Violentos protestos deixam 65 feridos e 205 detidos na França

Paris, capital da França, voltou a ser palco de violentos protestos neste sábado (1º), que deixaram 65 feridos e cerca de 205 detidos. As Forças de segurança tiveram que usar a força para conter os manifestantes.

Manifestantes contrários a política de preços adotada pelo presidente francês Emmanuel Macron, realizaram entre a noite desta sexta-feira (30/11) e a manhã deste sábado (1º de dezembro), violentos protestos na Avenida Champs-Elysées, em Paris, capital do país.

De acordo com informações das principais agências internacionais de notícias, os manifestantes protestam contra o aumento no preço dos combustíveis e contra a perda do poder aquisitivo.

Um carro foi queimado neste sábado (1º) após os violentos protestos em Paris, capital da França — Foto: REUTERS/Benoit Tessier

As manifestações deixaram cerca de 65 pessoas feridas e outras 205 foram detidas. Os confrontos entre manifestantes e policiais prosseguem na tarde de hoje em vários bairros de Paris e em dezenas de cidades do país.

Policiais franceses e membros das Forças Especiais de Segurança usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo, na tentativa de conter os manifestantes, conhecidos como ‘Coletes-Amarelos’, que buscavam ‘furar’ o bloqueio policial.

Dos 65 feridos, 11 são policiais das Forças Especiais de Segurança. Todas as vítimas foram socorridas e levadas a hospitais da cidade.

O Arco do Triunfo foi cercado por policiais após os violentos protestos dos coletes-amarelos — Foto: REUTERS/Benoit Tessier

O porta-voz dos manifestantes, que pediu para não ser identificado, disse que ao todo 36 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país. Já a estimativa do primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, foram cerca de 5.500 manifestantes em todo o país.

Por precaução, várias lojas em Paris decidiram fechar as portas, incluindo as tradicionais Galeria Lafayette e Printemps, que foram totalmente esvaziadas.

Há relatos, ainda não oficialmente confirmados, de que manifestantes teriam ateado fogo em carros e lojas. As chamas se alastraram e ameaçaram atingir vários prédios.

Bombeiros voltaram a apagar chamas de carro após protesto em Paris — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

Bombeiros e policiais tiveram que agir com rigor e rapidamente para tentar apagar as chamas. Um fuzil da polícia foi roubado de uma viatura que estava estacionada nas proximidades.

O caos se estende por vários bairros de Paris, a cerca de três semanas do Natal. Os turistas estrangeiros que estão na cidade estão sendo aconselhados a permanecerem nos respectivos hotéis.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que se encontra em Buenos Aires, na Argentina, onde participa da Cúpula do G20, disse que a violência exagerada vista em Paris nada tem a ver com expressões pacíficas de descontentamento com o governo.

Manifestante lança gás contra a policiais neste sábado (1º) na avenida Champs-Elysées, em Paris. — Foto: Kamil Zihnioglu/AP

Nada justifica que forças de segurança sejam atacadas, lojas saqueada, prédios públicos e privados incendiados, pedestres e jornalistas ameaçados ou o Arco do Triunfo sujo“, disse Macron em entrevista coletiva.

Emmanuel Macron se recusou a responder algumas perguntas de jornalistas e concluiu a entrevista coletiva, afirmando que “os manifestantes procuram espalhar o caos em Paris e em outras cidades do país”.

Já a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, declarou estar “profundamente indignada e com grande tristeza”, diante da violência na capital do país.

Manifestantes protestam contra o aumento de impostos do governo Macron neste sábado (1º) na avenida Champs-Elysées, em Paris (França). — Foto: Kamil Zihnioglu/AP

Depois dos violentos protestos próximos a Avenida Champs Elysées, os enfrentamentos se espalharam por outros bairros da cidade, obrigando os moradores a permanecerem dentro de casa e, fazendo com que os comerciantes fechassem seus estabelecimentos.

Mais cedo, um grupo de manifestantes encapuzados e mascarados tentou forçar um bloqueio montado pelas Forças Especiais de Segurança, visando impedir a passagem deles, através da identificação de todos. Latas de lixo e cadeiras de madeiras foram arremessadas contra os policiais, enquanto que outras cadeiras foram queimadas.

A tropa de choque foi acionada e rapidamente chegaram a região do Arco do Triunfo. Os policiais usaram canhões de água e gás lacrimogêneo, na tentativa de dispersar a multidão.

Manifestantes protestaram neste sábado (1º) na avenida Champs-Elysées, em Paris (França), contra o aumento de impostos. — Foto: Kamil Zihnioglu/AP

Uma nuvem de fumaça tomou conta do Arco do Triunfo e imediações, tendo vários manifestantes desmaiados. Todos foram socorridos e levados a hospitais da cidade sob forte escolta policial.

Alguns manifestantes que participavam pacificamente do protesto, foram pegos de surpresa no fogo cruzado e tentavam deixar o local, entre eles uma idosa de 61 anos.

Para a aposentada, “[Emmanuel] Macron deve descer de seu pedestal, enteder que o problema não é o imposto, é o poder de compra. Todo o mês tenho que mexer na minha poupança”.

Manifestantes fazem ‘barricada’ na avenida Champs-Élysées, em Paris (França), neste sábado (1º) — Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP

O movimento, que tem como símbolo o ‘Colete-Amarelo’, que é uma peça obrigatória para os veículos franceses, começou no dia 17 de novembro. A manifestação conta com o apoio de dois em cada três franceses, e uma petição “por uma redução nos preços dos combustíveis”, superou a marca de 1 milhão de assinaturas.

O primeiro dia nacional de protesto mobilizou cerca de 280 mil pessoas e a segunda, cerca de 106 mil pessoas, incluindo 8 mil em Paris.

O governo francês não consegue dialogar com os representantes do movimento, que nasceu nas redes sociais, desvinculado totalmente de qualquer partido político e/ou sindicato.

Com informações das Agências France Presse e Reuters

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