Velejadores de Ilhabela, Porto Alegre e São Paulo no pódio do Sudeste de Snipe

Inédito campeonato realizado pelo Yacht Club Paulista levou 35 tripulações à Represa Guarapiranga e ratificou a evolução da classe Snipe na região.

Barco campeão na boia (Douglas Moreira / Fisheye Image)

São Paulo (SP) – A primeira edição do Campeonato Sudeste Brasileiro da Classe Snipe contemplou a necessidade dos velejadores da região em possuírem uma competição própria e consagrou a dupla da Escola de Vela de Ilhabela (EVI), Renê Hormazabal e Sidney Block como inéditos ganhadores do Troféu Bibi Juetz, pioneira da Snipe no Brasil, oferecido pelo Yacht Club Paulista (YCP), organizador do evento disputado por 35 embarcações entre 29 de abril e 1º de Maio na Represa Guarapiranga, em São Paulo.

Após seis regatas e um descarte, os velejadores do litoral norte paulista obtiveram duas vitórias e somaram 13 pontos perdidos, três a menos do que os vice-campeões gaúchos, Roberto Paradeda e Gabriel Kielling, do Clube dos Jangadeiros (CDJ). A dupla de Porto Alegre também venceu duas provas. Enrico e Frederico Francavilla, pai e filho, do Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), conquistaram as medalhas de bronze devido à regularidade da campanha que incluiu três segundos lugares e 20 pontos.

Os campeões Hormazabal e Block justificaram a fama de Ilhabela, considerada a Capital Nacional da Vela. Souberam a aproveitar os ventos de leste a sul, entre 8 e 12 nós, predominantes nos três dias de competição. “Conseguimos nos adaptar aos ventos mais rondados da represa em relação a Ilhabela. As regatas foram bem difíceis diante do nível elevado dos competidores, mas também contamos com a sorte em alguns momentos”, afirmou o argentino Hormazabal, radicado há sete anos em Ilhabela. A dupla de Snipe recém-formada correu antes, o Brasileiro, em janeiro em Ilhabela e o Sul-Americano, em abril na Argentina, chegando em 15º lugar em ambos os campeonatos.

Linha de largada na Guarapiranga (APJ Esportes)

Velejando como gente grande – A medalha de bronze recebida pela Família Francavilla foi uma das mais festejadas pelo fato de o proeiro Frederico, filho do timoneiro Enrico, ter apenas 10 anos de idade. “Estou orgulhoso”, comemorou o empolgado e falante Frederico. “Corremos contra adversários muito fortes de outras cidades e de outros estados, muitos campeões na raia e mesmo assim mandamos um terceiro na geral”, justificou o pequeno e promissor velejador que segue os passos do pai, exemplo de dedicação à vela.

“Foram dias muito tensos a bordo, mas o importante é que estamos evoluindo. No primeiro dia só levamos cacetadas, mas não desanimamos, fomos para cima e nos recuperamos. O que mais quero agora é disputar um Mundial. Essa é minha meta. Preciso crescer para compor com meu pai o peso ideal para o barco”, assegurou Frederico com seu 1m42. A oportunidade de classificação para o Mundial poderá vir no Brasileiro de Snipe de 2019, que também terá o Yacht Club Paulista como sede.

A satisfação dos 70 competidores, praticamente unânime, não foi atribuída apenas à categoria e determinação das 35 duplas inscritas por São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A organização demonstrou a competência exigida por evento de grande porte. Em meio ao entusiasmo da flotilha, a segunda edição foi anunciada para o primeiro semestre de 2018 em Ilhabela. As outras duas cidades que participarão do rodízio como sede do Sudeste Brasileiro de Snipe são, Vitória (ES) e Santos (SP). “A Comissão de Regatas (CR) formada por integrantes da arbitragem dos Jogos Rio 2016 esteve impecável. Alexandre Ferraz, Antônio Mellone e equipe atuaram para que as regatas tivessem nível olímpico”, ressaltou o diretor de Vela do YCP, Alberto Hackerott.

Família Francavilla rumo ao pódio (Douglas Moreira / Fisheye Image)

Trofèu Bibi Juetz – A lendária velejadora gaúcha, Bibi Juetz, abrilhantou a cerimônia de premiação na sede social do YCP. Aos 84 anos de idade, dos quais 60 dedicados à vela, Bibi acompanhou as regatas decisivas do Sudeste Brasileiro de Snipe em lancha do YCP, nas águas onde velejou pela última vez em 2000. “Hoje é um dia especial para mim. Estão me tratando como seu eu fosse uma idosa, mas não me sinto assim. Esse carinho todo traz de volta as alegrias que vivi como velejadora”, declarou a sorridente Bibi.

Seu último Mundial Máster não está tão distante, foi em 2014 no Japão. Em 1998 Bibi conquistou o título mundial do mesmo campeonato na Argentina. Ao passar pela raia da Guarapiranga onde era disputada competição de outra classe, HPE 25, recordou-se com carinho de Eduardo Souza Ramos, comandante do Phoenix. “A primeira vez em que o Eduardo embarcou para uma regata era uma criança, menor do que eu, acredite, e foi meu proeiro de Snipe na Represa Billings. O pai dele, o senhor Gil, sempre me ajudou muito quando eu velejava em São Paulo”, contou Bibi repleta de saudades.

Bibi Juetz na raia (APJ Esportes)

Campeonato Sudeste Brasileiro de Snipe

Classificação geral

1 – Renê Hormazabal e Sidney Block (EVI) – 13 pontos perdidos

2 – Roberto Paradeda e Gabriel Kielling (CDJ) – 16 pp

3 – Enrico e Frederico Francavilla (YCSA) – 20 pp

Vencedores nas demais categorias

Feminina

Carolina Sacconi e Silvia Accar (YCSA)

Júnior

José Hackerott e Charles Daniel (YCP)

Máster

Ricardo Barbosa e Gustavo Queiroz (YCSA)

Duplas mistas

Caio Gerasse e Ana Tenório (EVI)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo