Reconhecer e Agradecer: Palavras de Ordem!

Cine Ladário – Foto: Divulgação

O conhecimento do patrimônio cultural de um município por meio da educação patrimonial dá a possibilidade de enxergar e manter viva a memória que por sua vez é socialmente construída. A importância do reconhecimento permite à memória coletiva a comemoração, a celebração através de um monumento ou de elemento intangível, todavia será por meio desse reconhecimento que é possível salvar, preservar e dar continuidade.

Tratando especificamente de um destes entes memoriais que lembro do antigo cinema Ladário que foi fundado em 01 de maio 1936 pelo senhor Agemor Radiche, com localização na antiga rua do Portão e ficou por muito tempo sob a coordenação do senhor Jarbas Pirato Manso. No ano de 1962, a marinha passou a ser proprietária do cinema que teve seu nome mudado para Cine Marinha, porém, fechou em 1972.

Hoje, sinto na pele o transpirar da cultura Ladarense e isso me faz estar sempre em contato com pessoas que sabem e conhecem de história, música e cultura. Obtive muitas informações com o livro Sopa Paraguaia de João Lisboa de Macedo, assim como os textos de Daiane Lima, artigo de João de Carvalho, e as conversas com José Luiz Soares Braga da AAPPIL e membro do emérito conselho de notáveis da cultura Ladarense, assim como o relato do senhor Assis da Cruz Viana que conta a descrição da falsificação dos bilhetes do antigo cinema.

Rápido Nossa Senhora Aparecida, com Odoly Correa, o Leal, ao volante – Foto: Divulgação

E ele contou “A turma enganava, tinha um detalhe aí. Naquela época as lojas de Corumbá faziam propaganda aqui e quem fazia a propaganda era um anãozinho. Eles vinham distribuir folhetozinho das lojas de Corumbá, como da Pernambucanas na época, Buri, Riachuelo. No Cine Ladário o ingresso também era verde e amarelo, pequenininho. O que a turma fazia? Os comportados cortavam a propaganda no tamanho do ingresso (risos) e o porteiro era seu João, o pai do dono do cinema, do Radiche. Ele não enxergava direito (gargalhadas) metade dos ingressos, trinta por cento era propaganda. Depois que eles percebiam por que o cinema estava cheio e como renda não batia foram conferir (risos) trinta por cento era propaganda das lojas de Corumbá.

Hoje o espaço do cinema foi destinado a Fundação de Cultura de Ladário, sendo reinaugurado em 07 de junho de 2016, com esforço pessoal da então titular da pasta Wanessa Rodrigues, com apoio da Marinha que revitalizou o espaço em comemoração aos 151 anos da Batalha Naval Riachuelo. Ressalto que a dimensão simbólica e política além de serem formas de se pensar estratégias são, sobretudo, formas de analisar o contexto e propor ações permanentes de preservação e continuidade fazendo perceber desta maneira, que a cultura é dinâmica e reflexiva, envolta a um sistema de significados. Um bem só se tem valor quando remete significados para a sociedade, nesse sentido, o patrimônio tem um significado coletivo para a comunidade ladarense, pois é possível observar a diversidade de lembranças através da memória dos moradores.

Assim desejo e estarei ombreando esforços junto a Prefeitura Municipal, cantores, atores, instrumentistas, poetas, articulistas, escritores para alimentar o interesse pela história local que certamente são formas de preservar e reconhecer. Ingratidão e esquecimento: Nunca! A partir disso, é possível investir em políticas de preservação e valorização, possibilitando desta forma, que as futuras gerações conheçam a própria história e sobretudo, tenham orgulho dela.

*Assessora Executiva

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