Tropas do Exército cercam a Assembléia Legislativa da Bahia
A tensão voltou a reinar em Salvador, na Bahia, e também, em algumas cidades do Estado, devido a greve da Polícia Militar, depois que manifestantes (policiais militares em greve) ameaçaram invadir o prédio da Assembléia Legislativa.
Tropas do Exército Brasileiro chegaram a Assembléia por volta das 05h30min, e imediatamente cercaram o prédio, impedindo a entrada de policiais militares. A operação militar está sendo comandada pessoalmente pelo general Gonçalves Dias, da 6ª Região Militar de Salvador.
Os soldados do Exército, com o apoio da Força Nacional de Segurança, e da Polícia Civil, mais precisamente da Coordenação de Operações Especiais (COE), isolaram toda a região, e estão impedindo até mesmo a aproximação de civis e de jornalistas.
Segundo as primeiras informações, soldados do Exército estariam armados com metralhadoras, fuzis, pistolas e bombas de efeito moral. Um helicóptero sobrevoa neste momento a região, e há informações de que militares da Polícia do Exército, com cães, teriam sido chamados, já que o confronto com policiais militares revoltosos seria iminente.
Neste momento chega a redação do Campo Grande Notícias, a informação de que veículos blindados do Exército se dirigem para as imediações do prédio da Assembléia Legislativa da Bahia, com o objetivo de defender a edificação, os funcionários e os parlamentares.
O Palácio de Ondina, sede do Governo do Estado, também está cercado, e os manifestantes estão sendo mantidos à distância.
De acordo com as informações do Centro de Comunicação Social da 6ª Região Militar de Salvador, a operação visa isolar os manifestantes, impedindo sua entrada no prédio, e também, o de cumprir mandados de prisão de líderes da greve, a qual foi considerada ilegal pela Justiça.
“Temos ordem para permanecer no local, e tentar evitar o confronto, mas se necessário, iremos agir com rigor para garantir a ordem e a legalidade”, disse o general Gonçalves Dias.
O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, está neste momento em frente ao prédio da Assembléia, tentando contornar a situação para evitar um confronto entre o Exército e a Polícia Militar.
“Nossa intenção é encontrar uma saída negociada, mas existe uma ordem judicial a qual devem ser cumprida”, disse Maurício Barbosa, referindo-se aos 12 mandados de prisão contra os líderes do movimento grevista, expedidos pela Justiça.
Jornalistas, repórteres-fotográficos e cinegrafistas estão sendo mantidos a 100 metros de distância do local, e neste momento um repórter da Folha de S. Paulo informou que viu um veículo blindado do Exército, modelo Urutu, se aproximando do prédio da Assembléia Legislativa.
“O clima é de extrema tensão”, disse apreensivo o jornalista da Folha.
Os policiais militares em greve estão neste momento reunidos no pátio da Assembléia, e desafiam os militares do Exército, acenando com as mãos e gritando: “Vem! Vem! Vem!”.
Um assessor do sindicalista Marco Prisco Caldas Nacimento (soldado da PM) disse agora a pouco, muito nervoso, que caso ocorra realmente o confronto entre a Polícia Militar e os soldados do Exército haverá uma chacina, e que o responsável será o governador Jacques Wagner.
Esse assessor esquece que os crimes de vandalismo, de saques, e até mesmo de assassinatos em série, já começaram a ocorrer em Salvador e em outras cidades baianas, desde que alguns policiais militares, desrespeitado a ordem pública, a Justiça e a hierarquia, iniciaram a greve, a qual foi considerada ilegal.
Ambulâncias acabam de chegar, e foram estacionadas nas proximidades do prédio da Assembléia Legislativa da Bahia, dando a impressão de que o confronto vai mesmo acontecer nas próximas horas.
O prédio da Assembléia teve o fornecimento de energia elétrica cortado, e segundo os grevistas, a ordem para o desligamento da luz foi dado pelo governador Jacques Wagner.
Segundo a assessoria do governador da Bahia, a ordem não foi dada por ele, e sim pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), que inclusive teria dado um ultimato aos policiais militares grevistas, para que desocupem o prédio até a meia-noite, porque depois disso, daria pessoalmente ordens para a invasão do local pelas tropas do Exército.
“Quero a Casa que eu presido de volta. Não posso permitir que o Poder Legislativo seja esconderijo de foragidos”, disse Marcelo Nilo, referindo-se aos policiais militares, líderes do movimento grevista, os quais tiveram a prisão decretada pela Justiça.
Helicópteros do Exército, com soldados armados com metralhadoras já sobrevoam o prédio da Assembléia, mas pelo menos por enquanto não foram registrados confrontos.
Com informações da Folha On-Line e do Centro de Comunicação Social da da 6ª Região Militar de Salvador








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