Nem o coronavírus impede Scheidt de seguir com treinos, na Itália, para a sétima Olimpíada

Velejador bicampeão olímpico mora em um dos países que mais sofre com a pandemia na Europa, e adapta sua programação para manter vivo o sonho de lutar por medalha em Tóquio

São Paulo (SP) – O novo coronavírus passou de epidemia para pandemia nesta quarta-feira (11), em classificação feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso significa que uma transmissão está ocorrendo em diferentes partes do mundo e de forma simultânea. A Itália é um dos países mais afetados, com o fechamento de locais públicos, escolas, eventos esportivos, entre outros. Porém, nem o COVID-19 é capaz de parar Robert Scheidt em sua cruzada para brigar por medalha na Olimpíada do Japão, marcada para julho, em Tóquio.

O bicampeão olímpico mora na Itália, mas segue em sua preparação para a sétima Olimpíada – recorde entre os atletas brasileiros. “Sigo treinando aqui na Itália. Tem muita coisa fechada, a escola das crianças e os clubes, por exemplo, mas mantive meu barco fora do clube. Então, consigo treinar na água e fazer a parte física, como andar de bicicleta nas ruas ou na montanha. Na verdade, a rotina não mudou muito por aqui, a cidade é pequena e não tem nenhum caso de coronavírus. O que estamos evitando são grandes aglomerações, mas estamos todos com a saúde perfeita”, conta o velejador, que mora na cidade de Torbole, às margens do Lago di Garda e que conta com pouco mais de 2 mil habitantes.

Robert Scheidt ao lado do seu barco (Divulgação)

Scheidt sabe que é preciso se adaptar ao momento difícil por que passa a Europa. Tanto, que deveria embarcar nesta quinta-feira (12) para duas semanas de treinos na Espanha, antes de disputar o tradicional 51º Troféu Princesa Sofia, a partir do próximo dia 25, em Palma de Mallorca, mas foi obrigado a cancelar a viagem. “Por enquanto tive que cancelar. Ir para a Espanha nesse momento, com a Itália bloqueada, é muito arriscado. Eu poderia até tentar a viagem, mas existem riscos de quarentena e talvez dificuldades de retorno. No momento, minha participação no Troféu Princesa Sofia está mantida. Estou avaliando para ver como fica a situação nos próximos dias, mas não é nada muito promissor”, explica o maior medalhista olímpico do Brasil, com cinco pódios, que é patrocinado pelo Banco do Brasil e Rolex e que conta com o apoio do COB e CBVela. “Em termos esportivos, é muito ruim não ir para Palma, mas é uma situação fora do meu controle e nesse momento é melhor ficar com a minha família, esperar o tempo passar e ver como tudo se desenrola”, completa.

Desafio olímpico –  Scheidt retornou à classe Laser em 2019, após quase três anos ausente, desde os Jogos do Rio/2016, onde terminou na quarta colocação mesmo vencendo a medal race. Nesse período de readaptação às novas técnicas e nova mastreação, cumpriu seu objetivo principal, que foi o índice para Tóquio, com o 12° lugar no Campeonato Mundial da Classe Laser 2019, em Sakaiminato, no Japão, em julho. Ele confirmou a vaga no Mundial da Austrália, em fevereiro, quando chegou à flotilha ouro e foi o melhor brasileiro na disputa.

Na volta à vela olímpica, Scheidt disputou outras três grandes competições. A última foi o Ready Steady Tokyo, no final de agosto de 2019, em Enoshima, quando terminou em 10° lugar, chegando à medal race pela primeira vez desde que decidiu interromper a aposentadoria da classe Laser. Ele ficou próximo da regata da medalha no Troféu Princesa Sofia e na Semana de Vela de Hyères.

Scheidt no Lago di Garda, na Itália (Divulgação)

Maior atleta olímpico brasileiro

Cinco medalhas:

Ouro: Atlanta/96 e Atenas/2004 (ambas na Classe Laser)

Prata: Sidney/2000 (Laser) e Pequim/2008 (Star)

Bronze: Londres/2012 (Star)

181 títulos – 89 internacionais e 92 nacionais, incluindo a Semana Internacional do Rio, o Campeonato Brasileiro de Laser e a etapa de Miami da Copa do Mundo, todos em 2016. Em novembro de 2017, pela Star, conquistou a Taça Royal Thames e, neste domingo, o Europeu de Star.

Laser
– Onze títulos mundiais – 1991 (juvenil), 1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002*, 2004 e 2005 e 2013

*Em 2002, foram realizados, separadamente, o Mundial de Vela da Isaf e o Mundial de Laser, ambos vencidos por Robert Scheidt

– Três medalhas olímpicas – ouro em Atlanta/1996 e Atenas/2004, prata em Sydney/2000

Star

– Três títulos mundiais – 2007, 2011 e 2012*

*Além de Scheidt e Bruno Prada, só os italianos Agostino Straulino e Nicolo Rode venceram três mundiais velejando juntos, na história da classe

– Duas medalhas olímpicas – prata em Pequim/2008 e bronze em Londres/2012

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