Cruz Vermelha internacional faz apelo para salvar gêmeos siameses nascidos na Síria

Os gêmeos Nawras e Moaz foram transferidos de ambulância de Ghouta para Damasco, na Síria – Foto: Crescente Vermelho na Síria/Cortesia

Os gêmeos Nawras e Moaz foram transferidos de ambulância de Ghouta para Damasco, na Síria – Foto: Crescente Vermelho na Síria/Cortesia

O Crescente Vermelho/Cruz Vermelha iniciou esta semana uma campanha humanitária para tentar salvar a vida de dois meninos gêmeos siameses que nasceram na cidade de Ghouta, no Norte de Damasco, capital da Síria, em uma das áreas mais devastadas pela Guerra Civil.

Membros do Crescente Vermelho conseguiram retirar as duas crianças de Ghouta e as levaram para Damasco, capital do país, que se encontra sem recursos para fazer a cirurgia.

Os dois meninos nasceram no dia 23 de julho deste ano em um dos bairros de Ghouta, uma das áreas mais atingidas por bombardeios, e estão unidos pelo peito. Existem pelo menos outros 20 casos de saúde urgentes na cidade, no entanto, a prioridade é resolver a separação dos gêmeos siameses, devido ao risco de morte das crianças.

Segundo os enfermeiros do Crescente Vermelho que resgataram as crianças, “caso não haja uma intervenção cirúrgica altamente especializada, os bebês Nawras e Moaz terão poucas chances de sobreviver”.

Os irmãos gêmeos nasceram no Hospital de Ghouta, e estão unidos pelo peito, compartilhando os intestinos num abdômen protuberante. Eles possuem dois corações normais e independentes.

O médico sírio Mohamad Katoub, da Sociedade Médica Sírio-Americana, divulgou uma carta aberta na qual afirma que o hospital onde os bebês nasceram, incluindo os estabelecimentos de Damasco, não possuem equipamentos e equipe médica especializada para fazer a cirurgia de separação dos recém-nascidos, sendo necessário ajuda internacional.

“…Este é um caso em que o milagre do nascimento destas crianças é ao mesmo tempo a tragédia da medicina na Síria…”, diz o Dr. Mohamad Katoub.

Apesar da cidade de Ghouta estar sob intenso bombardeio por parte do Exército Sírio e, praticamente inacessível para a distribuição de ajuda humanitária, membros do Crescente Vermelho conseguiram chegar a região e resgatar as crianças e a mãe. A localidade encontra-se sob o domínio dos rebeldes, que concordaram com um cessar-fogo para que os bebês e a mães fossem resgatados.

Há relatos, ainda não oficialmente confirmados, de que Ghouta teria sido alvo de ataques químicos. A região encontra-se cercada e isolada pelo Exército Sírio, leal ao presidente/ditador Bashar Al-Assad.

Dados extraoficiais revelam que os ataques químicos na cidade, ocorridos entre o fim de julho e o início de agosto deste ano, mataram pelo menos 1.400 pessoas, entre as quais 400 crianças.

Uma das chances de salvar os dois gêmeos siameses seria a transferência deles para Beirute, capital do Líbano, onde existe um hospital muito bem equipado capaz de realizar a cirurgia.

A transferência dos bebês está sendo negociada entre o Crescente Vermelho e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O acordo está sendo mediado pela representante da entidade na Síria, Elizabeth Hoff.

Elizabeth Hoff esclareceu que existem várias pessoas na Síria, principalmente nas cidades de Aleppo e Madaya, que necessitam de transferência imediata, porque corre risco de morrer. As áreas onde elas se encontram estão sob bombardeio constantes.

Já o enviado da ONU na Síria, Staffan de Mistura, disse não entender o motivo pelo qual a transferência dos bebês ainda não foi realizada, já que o transporte e a segurança necessários já foram disponibilizados.

Estamos disponíveis e preparados para garantir o transporte urgente destes pacientes, que estão desesperados por tratamento médico de emergência. Porque é que a transferência ainda não é possível?”, criticou Staffan de Mistura.

O enviado da ONU na Síria acrescentou ainda que as situações mais delicadas do acordo já foram estabelecidas, e que elas não podem ficar à espera de condições de um cessar-fogo, o qual pode ou não ser respeitado por um dos lados.

Com informações das Agências France Presse e Reuters

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