa é que pagam os benefícios de quem já se aposentou. Assim, o sistema só funciona se houver muita gente na ativa comparativamente à quantidade de aposentados. Em 1950 havia 8 trabalhadores para cada aposentado, mas hoje, essa relação é de 1,4.

O resultado dessa situação são os rombos bilionários e crescentes do sistema (R$280 bilhões em 2018, alta de 8% sobre 2017) e é por esse motivo que é impossível ao governo prover uma aposentadoria que garanta a qualidade de vida que queremos no futuro.

Para isso, o tempo é fundamental e quanto antes começarmos, mais suave será a trajetória. Vamos fazer um exemplo de uma pessoa que quer se aposentar com R$10 mil, aos 65 anos. Caso o INSS pague para essa pessoa R$2 mil (dado o cenário descrito acima), ela terá que obter os outros R$8 mil de seus investimentos, o que significa que ela precisará acumular por volta de R$1,5 milhão* quando chegar aos 65 anos. Para isso e partindo do zero, vamos ver quanto uma pessoa precisaria guardar por mês, conforme a idade em que começa a fazer isso:

* Considerando uma rentabilidade média de 6% ao ano acima do IPCA

Dado esse cenário, temos que arregaçar as mangas, fazer nosso plano e executa-lo desde já – e isso não é nada fácil, seja pelas dificuldades técnicas na elaboração e monitoramento do plano, seja pela disciplina requerida ao longo de muitos anos.

Para estas tarefas, contar com a ajuda de profissionais facilita muito. Planejadores financeiros pessoais e gestores de recursos podem fazer uma enorme diferença para “traçar os caminhos” e ajustar as rotas quando as condições mudam, sejam da economia, sejam das pessoas envolvidas nos planos. Uma carteira de investimentos elaborada e monitorada por gestores profissionais tende a oferecer uma performance superior quando comparada à diversos produtos de investimento comprados sem critérios claros nem acompanhamento contínuo. O retorno médio da carteira será um facilitador nesse caminho. Vamos fazer um exemplo como o que colocamos acima, mas ao invés de alterarmos as idades, vamos ficar em 35 anos e variar as rentabilidades para ver o que acontece:

* Considerando rentabilidades média ao ano acima do IPCA

Caso os investimentos sejam feitos em produtos ruins e não adequados ao longo prazo, como a caderneta de poupança, que raramente rende mais do que a inflação, ou CDBs com baixa rentabilidade, o esforço mensal será muito maior, como na primeira coluna, em azul.

Melhores produtos de renda fixa podem ser um avanço, como na segunda coluna, em laranja, mas ainda distantes de carteiras compostas com diversificação em outras classes de ativos e geridas de forma profissional, preferencialmente, sem conflitos de interesse na elaboração, como nas outras duas colunas. Aqui estamos falando de carteiras que incluem produtos multimercado e de renda variável, sejam fundos de investimento ou planos de previdência. Aliás, falando em planos de previdência, a maior parte do que existe no mercado oferece perspectivas de desempenho de longo prazo ruins, uma vez que são de renda fixa, além de muitos deles terem custos altos com relação ao tipo de gestão que entregam. Em previdência, busque produtos de gestores renomados, diversifique e fuja da renda fixa.

Lembro ainda que o perfil de investidor deve ser checado e respeitado e esse é um fator crucial na elaboração da carteira.

Por fim, ter alguém ao lado para conversar sobre as questões financeiras também ajudará muito na manutenção da disciplina, relembrando os objetivos e incentivando a tomada de boas decisões.

Com a soma desses fatores – planejador financeiro, gestores profissionais, boas decisões financeiras, clareza sobre os objetivos e muita disciplina – seu futuro financeiro tenderá a ser muito mais próximo dos seus sonhos e, melhor ainda, não dependerá do governo ou de ninguém mais, além de você mesmo.

Mãos à obra e boas escolhas!

*Valter Police é sócio da Fiduc Planejamento Financeiro e Head da Academia Fiduc

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