Jogos Olímpicos no RJ vão marcar os 56 anos das paralimpíadas

Os Jogos no Rio de Janeiro em 2016 vão marcar 56 anos das paralimpíadas, nascidas da fuga do nazismo.

Rio de Janeiro receberá os primeiros Jogos Paralímpicos na América do Sul – Foto: José Pedro Martins

Rio de Janeiro receberá os primeiros Jogos Paralímpicos na América do Sul – Foto: José Pedro Martins

Entre 7 e 18 de setembro de 2016 o Rio de Janeiro vai sediar os primeiros Jogos Paralímpicos na América do Sul, com um recorde de participação. Serão 4.350 atletas, de 176 países, superando o recorde anterior, das Paralimpíadas de Londres em 2012, quando participaram 166 comitês paralímpicos. Os Jogos no Rio de Janeiro vão marcar a comemoração dos 56 anos do movimento paralímpico internacional, que tem entre seus componentes, em sua gênese, a fuga do horror do nazismo.

Um anônimo mineiro ferido, que tinha lesão na medula espinhal e acabou falecendo na pequena localidade alemã de Konigshutte, em 1917, cumpre papel fundamental na história do nascimento do movimento paralímpico internacional. A morte do mineiro ferido marcou para sempre a biografia de Ludwig Guttmann, que atuava como voluntário no hospital onde o paciente estava internado.

Guttmann acompanhou a agonia do mineiro e, formado em Medicina em Freiburg, em 1924, não por acaso ficaria conhecido por seus métodos inovadores em recuperação de pacientes com lesões na medula espinhal. Na Universidade Guttmann era membro de uma fraternidade judaica, que lutava contra o avanço do anti-semitismo.

Após a graduação, trabalhou em Breslau e Hamburgo, voltando depois para Breslau. Proibido pelos nazistas de atuar em hospitais públicos, ainda continuou atuando no hospital judaico de Breslau, tendo evitado a transferência de dezenas de pacientes para campos de concentração, apesar das pressões permanentes da Gestapo.

Mas a situação na Alemanha foi ficando cada vez mais insustentável e Guttmann acabou migrando com a família para a Inglaterra, em março de 1939, a convite da Sociedade para a Proteção da Ciência e Aprendizagem. Logo retomou suas pesquisas em Oxford, com o apoio do Conselho de Assistência aos Acadêmicos Refugiados.

Em plena Segunda Guerra Mundial, quando crescia de forma assustadora o número de mortos e feridos, Guttmann apresentou, em 1941, a pedido do Conselho de Pesquisa Médica da Inglaterra, um amplo estudo sobre o tratamento e reabilitação de vítimas de pacientes com lesão na medula espinhal. Esta foi a origem da ideia de criação de um centro especial para tratamento desses pacientes.

A ideia foi materializada quando Guttmann assumiu a direção do centro criado no Hospital Stoke Mandeville, em Aylesbury. O centro foi inaugurado em primeiro de fevereiro de 1944, com 26 leitos. Desde o início o médico utilizou o esporte na reabilitação dos pacientes.

Quatro anos depois, em 28 de julho de 1948, Guttmann organizou a primeira competição entre os pacientes, com a participação de 14 ex-militares e duas mulheres. Quatro anos depois, os jogos em Stoke Mandeville tiveram a participação de atletas holandeses – na realidade, veteranos de guerra.

Era o parto do movimento paralímpico internacional, que apenas cresceu nessas seis décadas, com uma nítida vocação pacifista, como indica a trajetória do Dr. Ludwig Guttmann, falecido em 1980. A primeira edição das Paralimpíadas foi em Roma, em 1960.

A primeira edição conjunta com os Jogos Olímpicos de Verão foi em 1988, em Seul. Quatro anos depois, em Barcelona, as Paralimpíadas adquiriram uma visibilidade que não parou mais de crescer.

Em Londres, houve um recorde, até então, de participação de comitês paralímpicos nacionais. Foram 166 e entre os países com primeira participação estavam Albânia, Antigua e Barbados, Ilhas Virgens Americanas e San Marino. O recorde agora caberá ao Rio de Janeiro, com os 176 comitês paralímpicos participando. É a afirmação das paralimpíadas, como um marco do avanço do movimento global pela inclusão.

Fonte:  ASN – Agência Social de Notícias (www.agenciasn.com.br)

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