Trabalhadoras denunciam atraso de salário no MPT

Além das trabalhadoras demitidas em setembro, 324 empregadas da empresa Universo íntimo estão sem receber salários.

Foto: Divulgação

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Campo Grande (MS) – Trabalhadoras e trabalhadores da empresa de confecção Universo Íntimo estiveram no Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta tarde, 19 de outubro, para denunciar o atraso de salário referente ao mês de setembro. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Vestuários de Campo Grande (Sintivest-MS) e as trabalhadoras se organizaram e criaram uma comissão para reunião agendada com representantes da empresa Universo Íntimo.

Segundo José Carlos Echeverria, 59 anos, encarregado de manutenção que há 11 anos trabalha na empresa, as reivindicações são o pagamento do atraso do salário referente a setembro, que não foi pago no quinto dia útil, e dos três meses em que a cesta básica não foi entregue. José Carlos também destaca o problema da falta de depósitos do FGTS: “em março de 2016, vai fazer cinco anos que nosso FGTS não é depositado. Isso que está complicado porque assim a gente não consegue dar baixa na carteira”, relatou. No total, 324 trabalhadores, dos que permaneceram na empresa estão sem receber. Destes, 144 compareceram nesta tarde na sede do MPT em Campo Grande para denunciar as irregularidades.

Sem o deposito do salário, a empresa dispensou as trabalhadoras até que fosse efetuado o pagamento, o que não ocorreu até hoje. “Normalmente nós recebemos no quinto dia útil, este mês caiu dia 6 de outubro, uma terça-feira, nós continuamos trabalhando até a sexta-feira, dia 9 de outubro. Na terça-feira, depois do feriado, dia 13 de outubro nós trabalhamos até 13h30. Como ainda não tínhamos recebido, a empresa dispensou a gente. Mandaram a gente esperar em casa o pagamento cair, e prometeram que iriamos receber até o dia 16 de outubro”, explicaram duas trabalhadoras que não quiseram se identificar.

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Sem posição da empresa as trabalhadoras se organizaram e protestaram na fábrica de confecção. “Hoje como não recebemos, nós nos organizamos e fomos para a empresa, chegando lá, estava tudo fechado. Eles nem saíram na porta, mandaram avisar que não podiam dar uma posição porque o escritório é em São Paulo, ‘dependemos de lá’”, completaram as trabalhadoras.

Para o procurador do trabalho e responsável pelo caso, Cícero Rufino Pereira, os problemas da empresa não podem prejudicar as trabalhadoras. “Vamos buscar a melhor solução para as trabalhadoras e trabalhadores, porque minha missão e do MPT em todo Brasil é de defender a lei e a lei garante o direito dos trabalhadores. A empresa tem que começar a pagar vocês, porque o direito é de vocês. Que a empresa está passando por dificuldades eu entendo, mas isso não pode prejudicar vocês, trabalhadoras e trabalhadores”, enfatizou o procurador.

Após conversarem com o procurador do trabalho Cícero Rufino Pereira, o grupo foi orientado a formar comissão para denunciar formalmente o atraso dos salários e outras reivindicações. O procurador do trabalho irá ouvir as duas comissões, uma de trabalhadoras demitidos e outra de trabalhadoras com atraso de salário, e a empresa Universo Íntimo em audiência na sede do MPT, em Campo Grande.

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