Vitaminas, expectorantes, anti-inflamatórios ou antitérmicos: entenda diferenças e vantagens de cada um para esse inverno

Saiba quais são mais adequados de acordo com necessidades do organismo.

Foto: Divulgação

O inverno chega e, junto com ele, tosses, espirros, dor na garganta e uma série de problemas relacionados ao clima mais frio. Muitos aproveitam o momento para se prevenir. Há muitos medicamentos disponíveis para sintomas semelhantes, porém, qual é mais adequado para cada situação?

SUPLEMENTAÇÃO

Diversas vitaminas e minerais são essenciais para bom funcionamento das defesas do corpo humano. Dentre os nutrientes mais importantes, estão as vitaminas A, B, C, E e os minerais zinco, ferro e selênio. “Uma baixa ingestão desses compostos pode deixar o organismo mais suscetível a infecções oportunistas, como as gripes e outras viroses em geral, recorrentes nas estações mais frias e quando as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados”, explica o farmacêutico clínico Olavo Rodrigues, mestre em Biotecnologia e superintendente de Assuntos Regulatórios da Natulab, laboratório especializado em medicamentos fitoterápicos. Outro composto importante é a vitamina D, produzida pelo próprio corpo durante a exposição ao sol. No inverno, porém, além de haver menos dias ensolarados, a tendência é usar roupas que cobrem mais a pele, o que prejudica a absorção.

Uma alimentação saudável é fundamental. Porém, é possível manter os níveis desses nutrientes por meio de suplementos vitamínicos e minerais – muitos deles com todas as opções necessárias em um único comprimido. “A suplementação adequada, a correta ingestão de líquidos, a busca por ambientes frescos e ventilados e uma boa higienização das mãos e alimentos podem prevenir significativamente as infecções, sobretudo as do trato respiratório, que são mais comuns nesse período”, esclarece Rodrigues.

TOSSE

Agora, se o maior problema for a tosse com catarro, o ideal é um medicamento que tenha ação expectorante e broncodilatadora. É o caso dos xaropes à base de guaco (Mikania glomerata). A planta provoca o relaxamento da musculatura dos brônquios e facilita a eliminação da secreção na tosse. O efeito relaxante dos músculos também facilita a passagem do ar, minimizando a tosse em processos alérgicos em geral, com ou sem catarro.

Uma alternativa é optar por remédios feitos com a hera (Hedera helix). Além da atividade broncodilatadora e expectorante, eles têm efeito mucolítico – ou seja: reduzem a viscosidade da secreção, facilitando sua eliminação. Isso ocorre porque aumentam a varredura dos cílios do epitélio dos brônquios e, consequentemente, a remoção de impurezas das vias respiratórios.

NARIZ

Ninguém merece passar o dia com o nariz entupido. Muitos apelam para gotinhas ou sprays. Rodrigues, porém, alerta para possíveis efeitos colaterais. “Substâncias presentes nos descongestionantes nasais, como a nafazolina, podem gerar alterações cardíacas, modificar o tecido da cavidade nasal com uso prolongado e até criar dependência, que é denominada de rinite medicamentosa”, esclarece. Mas o problema tem solução: segundo o farmacêutico, o mais indicado é usar um spray contendo apenas cloreto de sódio na concentração de 0,9% para higienizar o nariz, hidratá-lo e remover excesso de secreção e sujidades. Uma opção é usar a solução hipertônica de cloreto sódio (concentração de 3%), que faz o tecido do nariz liberar água a contribui na dissolução e remoção de secreção, além diminuir o inchaço da região, o que facilita a respiração.

E não é só quando o nariz está entupido que a higienização deve ser feita. Ela deve ser feita constantemente, sobretudo no inverno e no tempo seco. “A higienização deve idealmente ser feita três vezes por dia e tem como objetivo remover partículas de poeira, poluição e excesso de muco, a fim de evitar processos inflamatórios, sejam eles alérgicos ou infecciosos. Quanto mais limpo e hidratado estiver o nariz, melhor será qualidade do ar que chega aos pulmões”, explica Rodrigues.

FEBRE E DORES

Quando o corpo detecta um processo inflamatório, logo surge a febre. Agentes infecciosos, como vírus, bactérias, fungos e toxinas, podem ativar uma cadeia de reações que alteram a temperatura do corpo, que normalmente deve estar entre 36,5°C e 37,2°C.

Para esse sintoma, duas substâncias estão entre as mais consumidas: paracetamol e dipirona. Ambas fazem parte da classe dos anti-inflamatórios não-esteroidais – ou seja, que não são corticoides. “Essa classe de substâncias tem como ação fundamental interromper a cascata de reações do processo inflamatório e, por assim dizer, suspender os sinais da inflamação que normalmente são febre e dor”, aponta Rodrigues. Mas, afinal, qual é a diferença entre os dois? “Tanto o paracetamol como a dipirona são importantes no tratamento de gripes e resfriados por possuírem uma boa ação antitérmica e poder analgésico para dores de cabeça e no corpo. Enquanto a dipirona tem uma ação analgésica maior, o paracetamol é considerado mais seguro para um grupo etário maior, incluindo crianças.

PRONTO-SOCORRO

Infecções respiratórias, dores e febre são os sintomas que mais contam com opções de remédios sem necessidade de prescrição. Mas é preciso saber quando é hora de procurar um médico. A maioria dos casos de febre se desfaz num curto período, sem sequelas para o organismo. No entanto, alguns casos podem ser mais graves.

Assim, é importante considerar, segundo Rodrigues, quatro situações: em primeiro lugar, a idade do paciente, sobretudo nos três primeiros meses de vida; caso a temperatura chegue a 39,4°C, acompanhada de tremores, é possível que haja uma infecção bacteriana grave; se, além da febre, o paciente se mostrar abatido, apático e alternar irritabilidade com sonolência, algo pode ir mal; por fim, se o quadro ultrapassar três dias, é hora de procurar um médico imediatamente.

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